Guaidó apresenta plano contra crise na Venezuela que inclui transição

O plano destaca "dar abertura ao investimento privado nas empresas públicas" e solicitar financiamento em entidades internacionais

Caracas - O líder do parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente em exercício do país, apresentou nesta quinta-feira um plano com o qual espera superar a severa crise econômica, começando com um governo de transição.

Embora conte com o apoio de vários países que lhe reconhecem como presidente interino, o opositor foi claro ao ressaltar que a rota proposta pelo parlamento inclui afastar Nicolás Maduro como "usurpador" da presidência, sem que este primeiro ponto tenha se concretizado até agora.

Guaidó, no entanto, continuou nesta quinta-feira com seus atos de "governo" ao apresentar este "Plano País", que foi elaborado por especialistas econômicos e membros do Legislativo, um órgão de maioria opositora.

A estratégia pretende pôr o Estado venezuelano a serviço dos cidadãos, aos quais se deve "empoderar (...) a fim de liberar suas forças criativas e produtivas", e reinserir o país no concerto "de nações livres".

Para isto será necessário suspender os controles que, segundo opositores e analistas, fazem parte das causas dos males da economia venezuelana, "dar abertura ao investimento privado nas empresas públicas" e solicitar financiamento em entidades internacionais.

Este financiamento, segundo esclarece o texto que foi apresentado à opinião pública na Universidade Central da Venezuela em Caracas, deve ser "em massa" e contemplar uma "reestruturação profunda da dívida pública externa".

Guaidó assegurou ao apresentar o programa que o país precisa de "dinheiro fresco" para recuperar sua economia e voltar ao concerto de países livres, "o que significa contar com a vontade de muitos amigos e governos que possam investir também na Venezuela".

O plano tem um trecho especial com ideias para incentivar a recuperação da indústria petrolífera venezuelana, que enfrenta sua crise particular de dívida, investigações por corrupção e queda da produção.

O programa propõe ainda a aceitação de capital privado na indústria, embora esclareça que se deve "preservar a propriedade da nação sobre as jazidas de hidrocarbonetos".

Guaidó aproveitou a apresentação para enviar um "agradecimento especial" ao líder opositor preso Leopoldo López, que, "apesar de ter estado na prisão, sequestrado", escreveu "de punho e letra" parte do livro "Venezuela Energética", que também inspirou o "Plano País".

Os responsáveis por este plano levaram em conta que a dívida externa atual "equivale a cinco anos de exportações", que mais de um milhão de venezuelanos sofrem de desnutrição, que o país produz 54% menos petróleo que há 20 anos e que o salário mínimo mensal é suficiente para comprar apenas 600 calorias.

Para superar indicadores como estes, o parlamento propõe criar mecanismos de prestação de contas, estabilizar a economia, atender a emergência humanitária, melhorar os serviços públicos e gerar confiança e segurança jurídica.

Além disso, o Plano País considera que o dinheiro necessário virá do financiamento de organismos multilaterais, da reestruturação da dívida externa, da atração de investimentos locais e estrangeiros e da recuperação de capitais mal geridos.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.