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Saiba quando ainda vale a pena pagar com cheque

Nas últimas duas décadas, a utilização de talões recuou quase 80% no país, de acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos

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	Cheque: nas últimas duas décadas, a utilização de talões recuou quase 80%
 (Marcos Santos/USP Imagens)

Cheque: nas últimas duas décadas, a utilização de talões recuou quase 80% (Marcos Santos/USP Imagens)

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Mayara Baggio

Publicado em 25 de agosto de 2016, 16h30.

Em tempos de “internet banking” há quem acredite que o bom e velho talão de cheques esteja ultrapassado. Mas será mesmo? Na opinião da educadora financeira da Fharos Contabilidade & Gestão Empresarial, Dora Ramos, a opção ainda é a melhor para o consumidor na hora de negociar descontos.

Nas últimas duas décadas, a utilização de talões recuou quase 80% no país, de acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Em julho, as instituições financeiras compensaram 46.134.886 de cheques.

Para a educadora, os talões continuam sendo uma ótima opção para quem gosta de negociar descontos, pois os estabelecimentos pagam taxas altas para as administradoras quando fazem vendas e recebem via cartão, principalmente de crédito. “Ao aceitar cheques, conseguem baixar o preço e ainda têm uma boa margem de lucro”, detalha.

Segundo Dora, um dos fatores que limita o uso do cheque é a falta de praticidade. “É muito mais prático usar o cartão, em que você apenas digita a senha e, pronto, seu pagamento está finalizado. Com o cheque, você precisa assinar, conferir todas as informações e, às vezes, pode ter o trabalho de ir ao banco posteriormente, caso exista algum dado divergente”, diz a especialista.

Ainda assim, ela defende que o cheque é muito útil em determinados tipos de compra. “As folhas de cheque têm grande espaço, principalmente em cidades do interior e para pagamentos parcelados”, completa.

Para o lojista, um fator contra o cheque é o risco de falta de fundos, que não existe no caso dos cartões, pois os pagamentos são garantidos pelas administradoras.

Confira três dicas para fazer o melhor uso do bom e velho cheque, na visão da especialista:

1) Anote sempre no canhoto o valor, a data e para quem o cheque foi emitido. Procure também criar uma planilha para esse fim e evite se perder com as compensações dos documentos, recomenda Dora. Cruze o cheque também para o caso de roubo ou perda do documento, o que evita que ele seja sacado na boca do caixa.

2) Negocie. Quando o estabelecimento oferecer a opção, não deixe de pedir um desconto. Muito provavelmente, você vai conseguir melhorar o valor final da compra.

3) Procure deixar a data do cheque bem enfatizada no caso dos pré-datados. Como o cheque é uma ordem de pagamento à vista, nada impede o lojista de depositar o cheque antes, apesar de isso representar uma quebra de confiança com o cliente, o que normalmente é evitado pelos credores.

Mas erros acontecem e, por isso, se possível, faça uma anotação no pedido ou nota de compra, reforçando que o documento seja depositado impreterivelmente no dia indicado.

Não é raro que o cheque seja compensado dias e até semanas antes ou depois da data correta. Isso acaba prejudicando o planejamento financeiro e pode até causar buracos no orçamento.