Brindes Rock in Rio 2026: itens populares nos anos 2000 fazem sucesso entre o público do festival (Divulgação/Ilustração gerada por IA/Exame)
Redator
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 11h43.
Câmeras digitais, tamagotchis, CDs e looks inspirados nos anos 2000 estão entre os destaques do Rock in Rio 2026. A programação do festival, que acontece até domingo, 13, no Rio de Janeiro, também nos dá uma sensação de voltar no tempo: Black Eyed Peas, Nelly e Ne-Yo foram alguns dos nomes marcantes do primeiro fim de semana do evento.
Quem circula pela Cidade do Rock, que recebe cerca de 100 mil pessoas por dia, encontra muitos acessórios e referências que marcaram o início dos anos 2000. Em pontos tradicionais do festival, como o letreiro e a roda-gigante, lugares onde o público costuma posar para fotos, os celulares dão lugar às câmeras digitais no estilo cybershots.
A EXAME acompanhou o primeiro fim de semana do festival e conferiu de perto algumas curiosidades. Para ter a chance de ganhar brindes como minicâmeras digitais, pochetes e cordões de miçangas, por exemplo, o público enfrenta mais de duas horas na fila.
A estética 2000 não tomou conta apenas do festival, é um movimento mais amplo de consumo, especialmente entre a Geração Z.
Dados do varejo confirmam a escala da tendência. No último ano, a Shopee registrou alta de 82% nas buscas por câmeras digitais. Na sequência, apareceram as buscas por câmeras semiprofissionais, com alta de 44%, e por "câmera anos 2000", que avançaram 35%.
"Fui parada várias vezes no festival porque estou com a câmera aqui. As pessoas enlouquecidas para pegar um item. Gerou um desejo muito grande entre o público", conta Renata Lamarco, sócia e diretora de marketing do iFood.
Até o momento, a marca afirma ter distribuído mais de 23 mil câmeras digitais no evento — número que surpreendeu até a própria empresa.Além do iFood, a DHL, que também está distribuindo minicâmeras como brinde no Rock in Rio, enxergou na ação uma oportunidade de apresentar a marca para um público que não os conhece.
"É um momento de conexão entre gerações. O pai vai contar histórias de experiências e lembranças envolvendo a câmera digital, coisas que só quem viveu aquele período entende. É, inclusive, uma forma dessa geração que não viveu a Kodak se conectar com o que os pais viveram", diz Cinthia Katachinsky, head de marketing da DHL Express.
Na Coca-Cola, o raciocínio segue o mesmo caminho: a marca afirma ter resgatado o formato do CD, agora com um chip de NFC embutido, pensando justamente em gerações que não tiveram contato direto com o item.
“Basicamente, a ideia é conversar com a nostalgia, mas de forma repaginada. Decidimos voltar com o CD porque tem uma conexão muito grande com a música, que entendemos como uma linguagem que gera conexão com as pessoas”, explica Eduardo Rubinstein, diretor de cultura, parceria e entretenimento da Coca-Cola Brasil.
Mas por que um aparelho lançado décadas atrás voltou a fazer tanto sucesso? A resposta pode estar nos sentimentos que a nostalgia pode trazer.
Segundo a neurociência, a nostalgia ativa duas regiões diferentes do cérebro: uma responsável por resgatar lembranças importantes e outra que conecta essa memória à identidade atual. Essa conexão causa uma sensação reconfortante, já que o cérebro acaba liberando dopamina, o hormônio responsável pelo prazer.
Além disso, de acordo com uma pesquisa realizada pela Escola de Gestão da Universidade de Guangzhou, na China, pessoas mais jovens podem desenvolver a chamada nostalgia virtual: memórias e referências de períodos que podem ser construídas a partir do conteúdo consumido nas redes sociais.
Assim, mesmo sem experiências pessoais daquela época ou com determinado produto, a Geração Z passa a se interessar por elementos retrôs em busca de originalidade e diferenciação estética.
“Eu levo minha câmera para todos os festivais. Gosto de usar porque a qualidade da câmera do meu celular não é tão boa. Usando a câmera digital, sinto que as fotos ficam mais bonitas”, conta Nina, estudante de estatística de 21 anos. “Todas as fotos do meu feed [no Instagram] foram tiradas com ela”. Nina tem uma Kodak Zx1, lançada em 2009.
Essa nostalgia construída pelas redes também aparece em outro fenômeno recente: a volta da estética Y2K, abreviação de Year 2000 (ano 2000, em tradução), que recupera referências do início do milênio.
No TikTok, aplicativo que surgiu em 2015, as buscas por "acessórios Y2K" cresceram 60% nos últimos três meses, em comparação com o período anterior.Existe, ainda, outro fator por trás da volta das câmeras digitais: a própria relação da Geração Z com a tecnologia. Alguns levantamentos apontam que 3% da Geração Z afirmam sentir-se digitalmente exaustos, embora passem, em média, 7,2 horas por dia consumindo conteúdo online.
Em meio à presença cada vez maior da inteligência artificial e à crescente preocupação com a identidade digital, momentos espontâneos e menos produzidos também ganham valor.
É nesse contexto que as imagens dos anos 2000 parecem especialmente atraentes. Fotos tremidas, com flash estourado e enquadramentos imperfeitos remetem a uma época em que registrar um momento não significava necessariamente pensar em como ele seria publicado.
“Saímos do Instagram, onde tudo parece fake, onde as pessoas têm um custo altíssimo de produção, e vamos para o TikTok. Ali, a pessoa está fazendo alguma atividade e simplesmente liga o celular e começa a falar. Isso é verdadeiro, é o real. Esse é o momento de agora”, diz Paula Rios, fundadora da agência Vibez.
“A câmera digital é exatamente isso: a foto não vai ser perfeita, você não tem toda aquela tecnologia. E é exatamente isso que essa geração quer viver", finaliza.