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A vitória de Javier Milei nas primárias argentinas deve ser vista com cautela: apesar de ele ter sido o mais votado, ainda possui alta rejeição e ainda está distante de conquistar a maioria do país. A análise é de Maurício Moura, professor da Universidade George Washington, que tem sede na capital dos Estados Unidos, e sócio do fundo Zafra, da Gauss Capital.

"Milei cresceu politicamente, mas ainda está muito distante de ser maioria no país. Não será trivial ele vencer. Ele representa um voto antissistema, mas há uma distância a colocá-lo como favorito. Há outras forças muito fortes na eleição e ele sofre com a rejeição à extrema-direita ", diz Moura, que pesquisa eleições há mais de duas décadas e também é doutor em economia e política do setor público pela FGV.

O partido de Milei, A Liberdade Avança, teve 30,04% dos votos nas primárias da eleição presidencial argentina, no domingo, 13. A coligação de centro-direita Juntos por el Cambio teve 28.27%, e a aliança governista e de esquerda Unión por la Patria somou 27,27%, segundo dados da apuração oficial, com 97,39% das urnas analisadas,

O analista avalia que há, atualmente, um sentimento global de rejeição a políticos de extrema-direita, caso de Milei. Entram nessa categoria candidatos que defendem ideias de direita, como a menor presença do Estado, mas fazem ataques ao sistema político e dão a entender que querem destruí-lo.

Moura aponta que candidatos com postura radical de direita tiveram maus resultados em eleições recentes na Espanha e em Portugal. Nos últimos anos, presidentes que adotavam essa linha, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, não conseguiram se reeleger.

Milei vive dilema

Atualmente deputado, Milei se define como "anarcocapitalista": defende que o capitalismo funcione sem regulação do Estado. Ele defende mudanças radicais na Argentina, como adotar o dólar como moeda oficial, acabar com o Banco Central e "passar a motoserra" no Estado, para cortar gastos. Também já falou em reforma tributária para reduzir impostos, facilitar o porte de armas e permitir a compra e venda de órgãos humanos.

"Milei vive um dilema: precisaria moderar seu discurso para atrair mais eleitores, mas se moderar, pode perder sua base", diz Moura.

O pesquisador avalia ainda que o governo poderá fazer pouca coisa nos próximos meses para tentar melhorar a economia, o que poderia favorecer Sergio Massa, o candidato oficial, pois os resultados dependem muito do cenário externo e das negociações com o FMI.

"Quando Mauricio Macri disputou a reeleição [em 2019], ele tentou artifícios de curto prazo na economia. Macri cresceu no período entre as primárias e a eleição geral, mas perdeu no final. É pouco tempo para se fazer alguma coisa", avalia.

"Claramente é uma eleição da oposição. Membros do governo tiveram resultados ruins", aponta Moura. "É mais uma eleição no mundo que favorece a oposição. É muito difícil governar em cenários polarizados."

Análise: Polarização e populistas ameaçam democracias em todos os continentes

Como funcionam as eleições argentinas

A Argentina tem um sistema de votação parecido com o do Brasil: há eleição presidencial direta e em dois turnos. O primeiro será em 22 de outubro. Caso nenhum candidato supere 45% dos votos, ou 40% com mais de 10% à frente do segundo colocado, os dois mais votados disputam a etapa final, em 19 de novembro.

A diferença é a realização de primárias, feitas no domingo, 13: os partidos se unem em coalizões e os eleitores escolhem qual será o candidato de cada grupo. Todos os eleitores podem votar, e não apenas aqueles filiados a partidos. O modelo foi pensado para reduzir o número de candidatos no primeiro turno, e serve também como termômetro real de como andam as intenções de voto dos argentinos.

A próxima pessoa eleita como presidente tomará posse em 10 de dezembro, para um mandato de quatro anos, até dezembro de 2027.

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