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Castillo enfrentará dificuldades no Congresso, avalia Oxford Economics

Há dúvidas sobre sua plataforma de governo. Investidores temem, por exemplo, mudanças no setor de mineração, no segundo maior produtor global de cobre

A Oxford Economics considera que o presidente eleito do Peru, Pedro Castillo, que toma posse nesta quarta-feira, 28, enfrentará dificuldades para aprovar projetos no fragmentado Congresso local, "o que significa que as propostas que os mercados mais temem não devem se tornar realidade". Em relatório a clientes, a consultoria adverte, porém, que caso ele não consiga ganhar a confiança dos consumidores isso pode representar um "estrago econômico severo".

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Castillo era um nome pouco conhecido na política nacional do Peru, mas venceu uma fragmentada disputa eleitoral no primeiro turno e se impôs por pequena margem sobre a rival à direita, Keiko Fujimori, no segundo turno. Agora, há dúvidas sobre sua plataforma de governo, com o gabinete ainda não apontado, mas investidores temem, por exemplo, mudanças no setor de mineração, no segundo maior produtor global de cobre.

Segundo a Oxford, caso a confiança do setor privado no país siga baixa no próximo ano, a moeda local, o sol, pode ficar em 4,50 soles por dólar, com a renda per capital levando mais um ano para se recuperar de seu nível pré-pandemia. "A dívida externa, por sua vez, avançaria à máxima em vinte anos, pressionando os balanços de famílias, empresas e do governo", adverte.

O Peru sofreu em 2020 sua pior recessão em décadas, com recuo de 11% do PIB, lembra a Oxford Economics. Problemas sanitários por resolver nas últimas duas décadas levaram "a um colapso do sistema de saúde", forçando o governo a impor um dos lockdowns mais severos do mundo, diz a consultoria. Como até 70% da economia peruana é informal, isso significou uma queda abrupta na renda de milhões de famílias. A Oxford diz que a pandemia exacerbou a desigualdade entre Lima, a capital que concentra quase a metade do PIB, e o restante do país.

Nesse quadro, Castillo emergiu como o primeiro candidato presidencial importante de fora de Lima em quase duas décadas, diz a Oxford. O partido dele, Peru Libre, tem uma agenda de esquerda radical que desagrada empresários, mas foi acolhida por eleitores que desejam mudanças em questões sociais, considera a consultoria.

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