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Como a IA deve revolucionar a oferta de serviços financeiros?

Integração da IA na gestão de recursos e de patrimônio representa uma oportunidade sem precedentes de alavancar tecnologias de ponta para alcançar seus objetivos financeiros

As tecnologias de IA, incluindo machine learning e processamento de linguagem natural, permitem que as instituições financeiras e empresas ofereçam uma experiência de cliente diferenciada. (Jackyenjoyphotography/Getty Images)

As tecnologias de IA, incluindo machine learning e processamento de linguagem natural, permitem que as instituições financeiras e empresas ofereçam uma experiência de cliente diferenciada. (Jackyenjoyphotography/Getty Images)

Felipe Nobre
Felipe Nobre

Colunista

Publicado em 26 de abril de 2024 às 14h00.

À medida que avançamos na era digital, a tecnologia, especialmente a IA (Inteligência Artificial) gerativa (GenAI), se torna um catalisador para transformações em todas as indústrias atuais. Não será diferente na forma na qual nos relacionamos, tanto com as nossas finanças, como com os profissionais responsáveis por gerir o capital de terceiros e a oferta de serviços financeiros em geral.

Tecnologias como a GenAI terão um impacto significativamente maior em indústrias que apresentaram menor penetração de tecnologia nas últimas décadas. Os mercados de gestão de recursos e patrimônio, por exemplo, serão definitivamente as áreas muito afetadas.

Para empresas do mercado financeiro que, historicamente, possuem modelos de negócio com pouca inovação e estruturas menos flexíveis, a onda de inovações impulsionada pela inteligência artificial criará novas possibilidades na forma de trabalho, modelos de negócio e interação com clientes.

Se adotadas de maneira eficiente, essas tecnologias levam a uma diminuição das despesas operacionais e, também, a diversas otimizações na experiência dos usuários e clientes - que passam a ter acesso a softwares mais sofisticados e personalizáveis, ao mesmo tempo em que os profissionais financeiros adquirem velocidade e escalabilidade via melhoria da análise de dados e velocidade operacional.

O princípio central da gestão patrimonial deveria ser o entendimento profundo das necessidades de cada indivíduo para construir estratégias que, de fato, reflitam seus propósitos e visões. O desenvolvimento de tecnologias como a GenAI abre portas para uma nova era da ultrapersonalização dos serviços oferecidos.

A capacidade de processar e analisar grandes volumes de dados significa que os modelos de IA podem identificar tendências, aprender com as preferências individuais e auxiliar na construção de estratégias de investimento que se alinham intimamente com as preferências, restrições, visões de mundo e as ambições de cada indivíduo. A IA generativa pode ser o caminho para estabelecermos, de fato, a priorização das particularidades e idiossincrasias de cada pessoa como princípio central da gestão de patrimônio.

A incorporação de tecnologias de IA (Inteligência Artificial) no mercado financeiro não é somente uma inovação passageira; é, também, uma transformação que redefine as fronteiras entre a eficiência operacional e a experiência personalizada dos indivíduos, culminando, também, em novos modelos de negócios ainda não explorados.

A capacidade de processamento e análise de dados com precisão e velocidade da IA ultrapassa as limitações humanas, prometendo uma era de serviços financeiros mais ágeis, precisos e adaptados às necessidades únicas de cada investidor.

Historicamente, o mercado financeiro enfrentou desafios significativos relacionados à complexidade dos mercados, à gestão de riscos e à personalização dos serviços. O principal denominador comum em muitos dos problemas enfrentados pelo setor foi a incapacidade de implementação em escala de tecnologia nos serviços e apresentar soluções que realmente resolvessem as dores dos indivíduos, de forma que a sofisticação e a experiência do cliente não chegassem ao nível que outras indústrias alcançaram.

A gestão patrimonial e a de recursos, por exemplo, são frequentemente criticadas por sua abordagem genérica e sem dinamismo. No entanto, com as evoluções tecnológicas, essas limitações estão sendo superadas, inaugurando uma nova fase de inovação e eficiência.

As tecnologias de IA, incluindo machine learning e processamento de linguagem natural, permitem que as instituições financeiras e empresas ofereçam uma experiência de cliente diferenciada, caracterizada por conselhos personalizados e soluções de investimento ajustadas às expectativas e objetivos individuais de cada cliente.

A IA pode analisar o comportamento do mercado em tempo real, identificar tendências e adaptar estratégias de investimento de acordo, garantindo que os portfólios dos clientes sejam otimizados para desempenho em qualquer cenário de mercado e objetivos pessoais.

Além da personalização, a IA oferece vantagens significativas em termos de eficiência operacional. As tarefas rotineiras e administrativas, que consumiam um tempo precioso e estavam sujeitas a erros humanos, podem agora ser automatizadas, liberando os profissionais de finanças para se concentrarem em atividades de maior valor, como o desenvolvimento de estratégias de investimento mais complexas e criativas, e a interação humana e profunda com os clientes.

Para os investidores e empreendedores, essa revolução significa melhores resultados financeiros e, também, uma relação mais isenta e confiável com seus gestores patrimoniais. A capacidade de receber recomendações personalizadas, baseadas na compreensão de suas preferências e objetivos de vida, é um diferencial que transforma completamente a experiência de investimento.

Além disso, a velocidade do processamento de informações permite que realocações sejam realizadas mais rapidamente, inclusive em cenários de mudanças abruptas, permitindo maior conhecimento e velocidade na tomada de decisões. As tecnologias IA também permitem a otimização do tempo pessoal, tanto dos clientes quanto dos profissionais financeiros, ao permitir cada vez maior automatização de processos operacionais.

No entanto, é fundamental reconhecer que a adoção bem-sucedida da IA no setor financeiro não está isenta de desafios. Questões relacionadas à segurança dos dados, à transparência dos algoritmos de IA e à necessidade de regulamentação clara são críticas e devem ser abordadas para garantir que a inovação tecnológica se alinhe com os valores éticos e compliance, assim como às expectativas dos clientes.

Em suma, a integração da IA na gestão de recursos e de patrimônio não é apenas uma tendência passageira; é um componente crítico da evolução do setor financeiro. Para investidores e empreendedores, representa uma oportunidade sem precedentes de alavancar tecnologias de ponta para alcançar seus objetivos financeiros com maior eficácia, eficiência e personalização.

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