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Semp Toshiba faz ajustes e busca novo fôlego

Affonso Brandão Hennel deixou sua aposentadoria para fazer um ajuste na empresa, que inclui redução de custos, de pessoal e de marcas, além de mudança na gestão

Produtos da Semp Toshiba: em 2011 e 2012, a empresa acumulou resultado negativo de quase R$ 130 milhões, reflexo da perda de mercado (Reprodução/Facebook)

Produtos da Semp Toshiba: em 2011 e 2012, a empresa acumulou resultado negativo de quase R$ 130 milhões, reflexo da perda de mercado (Reprodução/Facebook)

DR

Da Redação

Publicado em 28 de outubro de 2013 às 07h56.

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São Paulo - Há cinco meses, Affonso Brandão Hennel, de 84 anos, deixou sua aposentadoria para tentar recolocar no rumo a Semp Toshiba, empresa fundada por seu pai em 1942 e que vinha acumulando anos sucessivos de prejuízos.

Nesse período, fez um forte ajuste na empresa, com redução de custos, de pessoal e mesmo de marcas, e mudou a gestão, com a volta de executivos que já haviam trabalhado com ele. O resultado, diz, começa a aparecer: segundo Hennel, a companhia volta ao ponto de equilíbrio neste mês e deixa para trás os resultados mensais negativos.

“Estamos numa rota ascendente”, afirmou o executivo, na primeira entrevista após interromper a aposentadoria, iniciada em 1998. Ele pondera que será necessário mais tempo para absorver os prejuízos anuais. Em 2011 e 2012, a empresa acumulou resultado negativo de quase R$ 130 milhões, reflexo da perda de mercado e da queda no faturamento.

Os eletrônicos da marca desapareceram das lojas, fluxo que ainda não foi restabelecido, segundo fontes do varejo. No ano passado, a receita da empresa foi de R$ 1,5 bilhão, ante R$ 1,6 bilhão em 2011. Nos bons tempos, chegou a faturar mais de R$ 2 bilhões.

Apesar das indicações de que os negócios não caminhavam bem, tanto no segmento de áudio e vídeo como no de informática, o mercado foi surpreendido no início de maio, quando Hennel passou a acumular a presidência do conselho e a executiva, no lugar do filho, Afonso Antônio Hennel, que deixou a empresa. Hoje, Afonso tem projetos no segmento de eletrodomésticos da linha branca.

As mudanças implementadas por Hennel envolvem corte de linhas de produtos, de marcas, de pessoal e de estoques. O objetivo é manter a solvência da companhia, sem a necessidade de recorrer a bancos. “Comecei a tirar vantagens dos produtos obsoletos que estavam em estoque: TVs, computadores e itens de áudio. O mercado pagou o que podia, eu concordei e mantive a solvência”, contou.

A arrumação da casa também incluiu a renegociação de contratos e a oportunidade para liquidar pendências. Com o recuo do câmbio nos últimos meses, por exemplo, ele liquidou parte do débito de US$ 512 milhões com financiamento de importações de componentes. “No momento, a dívida está em US$ 230 milhões e tenho saldo para pagar isso tranquilamente.”


Brandão Hennel não detalhou o tamanho exato dos cortes feitos, mas explicou que o enxugamento geral em curso na empresa tem como objetivo trazê-la para o foco. A intenção é centrar fogo nos produtos rentáveis. “Na informática, vamos nos concentrar em tablets e laptops, que dão lucro”, disse o empresário. “Estamos fora de celular e desktop, mas vamos bem em telefone fixo sem fio.

” Nas TVs, onde está o DNA da empresa, o objetivo é a TV fininha, com tela de cristal líquido (LCD, na sigla em inglês). Com isso, foi abandonada a proposta anterior de manter por algum tempo a fabricação de TV de tubo. “Vamos apostar nas TVs de boa qualidade, capazes de competir com as coreanas.”

Japoneses

A arma da Semp Toshiba para competir com as coreanas Samsung e LG, que se alternam na liderança do mercado de TVs, será usar a marca da parceira Toshiba, que não estava sendo aproveitada, e também a tecnologia fornecida pela empresa japonesa.

Desde 1977, a empresa tem uma joint venture com a Toshiba do Japão. Nos últimos tempos, a marca Toshiba perdeu importância e a parceria se enfraqueceu. Quando assumiu a empresa, Brandão Hennel se reaproximou dos japoneses para recolocar a marca no mercado.

Sob a nova administração, a marca Toshiba será voltada para produtos de nicho, mais sofisticados. Já a marca Semp, que havia sido desativada, vai chancelar os itens populares de todas as linhas. A empresa já está fabricando tablets com a marca Semp. E a STI, marca criada inicialmente para os computadores, mas que foi estendida para outras linhas, sairá de cena.


Velha guarda

Junto com a redução de linhas de produtos e de marca, houve um corte de pessoal. “Dispensei não menos de oito diretores aqui nesses cinco meses”, contou Brandão Hennel. A empresa encerrou o ano passado com 2.538 funcionários espalhados entre as fábricas de Manaus (AM) e Salvador (BA) e o centro administrativo e de logística em Cajamar (SP).

Agora, são 2.038 empregados. “Ainda estamos num processo de simplificação, porque houve uma redução muito grande de objetivos e de responsabilidades. Todo o pessoal que estava assessorando essas áreas tornou-se dispensável”, explicou.

Outro passo para tornar rentável o negócio foi ampliar as funções de funcionários subaproveitados. E, por enquanto, os aumentos de salário por mérito estão congelados, avisou.

Para ajudá-lo na nova administração, o presidente trouxe de volta antigos diretores para trabalhar em áreas-chave: Ricardo Schiel, como diretor de fábrica, e Antônio Wolff, para dirigir a área de recursos humanos.

Mesmo sem ter completado seis meses de volta, o novo presidente já planeja a sua retirada para 2014. Ele diz que a missão do seu sucessor, que será escolhido por ele entre os funcionários tidos como “prata da casa”, será cessar os prejuízos anuais. “

Tenho 84 anos e quero ficar aqui o menos tempo possível. Quero ceder espaço e experiência para quem precisar. Vou para o conselho administrativo e fico quieto lá.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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