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O fenômeno dos “superfuncionários”: pessoas entregando por três após adotar IA

O avanço de ferramentas de IA permite automatizar tarefas, ampliar a produção e assumir atividades fora da especialidade original do profissional

O fenômeno dos “superfuncionários”: pessoas entregando por três após adotar IA  (Imagem gerada por IA)

O fenômeno dos “superfuncionários”: pessoas entregando por três após adotar IA (Imagem gerada por IA)

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 16h05.

Última atualização em 30 de setembro de 2026 às 16h21.

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Imagine um profissional que precisa preparar uma apresentação, analisar dados, escrever um relatório e revisar documentos. Em vez de executar cada etapa manualmente, ele utiliza ferramentas de inteligência artificial para acelerar parte dessas tarefas e concentrar seu tempo nas decisões mais importantes.

Esse perfil ganhou um nome no debate sobre o futuro do trabalho: “superworker” ou superfuncionário. O conceito foi popularizado pelo analista Josh Bersin para descrever profissionais que usam IA para ampliar produtividade, criatividade e capacidade de execução.

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O que é um "superfuncionário"?

O termo não significa necessariamente que uma pessoa esteja fazendo literalmente o trabalho de três funcionários. A ideia é que a IA amplie a capacidade individual, permitindo executar mais tarefas no mesmo período.

Um profissional de marketing, por exemplo, pode usar IA para pesquisar informações, organizar dados, criar versões iniciais de textos e analisar campanhas. Um analista financeiro pode utilizar ferramentas para estruturar planilhas, resumir documentos e identificar padrões.

Segundo Bersin, a transformação ocorre quando a tecnologia deixa de ser usada apenas para automatizar tarefas isoladas e passa a reorganizar a forma como o trabalho é realizado.

Como a IA muda a rotina

Na prática, a inteligência artificial pode assumir parte de atividades que consomem tempo, como produção e revisão de textos, análise de informações, criação de apresentações, programação, pesquisa e organização de documentos.

O ganho, portanto, não está somente em fazer uma atividade mais rápido. A tecnologia também pode permitir que o profissional assuma tarefas novas, que antes seriam deixadas de lado por falta de tempo.

Um levantamento interno da Anthropic com 132 engenheiros e pesquisadores mostrou esse comportamento. Os funcionários disseram usar Claude em cerca de 59% do trabalho e relataram, em média, ganho de produtividade de 50%. A pesquisa também identificou que 27% do trabalho realizado com auxílio da ferramenta não teria sido feito sem ela.

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IA pode fazer uma pessoa produzir três vezes mais?

A relação entre IA e produtividade não pode ser resumida a uma multiplicação fixa. Não existe uma regra de que um funcionário com IA equivale a três pessoas.

Os resultados variam conforme a profissão, a tarefa, o nível de conhecimento do usuário e a ferramenta utilizada.

Em outra análise, a Anthropic examinou 100 mil conversas reais com Claude e estimou que as tarefas realizadas com auxílio da IA poderiam levar, em média, cerca de 90 minutos sem a ferramenta. A empresa estimou uma redução de aproximadamente 80% no tempo de execução dessas tarefas.

A própria pesquisa ressalta limitações. O cálculo não considera integralmente o tempo gasto pelo profissional para verificar informações, corrigir respostas ou validar resultados produzidos pela IA. Por isso, o ganho estimado não deve ser interpretado como aumento automático de produtividade em qualquer profissão.

O profissional também precisa mudar

O fenômeno dos superfuncionários envolve mais do que aprender a escrever bons prompts. O trabalhador precisa identificar quais partes de uma atividade podem ser delegadas à IA e quais dependem de conhecimento, contexto e julgamento humano.

Na Anthropic, por exemplo, os engenheiros relataram que passaram a trabalhar em áreas fora de sua especialidade original. A empresa também observou aumento da complexidade das tarefas executadas pelo Claude Code e redução da quantidade de intervenções humanas necessárias em determinadas atividades.

Isso cria uma mudança importante: o profissional passa a atuar menos como executor de cada etapa e mais como responsável por orientar, revisar e integrar o trabalho produzido com IA.

O que diferencia quem consegue ampliar produtividade

O uso da ferramenta, sozinho, não garante o mesmo resultado para todos. Conhecimento sobre a própria atividade, capacidade de formular instruções claras, domínio das ferramentas disponíveis e habilidade para verificar informações influenciam o resultado obtido.

Também é necessário saber identificar quais tarefas são adequadas para automação e quais exigem participação humana. Uma resposta produzida rapidamente pela IA ainda precisa ser conferida quando envolve informações relevantes para uma decisão profissional.

Uma pesquisa da Gallup publicada em 2026 mostra que 65% dos funcionários de organizações que implementaram IA dizem que a tecnologia teve efeito positivo sobre sua produtividade e eficiência. Ao mesmo tempo, apenas 14% afirmam que a IA transformou fortemente a forma como o trabalho é realizado na organização.

Os dados indicam que, para muitos profissionais, a inteligência artificial ainda funciona principalmente como um reforço dentro do fluxo de trabalho existente, e não como uma substituição completa desse processo.

O efeito sobre as carreiras

A ascensão dos “superfuncionários” também altera as habilidades valorizadas pelas empresas. Se parte da execução pode ser acelerada por IA, ganham importância atividades como análise, tomada de decisão, comunicação, conhecimento de negócio e capacidade de supervisionar sistemas.

O conceito defendido por Bersin acompanha justamente essa mudança: em vez de pensar apenas em automatizar empregos, empresas podem redesenhar funções para combinar profissionais e sistemas de IA.

Para o trabalhador, isso significa que aprender a utilizar IA pode envolver mais do que conhecer uma ferramenta específica. O desafio passa a ser entender onde a tecnologia gera ganho real, como verificar seus resultados e como incorporá-la às atividades que já fazem parte da profissão.

Os estudos disponíveis mostram ganhos relevantes de produtividade, mas também indicam que “fazer o trabalho de três” é uma metáfora, e não uma medida universal. O impacto da inteligência artificial depende da tarefa, do profissional e da maneira como a tecnologia é incorporada à rotina.

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