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IA faz profissões perderem espaço no Brasil; veja os cargos mais afetados desde 2020 (Imagem gerada por IA)
Jornalista
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 11h53.
Um levantamento recente mostra que 81 das 500 principais profissões do setor privado brasileiro perderam trabalhadores entre fevereiro de 2020 e junho de 2026. O estudo foi realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a pedido do Estadão, e analisou ocupações que concentram mais de 90% dos empregos privados com carteira assinada.
Entre os cargos que mais diminuíram estão supervisor administrativo, gerente administrativo, gerente de loja e supermercado, supervisor de vendas comercial e gerente de vendas. A redução está associada a um conjunto de fatores, entre eles digitalização, centralização de serviços, terceirização, softwares de gestão e inteligência artificial.
Para quem trabalha, entender como a inteligência artificial está mudando as tarefas e as competências exigidas pode ajudar a acompanhar as transformações do mercado.Segundo o levantamento da CNC, o cargo de supervisor administrativo registrou a maior redução, com 142,9 mil postos a menos entre 2020 e 2026. Na sequência aparecem gerente administrativo, gerente de loja e supermercado, supervisor de vendas comercial e gerente de vendas.
| Profissão | Redução de trabalhadores |
|---|---|
| Supervisor administrativo | 142,9 mil |
| Gerente administrativo | 93,9 mil |
| Gerente de loja e supermercado | 85,1 mil |
| Supervisor de vendas comercial | 68,9 mil |
| Gerente de vendas | 46,8 mil |
No varejo, o número de trabalhadores em cargos de gerência de lojas e supermercados caiu 32% no período. Entre comerciantes varejistas, a redução foi de 23,3%. O avanço das vendas digitais e a redução de lojas físicas aparecem entre os fatores relacionados à mudança.
O telemarketing também aparece entre os segmentos afetados. O estoque de supervisores de telemarketing e atendimento caiu 41,1% em seis anos. Segundo o levantamento, ferramentas automatizadas, como chatbots e assistentes de IA, passaram a executar parte das tarefas mais simples.
Os dados não permitem atribuir toda a redução diretamente à inteligência artificial. O próprio levantamento da CNC aponta que digitalização e mudanças econômicas também tiveram papel relevante.
O caso dos motoristas de ônibus ajuda a ilustrar a diferença. A ocupação perdeu 21,6 mil postos no período, mas o estudo relaciona parte da queda ao trabalho remoto e às mudanças nos hábitos de mobilidade. Já a redução entre cabeleireiros e confeiteiros é associada principalmente ao avanço da informalidade.
Essa distinção também aparece em pesquisas internacionais. Um estudo de 2025 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) analisou quase 30 mil tarefas para estimar a exposição das ocupações à IA generativa. A entidade concluiu que transformação do trabalho, e não substituição completa, tende a ser o principal efeito da tecnologia.
No Brasil, uma análise da Fundação Getulio Vargas (FGV) baseada na Pnad Contínua encontrou quase 30 milhões de trabalhadores em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025. Cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição.
Aprender a usar IA pode significar entender quais tarefas da profissão podem ser automatizadas e quais competências passam a ganhar importância.
O impacto da IA não ocorre necessariamente pela eliminação de uma profissão inteira. Em muitos casos, a tecnologia automatiza partes específicas do trabalho, alterando a composição das atividades realizadas por uma pessoa.
Um profissional de atendimento, por exemplo, pode deixar de executar tarefas simples de triagem enquanto passa a lidar com casos mais complexos. Em áreas administrativas, sistemas de IA podem produzir relatórios, organizar informações e automatizar rotinas que antes consumiam parte da jornada.
O Ministério do Trabalho e Emprego também passou a desenvolver um projeto para analisar os impactos da IA e da automação sobre as ocupações da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A iniciativa utiliza dados da CBO e inteligência artificial para identificar atividades mais suscetíveis a transformações tecnológicas e apoiar políticas de qualificação profissional.
Para o trabalhador, a mudança pode aparecer antes na composição das tarefas do que no desaparecimento formal do cargo. Por isso, acompanhar quais atividades estão sendo automatizadas e quais novas habilidades são demandadas se torna parte relevante da adaptação profissional.
No cenário brasileiro, os dados disponíveis apontam para um mercado em transformação, no qual algumas ocupações estão encolhendo enquanto outras incorporam novas ferramentas e responsabilidades. A inteligência artificial é um dos elementos desse processo, mas os estudos mostram que seus efeitos precisam ser analisados junto com digitalização, mudanças no consumo, organização das empresas e outras transformações econômicas.