Reforma tributária: 63% das PMEs planejam revisar preços e buscam apoio contábil para as mudanças de 2027 (OMIE/Divulgação)
Exame Brand Solutions
Publicado em 5 de novembro de 2026 às 09h40.
Com o caixa pressionado pelos juros, as pequenas e médias empresas precisam fazer as contas para se adaptar à reforma tributária em 2027. Segundo a Sondagem Omie das Pequenas e Médias Empresas, 63% consideram rever os preços por causa das mudanças nos impostos, enquanto 59% apontam os juros elevados como uma das principais barreiras ao crescimento. O desafio é entender como a nova tributação pode afetar custos e margens antes de decidir o que repassar ao cliente.
Referente ao segundo semestre de 2026, o levantamento reuniu 410 respostas válidas de empresários e gestores. O estudo é realizado periodicamente pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Omie, também responsável pelo Índice Omie de Desempenho Econômico das Pequenas e Médias Empresas (IODE-PMEs).
Os juros lideram os obstáculos citados pelos participantes, com avanço em relação aos 49% da edição anterior. Além disso, 54% esperam que a economia brasileira tenha impacto negativo sobre seus negócios nos seis meses seguintes à pesquisa.
Para Felipe Beraldi, economista e responsável pela sondagem, essa percepção reflete o efeito acumulado de um período prolongado de crédito caro. Com menos capital de giro e maior dificuldade de acesso a financiamento, as pequenas empresas sentem a pressão tanto no caixa quanto na capacidade de investir.
A reforma acrescenta a esse cenário uma agenda de preparação. Segundo Beraldi, o empresário precisa avaliar os efeitos das mudanças sobre sua operação enquanto lida com as dificuldades do dia a dia.
“Não dá para deixar a reforma tributária guardada na gaveta para 2027, porque diversas adaptações já precisam estar acontecendo. As empresas precisam escolher, definir o regime tributário em que vão operar no ano que vem”, afirma.
A intenção de rever preços não deve ser interpretada como um reajuste já definido. Na avaliação do economista, a conta depende da realidade de cada negócio, da carga tributária efetiva, dos créditos associados às compras e das condições negociadas com fornecedores e clientes.
Uma empresa pode precisar avaliar como repassar um aumento de custos. Outra pode encontrar espaço para ganhar competitividade ao aproveitar melhor os créditos tributários de sua cadeia de fornecimento. Em ambos os casos, a decisão exige entender o efeito sobre a margem antes de alterar o valor cobrado.
As mudanças consideradas pelos empresários também chegam à organização do negócio. 32% avaliam rever a estrutura societária ou o regime tributário, e 31% consideram renegociar contratos com fornecedores e clientes. Mas o preparo ainda é limitado. Apenas 19% se sentem totalmente preparados para a reforma.
Beraldi identifica duas dificuldades nesse processo. Uma é a incerteza sobre os detalhes da transição, que leva parte dos empresários a adiar decisões. A outra é a pressão da conjuntura econômica, que concentra a atenção na sobrevivência imediata da empresa e deixa menos espaço para planejar o ano seguinte.
“Muitas vezes, vejo o empresário envolto por essa questão de conjuntura: ‘Primeiro eu preciso sobreviver, depois vou pensar no ano que vem’. Só que a reforma tributária não dá esse espaço”, diz.
É nesse contexto que os empresários esperam uma atuação mais próxima da contabilidade. Para 73% dos respondentes, o contador terá um papel mais estratégico após a reforma. Ao detalhar o apoio desejado, 71% citam orientação estratégica e 66%, simulação dos impactos financeiros e tributários. O cumprimento formal de obrigações fiscais aparece em 47% das respostas.
A demanda envolve decisões concretas, como avaliar o regime tributário e a estrutura societária e estimar o efeito dos impostos sobre o resultado. “Ele quer ser orientado para tomar a melhor decisão”, diz Beraldi sobre o empresário.
No Simples Nacional, os dados mostram o tamanho dessa necessidade. Entre os respondentes do regime, apenas 21% já haviam escolhido um caminho: 11% pelo modelo híbrido e 10% pelo tradicional. Outros 32% ainda não tinham avaliado os impactos da escolha. Esse retrato corresponde ao período de coleta da pesquisa, encerrado em agosto.
O calendário torna a análise mais urgente. O prazo de opção pelo Simples Híbrido vai até 30 de outubro de 2026, com possibilidade de cancelamento entre 3 de novembro e 20 de dezembro. A escolha exige avaliar as condições de cada empresa e seus efeitos sobre a operação de 2027.
Para Beraldi, a ausência de todas as definições não impede o planejamento. Assim como as empresas trabalham com estimativas de inflação, juros e vendas, podem construir cenários tributários para antecipar decisões sobre preços e compras.
“A simulação permite que você não fique parado esperando uma alíquota para tomar a melhor decisão”, afirma.
O Simulador da Reforma Tributária da Omie integra a oferta da companhia para apoiar essa preparação, ao lado dos treinamentos e das notícias reunidos no hub da Omie Educação. A empresa conecta mais de 200 mil clientes e mais de 25 mil empresários contábeis em sua plataforma.
A proposta é aproximar a análise tributária dos dados usados na gestão. Na avaliação do economista, ter visibilidade do caixa, dos custos e das negociações ajuda a identificar problemas antes que comprometam a operação.
Para o empresário que já convive com margens apertadas, simular agora permite avaliar alternativas com o contador antes de definir preços e contratos para 2027.