Após a revolta política, movimentos sociais crescem no Egito

Diversos setores de trabalhadores aproveitaram a queda de Mubarak para fazerem manifestações a favor do aumento de salários

Cairo - Após a revolta política, os movimentos sociais passaram a se multiplicar no Egito, levando o exército, que detém o poder desde a queda do presidente Hosni Mubarak, a pedir nesta segunda-feira a interrupção de greves para que a recuperação econômica não seja prejudicada.

Greves e manifestações ocorreram nos setores de transporte, bancário, de petróleo, têxtil e até nas mídias oficiais e certos organismos governamentais. Os grevistas pedem aumento de salários e melhores condições de trabalho, segundo fontes sindicais e associativas.

O conselho supremo das Forças Armadas declarou em comunicado transmitido pela televisão estatal que "os honrosos egípcios viam os protestos atuais num momento delicado" podendo trazer "consequências negativas" para o país.

A Bolsa do Cairo, fechada há mais de duas semanas, informou que não retomaria por enquanto suas atividades, em razão das perturbações no setor bancário.

Aos pés da esfinge e das famosas pirâmides de Gizé, centenas de guias turísticos egípcios, em desemprego técnico por falta de clientes, organizaram um encontro para pedir a volta dos visitantes.

"Reviens, komm wieder, come back, vuelve!" (Voltem): diziam os guias nas principais línguas dos turistas para que eles voltassem a visitar o Egito.

No plano político, os internautas, que começaram a revolta que provocou a renúncia na sexta-feira passada do presidente egípcio Hosni Mubarak, encontraram-se com o exército para discutir reformas democráticas prometidas, após a dissolução do Parlamento e a suspensão da Constituição.

Segundo eles, os militares têm a intenção de propor emendas à Carta Magna do país nos próximos dez dias e submeter essas mudanças a um referendo em dois meses.

O conselho supremo das Forças Armadas informou no domingo que assumia "a direção dos assuntos do país provisoriamente por seis meses ou até o fim de eleições legislativas e presidenciais", mantendo assim, para a gestão dos assuntos em curso, o governo formado por Mubarak no dia 31 de janeiro.

"O exército afirmou que não pretendia governar o Egito e que o futuro do Egito reside em um poder civil", afirmaram dois ciberativistas; Wael Ghonim, jovem cientista de computação da gigante americana Google que virou ícone do levante, e o blogueiro Amr Salama.

A imprensa egípcia por sua vez continuou a publicar histórias sobre os últimos dias de Mubarak.

O ex-presidente foi apresentado como um homem imerso na confusão criada por um ministro do Interior que escondia a verdadeira dimensão das manifestações e por seu filho Gamal, suposto sucessor, que o pressionava a adotar uma atitude mais dura.

Nesta segunda-feira, os carros voltaram a circular pela Praça Tahrir, epicentro da revolta no Cairo. Apenas um pequeno grupo de militantes ainda estava mobilizado, cercado por um cordão de militares.

A praça, no entanto, continuava a mostrar imensos retratados dos "mártires" da revolta popular. Ao longo do levante, ao menos 300 pessoas foram mortas, segundo um balanço não confirmado da ONU.

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