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O que acontece no mundo se os EUA voltarem à recessão?

Relatório da agência de classificação de risco Fitch mostra os impactos de um “duplo mergulho” da economia norte-americana no mundo

Com um "duplo mergulho" na economia norte-americana., PIB mundial deve crescer 2 pontos percentuais a menos, segundo a Fitch (Wikimedia Commons)

Com um "duplo mergulho" na economia norte-americana., PIB mundial deve crescer 2 pontos percentuais a menos, segundo a Fitch (Wikimedia Commons)

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Da Redação

Publicado em 25 de agosto de 2011 às 16h27.

São Paulo* – Diante da ameaça de um retorno à recessão nos Estados Unidos, a agência de classificação de risco Fitch revisou suas projeções de crescimento para as principais economias mundiais. A começar pelos próprios EUA, que devem crescer 1,8% em 2011, em vez dos 2,6% anteriormente estimados.

Caso o “duplo mergulho” na economia norte-americana se concretize, o crescimento do produto interno bruto (PIB) mundial entre 2011 e 2013 será no mínimo 2,1 pontos percentuais menor do que se a recuperação prosseguisse.

Além disso, com o retorno à recessão, a demanda por petróleo no mundo cairia, levando o preço do barril a algo em torno dos 85 dólares em 2013. Para um cenário de recuperação, a projeção da Fitch era de 100 dólares o barril.

“Com a retração do consumo em um cenário de elevado desemprego e enfraquecimento do setor de habitação, e uma maior tensão nos mercados financeiros relacionada à crise na zona do euro, os temores da possível volta dos EUA à recessão aumentaram”, diz Maria Malas-Mroueh, diretora da Fitch em Londres.

A agência de risco analisou os maiores riscos para diferentes regiões do planeta caso os EUA voltem à recessão, embora tenha deixado claro que o duplo mergulho não está em seu cenário base de projeções.

Brasil

Os Estados Unidos e a China são grandes parceiros comerciais do Brasil. Assim, em um eventual retorno à recessão, o crescimento do PIB brasileiro em 2011 ficaria em 3,7%, ou 0,3 ponto percentual abaixo da estimativa da Fitch em um cenário normal. Em 2012, haveria outra perda de 0,3 ponto do crescimento brasileiro, que seria de 4,2%. Segundo a agência, o crescimento do PIB brasileiro em 2013 seria de 4,5%, 0,5 ponto a menos do que o País cresceria sem o retorno dos EUA à recessão.


Zona do euro, Reino Unido e Japão

Segundo o relatório da Fitch, se os Estados Unidos mergulharem em um novo período de recessão, o crescimento da Zona do euro, e do Reino Unido e Japão será, no mínimo, 0,7 ponto percentual menor do que em um cenário normal. A agência comenta que, apesar destas projeções, os efeitos podem ser bem maiores, por causa da interdependência entre os setores financeiros destes países.

China

O crescimento na China seria 2,7 pontos percentuais abaixo do estimado para o período entre 2011 e 2013. Os impactos desta baixa atingiriam o mundo todo, dado o potencial de consumo chinês. Segundo a Fitch, a China cresceria 8,6% em 2011 (0,1 ponto a menos), 7% em 2012 (-1,5 ponto) e 6,9% (-1,1 ponto) em 2013 se os EUA voltarem para a recessão neste período.

Países emergentes da Ásia e leste europeu

Os países emergentes da Ásia, como a Índia, Malásia, Indonésia, dentre outros, tem nas exportações sua principal fonte de crescimento. Uma vez que os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais destes países, eles seriam o grupo mais afetado por um retorno à recessão. Os danos às economias menores do leste europeu também devem ser severos, por duas razões. Primeiro, por causa da desaceleração na zona do euro. Além disso, um cenário de recessão nos EUA aumentaria a aversão ao risco nos mercados globais, fazendo com que muitos investidores desfizessem suas aplicações nestes países.

Oriente Médio, África e América Latina

A pressão de uma nova recessão nos EUA para os países da África e do Oriente Médio, segundo a Fitch, vem de uma possível queda no preço do petróleo, além da oscilação no preço de outras commodities. Já na América Latina, a ameaça viria da queda no potencial de consumo dos EUA, grande comprador de produtos dos países latino-americanos, e da baixa no movimento de turistas norte-americanos.

*Texto atualizado às 16h25

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