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Suécia preocupada com pronome para indicar o terceiro sexo

O pronome caiu em desuso e só foi redescoberto nos anos 2000 pelas pessoas que reivindicavam uma identidade transgênero

EXAME.com (EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 8 de outubro de 2012 às 18h15.

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Estocolmo - Na Suécia, o debate sobre a igualdade sexual supera a simples questão dos salários e direitos civis e invadiu a própria gramática sueca, em que um pronome - o neutro "hen" - para indicar o terceiro sexo tenta se estabelecer entre os já tradicionais "ele" e "ela".

A utilização do "hen" se tornou frequente em 2012, depois da publicação de um livro para crianças, o "Kivi och Monsterhund" ("Kivi e o carro monstruoso"), que suprimiu o "han" (ele) e "hon" (ela) a fim de, segundo seu autor, Jesper Lundqvist, poder dirigir-se às crianças de um modo geral, sem distingui-las entre meninos e meninas.

O "hen" foi inventado por linguistas nos anos 1960, em plena onda feminista, quando a referência masculina em alguns casos (como 'o ser humano') era politicamente incorreta. "Foi uma tentativa de simplificar o idioma e evitar escrever ele/ela", explicou a linguista Karin Milles.

O pronome, no entanto, caiu em desuso e só foi redescoberto nos anos 2000 pelas pessoas que reivindicavam uma identidade transgênero, acrescentou.

O "hen" não visa a substituir o "ele" ou o "ela". Este pronome permite referir-se a uma pessoa sem revelar seu sexo, seja porque a pessoa em questão se reivindica transgênero ou porque acredita ser supérflua essa informação.

"Na sociedade atual, é preciso ter um terceiro sexo, uma terceira posição", afirma a chefe do Conselho de Línguas (Spraakradet), Susanna Karlsson.

"É necessário, no entanto, conservar o 'ele' ou 'ela', já que são categorias ante as quais todos se orientam. A pessoa quer saber se está falando com um homem ou uma mulher", acrescentou.

Segundo a linguista, o "hen" é uma ferramenta que "funciona para propagar a idéia de paridade".


Seu colega Mikael Parkvall questiona a ideia. "A ideia de que a língua determina o pensamento é muito popular, mas nós, os especialistas, somos mais céticos".

"O laço entre o idioma e o pensamento não é especialmente forte e não se torna mais paritário só porque se utiliza um pronome neutro", observa.

Difícil prever se o "hen" vai se implantar de forma duradoura no idioma sueco.

Sven-Goran Malmgren, redator do dicionário da Academia Sueca, a referência em termos de lingüística nacional, não acredita que exista "um único exemplo no mundo em que um pronome tenha sido inventado e depois imposto".

A lista de palavras que entrarão na próxima edição do dicionário será estabelecida em 2014. O lugar do "hen" ainda não está garantido. Isso dependerá da manutenção da palavra no vocabulário sueco, segundo Malmgren.

O "hen" poderá ficar restrito então a uma elite, como um efeito da moda.

Segundo uma pesquisa realizada pelo site do jornal Aftonbladet, 96% das pessoas entrevistadas não utilizam o "hen".

"Uma pequena parcela da população acredita que pode criar uma sociedade paritária manipulando nomes. Isso é um pouco exagerado", lamenta Malmgren.

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