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Relação de Milei com seus cães vira tema de provocação política na Argentina

Presidente clonou cachorro que morreu há alguns anos e o cita com frequência

Javier Milei, presidente da Argentina (Erica Canepa/Bloomberg/Getty Images)

Javier Milei, presidente da Argentina (Erica Canepa/Bloomberg/Getty Images)

AFP
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Agência de notícias

Publicado em 28 de abril de 2024 às 06h00.

A Argentina tem um presidente que fala com quatro cachorros clonados e um cachorro fantasma cuja morte ele se nega a admitir: esse relato não oficial ganhou destaque essa semana quando aumentaram as piadas e os questionamentos sobre a saúde mental de Javier Milei.

É "uma falta de respeito definir o presidente como uma pessoa que fala com coisas que não existem. Me parece uma questão absolutamente desrespeitosa, é se meter com a sua família", disse o porta-voz do presidente, Manuel Adorni, na quinta-feira.

Foi assim que ele respondeu a um jornalista que argumentou que, se o presidente tem quatro cães e, em vez disso, vê cinco, então estamos falando de "uma pessoa que vê algo que não corresponde à realidade".

O ex-presidente Alberto Fernández também abordou o tema na quinta-feira quando respondeu ao seu sucessor, que o havia qualificado como "marionete" na noite anterior: "Deve saber que meu cachorro não me dá conselhos e está vivo".

Foi assim que ele provocou Milei sobre seu cachorro Conan, um mastim inglês adorado pelo presidente que morreu em 2017.

Segundo "Loco", a biografia não autorizada de Milei (2023), do jornalista Juan Luis González, o presidente não aceita a morte de Conan e se refere a ele como um de seus "cinco" cachorros, que costuma chamar de filhos.

Seus outros quatro mastins ingleses são clones de Conan que Milei mandou fazer nos Estados Unidos. Ainda de acordo com a pesquisa de González, ele se comunica com os animais, os vivos e o morto, graças aos supostos ensinamentos de uma "medium" especializada na "comunicação interespécies".

Isso foi confirmado à imprensa nos últimos meses por várias pessoas do entorno do presidente, entre o eles o político Rafael Bielsa, que trabalhou com Milei, e a medium Celia Melamed, que disse ao canal TN que ela o havia ajudado "a encerrar o luto com seu cachorro".

"Parece piada, mas aqui há um tema que é a saúde mental do presidente", disse González à AFP.

Milei não negou nem confirmou isso aos diversos jornalistas que lhe perguntaram sobre os cães e costuma ser evasivo ao responder.

"Suponhamos que tudo fosse verdade. Em que isso afetou em sua liberdade, sua propriedade, sua vida? Não machucou ninguém", disse em outubro ao canal LN+. "Que digam o que quiserem de meus filhinhos de quatro patas", respondeu à apresentadora Mirtha Legrand em dezembro.

"Não é uma questão de ele dizer que tem cinco cachorros e ele tem quatro, e parece que tem quatro. É uma questão para todos os argentinos, os que votaram nele e os que não votaram", disse González.

No início do mês, o canal CNN divulgou uma entrevista com o presidente na qual o apresentador, Andrés Oppenheimer, pergunta pelos quatro cachorros. Milei o corrige: "Cinco", disse, para surpresa dos argentinos.

Quando perguntado sobre isso, o porta-voz Adorni respondeu a um jornalista na segunda-feira: "Não entendo por que faz diferença para você se há quatro, cinco ou 43 coelhos".

Para González, a preocupação não é trivial: "É possível entender muitas coisas que o governo faz por meio da instabilidade de Milei, porque é assim que esse governo se administra. Há um fio que conecta essa instabilidade com a maneira como ele governa".

Ele estava se referindo aos cortes drásticos de gastos que o governo fez para atingir sua meta de déficit zero até o final do ano.

Claramente, os cães são uma questão delicada, e muitos manifestantes se aproveitaram disso em um mega protesto na terça-feira contra Milei por causa dos cortes no orçamento das universidades públicas, cantando "Um minuto de silêncio... (Silêncio) Para Conan que está morto".

Um manifestante na Plaza de Mayo carregava uma coleira rígida de cachorro, sem o cachorro, que dizia na coleira vazia: "Conan". Outros seguravam cartazes alusivos ao suposto cão fantasma e conselheiro presidencial que diziam "Sem ciência, sem Conan" ou "Estude para não pedir conselhos a um cão morto".

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