Esta bicicleta com seu próprio "Netflix fitness" já vale US$ 4 bilhões

A Peloton captou um milhão de dólares em investimentos com uma ideia simples: trazer exercícios em casa ao século XXI

São Paulo - As ideias de negócios mais lucrativas, por vezes, estão nas soluções mais óbvias - mas que ninguém resolveu executar até então. Que o diga a startup Peloton, do Vale do Silício. Ela resolveu trazer para o século XXI aquele hábito antigo de assistir a aulas de exercícios pela televisão. Para isso, uniu bicicletas de spinning e esteiras a telas com aulas streamadas de fitness, no maior estilo Netflix.

No começo da Peloton, poucos investidores entendiam os benefícios de combinar a venda de hardware (o próprio equipamento de academia) com software (o streaming das aulas). Seis anos e 250 mil bikes depois, o negócio cresce a passos cada vez mais largos. Em maio deste ano, o negócio chegou a um valuation de um bilhão de dólares e se tornou um unicórnio. Atualmente, a ideia já conquistou um milhão de dólares em investimentos e é avaliada em quatro bilhões de dólares.

O último investimento, de série F, foi o maior de todos: 550 milhões de dólares de fundos como TCV (investidor nos negócios Facebook, LinkedIn, Netflix e Spotify, por exemplo) e Tiger Global Management (negócios como Facebook e LinkedIn; no Brasil, 99 e Peixe Urbano).

A cobrança é feita tanto pelo equipamento em si - uma bicicleta sai por quase dois mil dólares, ou 7.850 mil reais, enquanto uma esteira sai pelo dobro - quanto pelas aulas, com uma mensalidade de 39 dólares (122 reais). O custo é alto e a falta de alguém acompanhando pode ser assustadora, mas a startup divulga uma taxa de retenção de 96% de seus usuários. A construção de um perfil próprio, como um Facebook ou o Instagram, e a competição com outros alunos são alguns aspectos que ajudam a Peloton a ter sua base de clientes apaixonados.

Usuária com bicicleta da Peloton em casa Usuária com bicicleta da Peloton em casa

Usuária com bicicleta da Peloton em casa (Peloton/Divulgação)

Há 8.500 vídeos nos arquivos da Peloton, que transmite 12 aulas por dia na tela de 22 polegadas dos equipamentos. Quem perdeu uma instrução pode acessá-la novamente, já que elas ficam armazenadas no próprio aparelho.

A mistura de hardware e software, antes tão temida, foi o que atraiu Jay Hoad, sócio do TCV. Ao New York Times, ele comparou o modelo de negócios da Peloton à relação entre o iPhone e a App Store.

Na época do aporte série F, a Peloton falou que usaria o dinheiro para continuar ampliando seus produtos e sua atuação, incluindo uma expansão internacional. A companhia afirmou ao veículo americano estar no caminho para um faturamento de 700 milhões de dólares neste ano fiscal, encerrado em fevereiro de 2019. Para o próximo ano, um IPO também está nos planos - um caminho natural para uma startup que já chegou a uma rodada tão avançada de aportes.

Uma corrida cheia de concorrência

Ainda que o dinheiro venha rapidamente, a corrida da Peloton para o IPO parece mais uma trilha - obstáculos a toda hora.

O mercado de fitness estadunidense é gigantesco: o Crunchbase cita o Statista para dizer que a indústria global de fitness e de clubes de saúde gera 80 bilhões de dólares em receita todos os anos, sendo que 57,2% dos seus membros estão nos Estados Unidos.

Alguns concorrentes da Peloton são as startups Flywheel Sports e NordicTrack, que oferecem bicicletas de academia com aulas em vídeo. Ao mesmo tempo, a startup FightCamp foi chamada de “a Peloton do boxe”, enquanto o empreendimento Tonal foi chamado de “o Peloton da musculação”.

Contra tantos competidores, a Peloton acredita em sua capacidade de fidelizar e reter consumidores para se manter em destaque no mercado, a exemplo do que fez a academia de spinning SoulCycle e seus fãs tão devotos quanto os de um culto religioso.

Em um mercado tão efervescente de competidores e investidores, a Peloton precisa ter tanto a agilidade de um corredor de 100 metros quanto a resistência de um maratonista.

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