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DUBAI, EMIRADOS ÁRABES UNIDOS - O Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, considera que incluir uma eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis é um "aspecto central" para o sucesso da Conferência do Clima da ONU, a COP28.

LEIA MAIS: Na COP28, o petróleo invadiu a cena e negociadores correm contra o tempo por um acordo

"A COP cobre muitos valores, mas um aspecto central na minha opinião para o sucesso da COP será que alcançar um acordo para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis em uma linha do tempo que esteja em linha com o limite de 1,5º", disse Guterres durante coletiva de imprensa na COP28 nesta segunda-feira, 11.

Isso não significa que todos os países precisem eliminar o uso de combustíveis fósseis ao mesmo tempo. "O princípio de responsabilidades compartilhadas se aplica", afirmou. "Mas significa que globalmente a eliminação progressiva precisa ser compatível com [os objetivos de ser] net zero em 2050 e limite de 1,5º de aumento de temperatura."

Segundo Guterres, os países precisam se comprometer para chegar a uma solução durante as negociações. "A descarbonização criará milhares de novos empregos, mas os governos precisam apoiar, treinar e garantir a proteção social para aqueles que possam ser negativamente impactados", disse. 

Ao mesmo tempo, alertou, as necessidades dos países em desenvolvimento altamente dependentes de combustíveis fósseis precisam estar na equação. "Mas é essencial que o Global Stocktake reconheça a necessidade de eliminar os combustíveis fósseis em uma linha do tempo compatível", afirmou.

Perdas econômicas

Como EXAME mostrou, a questão do petróleo se tornou o centro das atenções da COP28. Na prática, a negociação na COP28 é se o acordo final entre os quase 200 países incluirá -- ou não -- extinguir o uso de combustíveis fósseis até 2050 -- e em qual ritmo e com quais datas estipuladas para isso.

Um ponto que trava o debate é a potencial econômica de se fazer isso, especialmente para países em desenvolvimento. Um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) destaca as preocupações de 40 países altamente dependentes de combustíveis fósseis, cujas economias estão fortemente ligadas a esses recursos. Deles, 31 são de baixa ou média renda. 

"Em média, esses países geram 14,3% do PIB em rendas provenientes de combustíveis fósseis anualmente, respondem por mais de 60% das exportações e provavelmente mais de um terço da receita total do governo", diz o documento. "Sob um cenário ambicioso de descarbonização global, esse grupo de países pode perder mais de 60%, ou entre $12-14 trilhões (ajustados pelo valor presente), apenas em rendas de petróleo no período de 2023-2040 em comparação com um cenário de 'negócios como de costume'."

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