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Como as entrevistas de emprego estão sendo reinventadas para driblar o uso de IA

Empresas reformulam testes e entrevistas para descobrir o que o candidato sabe fazer quando ferramentas de inteligência artificial estão disponíveis

Empresas reformulam entrevistas para avaliar raciocínio, tomada de decisão e uso responsável de IA

Empresas reformulam entrevistas para avaliar raciocínio, tomada de decisão e uso responsável de IA

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 06h00.

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Uma prova técnica feita em casa pode dizer menos sobre um candidato hoje do que dizia alguns anos atrás.

Com ferramentas capazes de escrever códigos, analisar informações e produzir respostas em segundos, ficou mais difícil para empresas saberem quanto do resultado apresentado pertence à pessoa que está sendo avaliada.

A mudança já chegou aos processos seletivos. Algumas companhias passaram a aumentar o número de etapas ao vivo ou presenciais. Outras estão seguindo caminho diferente: permitem o uso de IA e observam como o candidato trabalha com ela.

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O teste também precisa mudar

A Anthropic é um exemplo de empresa que precisou revisar sua própria avaliação. Desde 2024, mais de mil candidatos fizeram um teste técnico para vagas de engenharia de performance.

Conforme novas versões do Claude começaram a resolver o desafio com facilidade, a empresa criou novas versões da prova para recuperar a capacidade de diferenciar os candidatos.

A situação mostra um problema que vai além de descobrir se alguém usou IA escondido. Se uma ferramenta consegue resolver uma questão com mais eficiência do que os próprios candidatos, a questão deixa de ser uma boa medida da habilidade que a empresa pretendia avaliar.

Por isso, algumas empresas passaram a aproximar os exercícios da rotina profissional.

A IA pode entrar na entrevista

A DoorDash, por exemplo, substituiu parte das entrevistas tradicionais de programação por uma sessão de trabalho de 60 minutos na qual os candidatos podem usar ferramentas de IA.

Durante o exercício, eles compartilham a tela e explicam o que estão fazendo, enquanto os avaliadores observam como entendem um problema, testam respostas, corrigem erros e tomam decisões.

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A lógica muda. Em vez de tentar descobrir se a pessoa consegue programar sem nenhuma ajuda, a empresa procura observar se ela consegue trabalhar bem com a ajuda disponível.

Outras empresas estão fazendo movimentos semelhantes fora da área de tecnologia.

Segundo reportagem do Irish Times, consultorias e companhias de setores como marketing, pesquisa e direito começaram a incluir exercícios nos quais candidatos precisam mostrar como usam IA para analisar informações, melhorar uma resposta ou resolver uma situação profissional.

E quando a empresa não quer IA?

Há processos em que a intenção continua sendo avaliar o raciocínio individual. Nesses casos, entrevistas ao vivo ganham importância.

A Anthropic, por exemplo, informa aos candidatos que o uso de IA não é permitido durante entrevistas ao vivo, a menos que a empresa indique o contrário. A justificativa é observar como a pessoa pensa e resolve problemas em tempo real.

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Isso cria dois modelos que devem conviver: processos que proíbem a IA para medir conhecimentos individuais e processos que permitem a tecnologia para avaliar a capacidade de usá-la profissionalmente.

Para quem está procurando emprego, a preparação também muda. Decorar respostas pode ajudar menos quando o entrevistador consegue pedir uma explicação, alterar o problema no meio da conversa ou perguntar por que determinada decisão foi tomada.

Saber usar IA passa a ser uma competência possível de avaliação, mas entender o próprio trabalho continua sendo necessário para sustentar a conversa.

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