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Paquistão: 869 mulheres morreram em 2013 por crimes de honra

Os quase 900 casos documentados constatam a passividade oficial para lutar contra a forte discriminação que as mulheres sofrem nessa região do planeta


	Mulher no Paquistão: "família da vítima costuma ser também a do criminoso, e frequentemente perdoa seu parente por conveniência; impunidade continua e estimula outros a seguirem o exemplo" (REUTERS/Naseer Ahmed)

Mulher no Paquistão: "família da vítima costuma ser também a do criminoso, e frequentemente perdoa seu parente por conveniência; impunidade continua e estimula outros a seguirem o exemplo" (REUTERS/Naseer Ahmed)

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Da Redação

Publicado em 24 de abril de 2014 às 11h45.

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Islamabad - Quase 900 mulheres morreram no ano passado no Paquistão nos chamados crimes de honra, geralmente realizados por parentes das vítimas, segundo um relatório publicado nesta quinta-feira pela Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP).

Os 869 casos documentados pela Comissão ficam abaixo dos 913 denunciados de 2012 e aos 943 de 2011, e se constata a passividade oficial para lutar contra a forte discriminação que as mulheres sofrem nessa região do planeta.

"Esse tipo de crime persiste pela impunidade dos assassinos", afirma o documento da HRCP, que denuncia que a tradição islâmica de permitir a absolvição dos agressores se forem perdoados pela família da vítima favorece os criminosos.

"A família da vítima costuma ser também a do criminoso, e frequentemente perdoa seu parente por conveniência", afirma o relatório, que sentencia que "a impunidade continua e estimula outros a seguirem o exemplo".

Os crimes de honra são muito frequentes no Sul da Ásia e costumam envolver homens de uma família que vingam o que acreditam ser uma afronta à conservadora moral familiar das sociedades locais, como um simples casamento não consentido.

O relatório denuncia outras formas de violência doméstica, e inclui como vítimas as 800 suicidas registradas, quase sempre pressionadas por conflitos familiares derivados de questões de honra e por agressões machistas.

A HRCP também relata outras situações de horror, como a das 56 mulheres assassinadas pelo simples fato de ter dado à luz uma menina, o que costuma se chocar com o desejo dos cônjuges e suas famílias de ter descendentes homens.

No ano passado, as autoridades registraram quase 3 mil denúncias de estupro, mas o documento evidencia a falta de dados de algumas províncias e números suspeitamente baixos em outras, o que indica que, como nos crimes de honra, a maioria de agressões passa despercebida.

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