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Confusão e gritos: como foram os momentos após a colisão de trens que deixou 90 feridos na Argentina

Possível falha no sistema de sinalização elétrica é uma das hipóteses investigadas para determinar a causa do acidente; autoridades, porém, também consideram roubo de cabos

Perícias estão avaliando se o choque entre os trens tem relação com a falta de manutenção das instalações e das constantes vandalizações que as instalações ferroviárias sofrem devido ao roubo de cabos (AFP/Divulgação)

Perícias estão avaliando se o choque entre os trens tem relação com a falta de manutenção das instalações e das constantes vandalizações que as instalações ferroviárias sofrem devido ao roubo de cabos (AFP/Divulgação)

Agência o Globo
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Publicado em 11 de maio de 2024 às 13h54.

Última atualização em 11 de maio de 2024 às 15h04.

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Uma colisão de trens em Buenos Aires, na Argentina, deixou cerca de 90 feridos nesta sexta-feira, relataram as autoridades do serviço de emergência da cidade, o Same. O acidente ocorreu quando um trem urbano com passageiros colidiu com outro que, por razões ainda em investigação, estava parado no bairro de Palermo, na capital. Em questão de segundos, o som da passagem do trem transformou-se numa freada longa e metálica, que durou uma “eternidade” de 10 segundos. De repente, o que parecia ser um dia tranquilo tornou-se caótico: após o acidente, pessoas foram vistas machucadas, gritando e chorando.

Um esforço conjunto do Same mobilizou mais de 60 ambulâncias, seis motos e dois helicópteros que levaram os 55 feridos mais graves a 14 hospitais. Entre eles estava um dos maquinistas do trem, que sofreu um corte profundo na orelha e foi levado para o Tornú, onde recebeu alta horas depois. Atualmente, 17 pessoas permanecem sob observação nos hospitais de Buenos Aires.

Pouco depois do impacto, Martín (sobrenome não divulgado), o maquinista do trem de passageiros, entrou em contato com o centro de controle de Retiro para relatar o incidente e informar sua localização. “Controle, batemos aqui. Havia um trem”, disse. A voz soava entrecortada, chocada, sem entender o que estava acontecendo. Os áudios das primeiras comunicações após o impacto agora estão nas mãos do juiz federal Julián Ercolini e do promotor Carlos Rívolo. O mesmo vale para os resultados das perícias realizadas no local do incidente.

As primeiras versões, inclusive promovidas pelo sindicato La Fraternidad, falavam de um incidente decorrente da falta de manutenção das instalações e das constantes vandalizações que as instalações ferroviárias sofrem devido ao roubo de cabos, o que obrigaria a circular sem o sistema de semáforos, que é o principal mecanismo de segurança do sistema ferroviário.

“Novamente ocorre um acidente devido à falta de manutenção que compromete a segurança do sistema. O roubo de cabos que fornecem energia aos semáforos e sinais que organizam o tráfego ferroviário está se tornando cada vez mais frequente”, disse o sindicato.

Como aconteceu o socorro?

Nas primeiras imagens do incidente, viu-se pessoas saindo do trem, assistidas pelos médicos das ambulâncias que não paravam de chegar. Como a colisão ocorreu sobre a ponte metálica, o resgate era mais difícil. Era necessário subir o aterro, de mais de cinco metros de altura, que é muito íngreme, e por esse mesmo lugar, descer com os feridos, os mais graves, presos às macas, para evitar que caíssem durante o transporte. Havia pessoas chocadas e que se sentiam capazes de sair do trem por seus próprios meios, mas em um estado de confusão que não lhes permitia entender o que havia acontecido nem como voltar para casa.

“Foram 10 segundos de sacudida, um susto terrível. Quando percebi que estávamos em cima da ponte, fiquei com medo porque tudo estava se movendo. Pensei que íamos cair”, disse ao jornal La Nación Christian Maidena, de 32 anos, que meia hora após o choque ainda estava no local tentando entender o que havia acontecido.

Alguns segundos antes do impacto, quando os freios do trem já rangiam bruscamente, Estela Mercado, que viajava de Retiro para Hurlingham, teve uma reação instintiva que salvou sua neta de cinco anos de se ferir gravemente. Ela viu um jovem que estava em pé ao lado delas desequilibrar-se e bater a cabeça em um cano, caindo no chão.

“Foi horrível”, disse com os olhos marejados, enquanto sua neta brincava ao seu redor. “Ela queria se levantar do assento, ainda bem que não deixei. Assim que senti a freada brusca, a abracei forte”, afirma a mulher, ainda chocada, enquanto esperava por ajuda para voltar para casa.

“Chegamos cinco minutos após o aviso da colisão. Subimos na ponte ferroviária e atendi 25 pessoas com diversos traumas, nenhum grave. Pessoas assustadas”, disse um médico do Same. “Tinham traumas cranianos, nos membros superiores e inferiores, e alguns estavam em crise de pânico. Outros desceram do trem sem ajuda e bateram os joelhos nas pedras. Apenas traumas, nada de asfixia. Também havia vários passageiros com epistaxe (hemorragia) no nariz ou lábios feridos pelo impacto”, afirma o médico que reforça que no trem não havia vidros quebrados e que viajava um bebê de 10 meses que teve um trauma craniano, mas que está consciente.

A investigação continua

As autoridades judiciais terão que determinar por que o acidente ocorreu, qual dos mecanismos de segurança do sistema ferroviário falhou e se, de fato, ambas as maquinistas foram designadas para a mesma via.

Os peritos trabalharam durante a tarde para encontrar indícios de falha no sistema de sinalização, devido ao roubo de cabos e semáforos, se houve deficiências no sistema de modulação ou se o sistema de autorização, concedendo a via livre pelos controladores, foi a razão para o choque de dois trens que circulavam na mesma via, na mesma curva, quase ao mesmo tempo.

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