Novo conflito? Quase 80 pessoas morrem em protestos no Irã; veja vídeo

Guardas Revolucionárias atacam região do Iraque que também é palco de manifestações contra governo iraniano; em Teerã, a internet e mídias sociais, entre elas o WhatsApp, foram bloqueadas
Protestos aconteceram também em Paris, com forte presença de forças de segurança (CHRISTOPHE ARCHAMBAULT/AFP via Getty Images/Getty Images)
Protestos aconteceram também em Paris, com forte presença de forças de segurança (CHRISTOPHE ARCHAMBAULT/AFP via Getty Images/Getty Images)
Carla Aranha
Carla AranhaPublicado em 27/09/2022 às 15:48.

No Irã, crescem os protestos contra a morte da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, iraniana de origem curda que foi presa pela polícia moral sob a acusação de não usar corretamente a hijab, véu que deve cobrir todo o cabelo e a cabeça das mulheres, e encontrada morta alguns dias depois. Pelo menos 76 pessoas perderam a vida em protestos no país desde a divulgação da morte de Amani. A jovem foi detida por policiais quando saía do metrô no dia 13. No dia 16, foi anunciado seu falecimento.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, disse que há uma “preocupação grande com a contínua violência das forças de segurança” no Irã. Shamdasani chamou a atenção para a importância do fim da repressão aos protestos, a liberação dos detidos nas manifestações e a volta do acesso à internet.

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Em diversos bairros de Teerã, o governo bloqueou a internet e mídias sociais como o WhatsApp e Instagram. Desde o início dos protestos, no dia 16, alguns vídeos e postagens nas redes sociais viralizaram. Em alguns deles, mulheres aparecem queimando seus véus em público. Outras decidiram cortar o cabelo. Houve casos também de mulheres que tiraram a hijab e enfrentaram policiais durante as manifestações.

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Os protestos não têm acontecido só no Irã. No vizinho Iraque, curdos têm saído às ruas na região semiautônoma do Curdistão iraquiano. Em Erbil, a capital, os manifestantes se concentraram em frente à sede da Nações Unidas. A família de Amini é de uma região na fronteira, bem próxima ao Curdistão iraquiano.

A tensão tem escalado nos últimos dias. Neste final de semana, o Irã bombardeou grupos de oposição curdos. O país vem responsabilizando a minoria curda pelos protestos. Grupos armados de origem curda de oposição ao Irã e à Turquia têm bases no norte e nordeste do Iraque, que abriga milhões de curdos. Os ataques, segundo a agência de notícias oficial do Irã, foram realizados pela Guarda Revolucionária Islâmica, braço armado do governo iraniano.

A comunidade iraniana em países como a França, Reino Unido, Itália e o Canadá também tem realizado protestos contra o governo. Em Paris, os manifestantes precisaram lidar com as forças de segurança francesas, fortemente armadas.

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