A estratégia da Sympla para conquistar o mercado de ingressos brasileiro

Com estratégia inspirada na Netflix, startup quer recomendar a melhor opção de lazer para seus usuários; empresa vendeu mais de 50 milhões de ingressos
 (Sympla/Divulgação)
(Sympla/Divulgação)
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Carolina Ingizza

Publicado em 06/03/2020 às 06:00.

Última atualização em 06/03/2020 às 13:10.

A plataforma de eventos Sympla teve um ano intenso em 2019. No período, a startup de Belo Horizonte, fundada em 2012, realizou 285.000 eventos e vendeu 21 milhões de ingressos. O faturamento foi triplicado em relação a 2018 e o número de funcionários aumentou 85%. 

“Para nós, 2019 foi um ano em que a gente passou por uma estruturação muito forte de time, abrimos novos escritórios no Brasil, lançamos a vertical de teatro”, diz o cofundador e presidente da startup, Rodrigo Cartacho. 

O executivo celebra os bons números e explica que eles não são resultado de uma novo plano ou produto, mas sim da solidificação da estratégia de cauda longa que a companhia adota desde sua fundação. 

A Sympla não prioriza grandes eventos para milhares de pessoas. Desde o início da startup, os cofundadores se propuseram a criar uma plataforma digital que pudesse atender todos os perfis de eventos brasileiros. Desde um festival para 70.000 pessoas até uma aula de ioga com entrada gratuita. 

“Nós queremos entregar a tecnologia para o máximo de pessoas no Brasil e ter a maior base de eventos do país”, diz Cartacho. Hoje na plataforma há cerca de 30.000 eventos disponíveis. Ao todo, de 2012 até agora, a startup já fez mais de 650.000 eventos e vendeu mais de 51 milhões de ingressos. 

A trajetória da Sympla

A empresa, fundada em 2012 pelos empreendedores David Tomasella, Marcelo Cartacho e Rodrigo Cartacho, propõe um novo modelo de gestão para os organizadores de congressos, cursos, eventos esportivos, festas e shows. “Buscamos entender os desafios de quem organiza e participa de eventos para proporcionar uma experiência completa, simples e confiável”, afirma Rodrigo Cartacho.

No final de 2017, a empresa recebeu um aporte de 15 milhões de reais da Movile, dona do iFood e PlayKids. Antes, em junho de 2016, a companhia já havia investido outros 13 milhões de reais na plataforma de tíquetes. Com o investimento, além do capital, a empresa teve acesso aos outros negócios investidos pela Movile e aos parceiros comerciais, como Amazon, Facebook e Google. 

Como funciona 

Um organizador pode usar a plataforma da Sympla para criar uma página personalizada para seu evento, controlar e vender os ingressos e realizar o check-in dos participantes. Já para quem busca uma atividade, a empresa tenta se posicionar como uma "Netflix dos eventos", oferecendo milhares de opções de atividades pagas e gratuitas que acontecem por todo o país. 

A Sympla ganha dinheiro de duas formas. No caso dos eventos auto-organizados que utilizam a plataforma só para vender a entrada, a Sympla cobra do organizador uma taxa única de 10% sobre o valor de venda do ingresso. Se a portaria for livre, não é preciso pagar nada para a plataforma. 

O outro modelo é o Sympla Pro — utilizado pela minoria dos mais de 30.000 eventos do site. Nesse formato, o organizador contrata os serviços da startup para a organização da portaria do evento. A equipe da empresa oferece uma consultoria prévia e durante o dia da atividade sobre como conduzir a entrada dos clientes. 

Escritório da Sympla em São Paulo: meta da empresa é abrir três novos escritórios em outras cidades em 2020 (Sympla/Divulgação)

Desafio é manter crescimento

A startup tem hoje 6 escritórios abertos em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Campinas, Recife e Porto Alegre. Em 2020, planeja a abertura de mais três, começando pelo de Salvador, que será inaugurado ainda em março. A projeção da empresa é passar de cerca de 450 funcionários para 640 até o final do ano.

Em relação ao faturamento, a meta também é seguir crescendo. Cartacho não revela quanto a empresa faturou nos anos anteriores, mas afirma querer, no mínimo, manter a taxa de crescimento de 195% em 2020. 

Para isso, a estratégia é seguir investindo no marketplace de eventos e atrair mais atividades para a plataforma. Na parte tecnológica, o desafio trabalhar no algoritmo de recomendação, para que os compradores recebam sugestões cada vez mais precisas do que fazer. 

“É um desafio de produto grande, exige muita inteligência artificial para conseguir entregar sugestões com a relevância adequada”, diz o cofundador. 

Uma preocupação para Cartacho nesta fase é conseguir manter a cultura da empresa funcionando enquanto o negócio cresce a uma velocidade alta. “Eu tive seis empreendimentos antes, mas nenhum tem a mesma intensidade que a gente tem”, conta. 

Por isso, ele se preocupa em contratar pessoas que se adaptem bem ao desafio da empresa. “A gente é feito de empreendedores, cada um dos 450 funcionários constrói a empresa”, afirma.

Para atingir os objetivos ambiciosos da empresa para 2020 de se consolidar como um "Netflix dos eventos", as novas contratações precisarão ser certeiras.