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Reino Unido vai aumentar proteção de parlamentares após morte de político

"Temos que preencher as lacunas" a nível de dispositivos de segurança, declarou a ministra neste domingo à emissora SkyNews

A ministra do Interior do Reino Unido, Priti Patel, declarou neste domingo (17) que reforçará a segurança de seus parlamentares, após o assassinato de um legislador durante encontro com seus eleitores, o segundo ataque deste tipo em cinco anos.

O parlamentar conservador David Amess, de 69 anos, estava conversando com alguns de seus eleitores em uma igreja metodista na pequena localidade de Leigh-on-Sea, a cerca de 60 quilômetros de Londres, quando foi esfaqueado na sexta-feira (15).

O ataque provocou espanto entre os políticos britânicos, que se recordaram do assassinato em junho de 2016 da legisladora trabalhista Jo Cox, antes do referendo sobre o Brexit, por parte de um simpatizante do neonazismo.

Os primeiros elementos da investigação pelo crime da última sexta, que está sendo realizada pelo serviço antiterrorista da Scotland Yard, "revelam uma motivação potencialmente vinculada ao extremismo islamista".

Após o crime, a ministra do Interior, Priti Patel, ordenou uma revisão nas medidas de segurança para os parlamentares.

"Temos que preencher as lacunas" a nível de dispositivos de segurança, declarou a ministra neste domingo à emissora SkyNews.

Ao ser preguntada sobre a criação de uma proteção policial especial para os políticos em seus distritos eleitorais, a ministra assegurou que "atualmente se contemplavam todas as opções" e que uma "série de medidas" já tinha sido implementada desde a morte de Amess na sexta-feira.

Cerca de 650 legisladores foram contactados pelas forças de segurança e policiais foram destacados para os locais onde ocorriam encontros entre os políticos e seus eleitores. Alguns deles informaram que, por enquanto, deixariam de realizar essas reuniões presenciais, até que os dispositivos de segurança fossem modificados.

Investigação acelerada

O homem detido pelo assassinato seria um britânico de origem somali chamado Ali Harbi Ali, segundo a emissora BBC e, anos atrás, seu nome estava inscrito no Prevent, um dispositivo britânico para pessoas consideradas em risco de radicalização.

Acredita-se que Ali não passou muito tempo no programa, que é voluntário, e ele nunca foi "objeto de interesse" do MI5, a agência nacional de segurança, segundo a mesma fonte.

Priti Patel também comentou neste domingo que o programa Prevent estava sendo analisado para ser melhorado.

A polícia e os serviços de segurança acreditam que o agressor agiu sozinho e que se "autorradicalizou", informou o jornal The Sunday Times. No entanto, ele também pode ter se inspirado no Al-Shabab, um grupo jihadista da Somália vinculado com a Al-Qaeda.

O pai de Ali, Harbi Ali Kullane, um ex-conselheiro do primeiro-ministro da Somália, confirmou ao The Sunday Times que seu filho estava detido e admitiu que está "muito traumatizado" pelo ato cometido por ele.

A polícia disse que está realizando buscas em três lugares de Londres como parte de uma "investigação acelerada".

A segurança dos legisladores britânicos passou a ser encarada como um problema depois do Brexit, que acentuou as divisões políticas.

Desde a morte de Jo Cox, "muitas coisas mudaram", acrescentou hoje Patel. Foi um "período muito intenso para os legisladores" em torno das medidas de segurança e, desde então, "muito trabalho" foi feito, disse.

Cox, de 41 anos e mãe de dois filhos, foi assassinada por um extremista de direita em seu distrito eleitoral próximo de Leeds, no norte da Inglaterra.

Em um livro publicado no ano passado, o próprio Amess mencionou a morte de Cox e escreveu que o temor pela segurança dos parlamentares "prejudicaria a tradição britânica na qual as pessoas podem se reunir abertamente com seus representantes".

Ao contrário de alguns colegas, Amess publicava no Twitter o horário de seus encontros com os eleitores, que ocorriam em lugares públicos, mas pedia que estes se registrassem com antecedência.

 

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