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Após ameaça de Trump sobre Otan, líderes europeus buscam reforçar defesa

Trump, que é o favorito para concorrer à Presidência dos EUA novamente pelo partido Republicano, fez um comício no sábado, 10 na Carolina do Sul, onde afirmou que poderia encorajar a Rússia a "fazer o que quisesse"

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Donald Trump é o favorito para concorrer à Presidência dos EUA novamente pelo partido Republicano (Chip Somodevilla/AFP)

Donald Trump é o favorito para concorrer à Presidência dos EUA novamente pelo partido Republicano (Chip Somodevilla/AFP)

Líderes europeus membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) defenderam uma expansão da capacidade de defesa da aliança, com a Alemanha sugerindo uma produção de armas em larga escala pela Europa, em resposta às falas do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que sugeriu uma invasão russa aos países-membros que não cumprem a meta de gastos da aliança.

Trump, que é o favorito para concorrer à Presidência dos EUA novamente pelo partido Republicano, fez um comício no sábado, 10 na Carolina do Sul, onde afirmou que poderia encorajar a Rússia a "fazer o que quisesse" contra países aliados que são "delinquentes" e não cumprem com as regras de gastos de no mínimo 2% do Produto Interno Bruto (PIB) com defesa.

O republicano já havia sugerido antes que poderia desconsiderar o artigo 5º da aliança, que diz que o ataque contra um membro representa um ataque contra todos. Agora, foi mais longe ao dizer que poderia encorajar a Rússia a atacar um aliado.

Reações

"Qualquer sugestão de que os aliados não se defenderão mutuamente mina toda a nossa segurança, incluindo a dos EUA, e coloca os soldados norte-americanos e europeus em risco acrescido", respondeu no domingo, 11, o secretário-geral da Otan Jens Stoltenberg. "Espero que, independentemente de quem ganhe as eleições presidenciais, os EUA continuem a ser um país forte e empenhado como aliado da Otan".

O chanceler alemão, Olaf Scholz, cujo governo promoveu mudanças na política de segurança do país após a invasão russa à Ucrânia, chamou ontem as ameaças de irresponsáveis e defendeu uma produção de armamentos em larga escala pelos aliados. "Quem quer paz deve conseguir dissuadir eventuais agressores", afirmou.

A declaração foi feita durante uma visita à construção de uma nova unidade da fabricante de armas Rheinmetall em Untelüss, obra que Scholz disse enviar um sinal para os europeus.

A ministra espanhola da Defesa, Margarita Robles, disse que as falas de Trump são um aceno para o líder russo, Vladimir Putin, e pediu às empresas de defesa do país para que façam um esforço para criar empregos visando para que a Espanha alcance a meta de gastos da aliança até 2029.

Surpresa

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, que foi empossado em dezembro, prometeu ontem revitalizar as relações do seu país com outros países europeus, se distanciando do período nacionalista do governo anterior.

A retórica de Trump causou particular surpresa nos países periféricos da Otan, como é o caso da Polônia, historicamente vítima de agressões russas, onde a ansiedade é alta devido à guerra na vizinha Ucrânia.

A Otan tem como meta que cada um de seus membros invista 2% de seu PIB em defesa. A Polônia há muito tempo atende a esse porcentual, chegando a ultrapassar a meta depois da invasão russa da Ucrânia.

A Alemanha, com uma cultura de cautela militar após a Segunda Guerra Mundial, por muito tempo não atendia a esses 2% e frequentemente era alvo da ira de Trump durante seu mandato. No entanto, Berlim anunciou planos de aumentar seus gastos militares após a invasão e planeja atingir os 2% este ano.

As declarações de Tusk foram feitas durante visita ao francês Emmanuel Macron, que, por sua vez, defendeu que o programa de armamento da UE para a Ucrânia deve servir para reforçar a base industrial e de defesa da Europa. "Esse desenvolvimento na produção permitirá fazer da Europa uma base de defesa e segurança complementar à Otan, o pilar europeu da Aliança Atlântica", disse.

Seu chanceler, Stéphane Séjourné, foi mais longe ao defender ir além da Otan. "Precisamos de um segundo seguro de vida, não como substituto, não contra a Otan, e sim como complemento", disse o ministro francês. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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