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Sem álcool, celular, nem música: Afeganistão volta aos tempos do Talibã

Grupo, que segue versão radical do islamismo e impõe punições como açoitamentos em praça pública, chega à capital, Cabul

Em um dos pontos mais privilegiados da antiga rota da seda, que uniu o Ocidente e o Oriente em trocas comerciais durante séculos, o Afeganistão já foi ponto de encontro de diversas culturas -- o que ajudou o país a construir um mosaico multiétnico. O Afeganistão também guardou, por muito tempo, relíquias da época das primeiras habitações humanas, tesouros arquitetônicos e obras de arte.

Agora, a nova (e agressiva) ofensiva do Talibã, que dominou o país entre 1996 e 2001, ameaça, mais uma vez, colocar tudo isso em risco. Em menos de um mês de uma rápida campanha militar, que cresceu no vácuo da retirada das forças americanas, o grupo conquistou diversas cidades do país e chegou à capital Cabul.

Com isso, tem aumentado o temor da volta de práticas medievais, que incluem uma série de proibições -- e punições. A lista é grande. Vai desde o consumo de álcool, totalmente vetado, até a livre circulação de mulheres em locais públicos e restrições ao acesso de meninas à educação.

Há vinte anos, quando o Talibã ocupou o poder pela primeira vez, também não faltavam relatos de punições físicas para pessoas acusadas de roubo e outros atos proibidos pela sharia, a lei islâmica, como o adultério.

Os militantes do grupo já começam a impor à população costumes como o uso de barba para os homens, burcas para as mulheres e presença obrigatória nas mesquitas (para os homens, já que mulheres são proibidas de frequentá-las) às sextas-feiras, dia sagrado do islamismo.

O acesso a mídias sociais e o uso de celular também costuma ser restrito, quando não completamente proibido. Ouvir música é outra atividade vista com maus olhos.

As mesmas regras se aplicavam às populações sujeitas ao domínio do Estado Islâmico, que controlou boa parte da Síria e do Iraque entre 2014 e 2017. O grupo criou uma polícia de costumes, que fiscalizava as pessoas na rua. Para evitar reações que podiam levar a açoitamentos ou à morte, as mulheres evitavam sair de casa. Para escapar dessas situações, muitas famílias afegãs buscam migrar para outros países. O Canadá deve receber 20 mil refugiados do país – outras milhares de pessoas estão buscando asilo no vizinho Paquistão e em outros locais da região.

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