Companhia low-cost de fundador da Azul fecha acordo com Embraer

Breeze Airways será focada em voos de fins de semana e viagens de lazer, mas já enfrenta polêmica nos EUA

Manutenção em dia: companhia assinou contrato para garantir serviços com a Embraer

Manutenção em dia: companhia assinou contrato para garantir serviços com a Embraer (Embraer/Divulgação)

A Breeze Airways – companhia criada pelo fundador da Azul – assinou um contrato com a Embraer para fazer parte do Programa Pool, que garante cobertura total de reparação de componentes e peças das aeronaves E190 e E190. Por enquanto, a novata voará somente com os modelos brasileiros cedidos pela ex-empresa de David Neeleman, mas já estão encomendados novos Airbus A220.

Esse serviço permite que empresas aéreas abram mão de investimentos em recursos e estoques de alto custo. Afinal, a manutenção fica por conta do próprio fabricante e da rede de prestadores: há 77 centros próprios e autorizados, além de 24 pontos de distribuição em todo o mundo, com mais de 1 bilhão de dólares (equivalente a 5,4 bilhões de reais) em peças de reposição armazenadas.

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“Estamos muito felizes em estender nossa parceria com a Embraer, confirmando não só que teremos acesso imediato a um estoque de peças de forma mais eficiente, mas melhora muito nossa manutenção de aeronaves e confiabilidade de cronograma, reduzindo também nosso investimento inicial”, diz Amir Nasruddin, vice-presidente de operações técnicas e programa de frota da Breeze.

Inicialmente, a companhia aérea deverá operar somente 15 aeronaves da linha E-Jets – enquanto foram pedidas 80 unidades do rival europeu. Entretanto, durante o evento World Aviation Festival, o fundador garantiu que nenhum dos modelos será aposentado ao longo das operações, mas sim remanejadas para as rotas mais adequadas. No caso da Embraer, apenas trajetos de até duas horas.

Ainda não está confirmada a data de início dos voos, mas a previsão é de que as primeiras viagens sejam realizadas nos próximos meses, quando começa a temporada de verão nos Estados Unidos. Com foco no turismo de lazer, a nova companhia aérea de David Neeleman (que já fundou outras quatro) deverá ter passagens mais baratas que as rivais, mesmo voando somente aos fins de semana.

Entre as iniciativas para economizar dinheiro, que incluem operar somente em cidades menores e com aeronaves pequenas – repetindo a estratégia de sucesso da Azul –, a novata norte-americana anunciou o atendimento por aplicativo e o plano contratar apenas estudantes universitários de Utah, estado-sede da empresa, para trabalharem como estagiários no serviço de comissário de bordo.

Só que o maior sindicato da atividade nos Estados Unidos, o Association of Flight Attendants (AFA-CWA), já prometeu impedir a iniciativa, classificada como “discriminação de idade pura e simples” pelo órgão. Originalmente, o programa prevê 6 mil dólares em subsídios de apoio educacional por ano, salário fixo de 1.200 dólares por mês, alojamento corporativo e um voo gratuito a cada 30 dias.

De acordo com a entidade, que tem mais de 50.000 sindicalizados na América do Norte, esses valores – que superam 78 mil reais, levando em consideração somente a remuneração – são até 48% mais baixos que comissários de bordo iniciantes receberiam na United Airlines. Em entrevista à Forbes, Sara Nelson, a presidente da AFA-CWA, disse “trabalhar duro para garantir que isso não decole”.

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