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O fator Advent por trás da troca de comando na Natura

Gestora acaba de assumir dois assentos no conselho; volta de Alessandro Carlucci ocorre em meio à pressão por execução e recuperação das margens

Natura - Nasp 

Foto: Leandro Fonseca
data: 30/07/2023 (Leandro Fonseca/Exame)
Natura - Nasp Foto: Leandro Fonseca data: 30/07/2023 (Leandro Fonseca/Exame)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 14:47.

Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 16:04.

A troca de comando anunciada pela Natura nesta segunda-feira, 31, coloca Alessandro Carlucci novamente na cadeira de CEO mais de uma década depois de sua primeira passagem pelo posto. A mudança encerra os dez anos de João Paulo Ferreira no comando e acontece três dias depois de a Advent International, nova acionista de referência da companhia, ocupar formalmente seus dois assentos no conselho de administração.

A proximidade das datas ajuda a mostrar como mudou o centro de poder da Natura nos últimos meses. A Advent começou a montar uma participação na companhia neste ano, chegou a uma exposição de 8% em julho e, na sexta-feira, 28, colocou no conselho Juan Pablo Zucchini e Rafael Patury Carneiro Leão, ambos managing partners da gestora. Com isso, passou a ter participação direta no órgão responsável pelas principais decisões estratégicas da empresa.

Dedo da gestora

A troca de Ferreira por Carlucci acontece justamente quando a Advent International deixa de ser apenas uma acionista relevante para passar a ter influência formal sobre a governança da Natura — e em um momento em que o mercado cobra uma nova etapa no turnaround da Natura.

É nesse novo equilíbrio de forças que Carlucci volta ao comando. A leitura no mercado é de que a Natura entrou numa fase em que o problema deixou de ser principalmente de desenho estratégico e passou a ser de execução. Por princípio, a Advent adota como estratégia auxiliar a operação das suas investidas — e não chegar mudando tudo, ao contrário de outros private equitys. A própria Natura fez questão de dizer que as diretrizes estratégicas permanecem as mesmas, apesar do novo CEO.

Carlucci é um nome conhecido dentro de casa. Passou 25 anos na Natura e foi CEO entre 2005 e 2014, período em que a companhia acelerou sua expansão internacional, entrou em México e Colômbia, alcançou 1 milhão de consultoras e comprou 65% da Aesop. Mais recentemente, voltou ao grupo como senior advisor da Avon, entrou no conselho e assumiu a presidência do colegiado. Agora, deixa o conselho para voltar à operação em 1º de outubro. Fábio Barbosa, que deixou o conselho em março deste ano, retorna à presidência do colegiado. 

A pressão por execução aumentou porque os números da Natura seguem irregulares. No segundo trimestre, a receita consolidada caiu 10%, para R$ 5,2 bilhões, enquanto a receita no Brasil recuou 14,8%. Parte da fraqueza veio de indisponibilidade de produtos após integração de sistemas e de um descasamento tributário temporário, além do ambiente de consumo mais fraco.

O EBITDA contábil foi de R$ 620 milhões, com margem de 12%, mas a deterioração da rentabilidade no primeiro semestre levou a empresa a reduzir sua ambição para 2026. Antes, a meta era superar a margem EBITDA recorrente de 14,1% registrada em 2025; agora, a referência passou a ser superar a margem EBITDA contábil de 10% do ano passado.

O problema herdado

A Natura passou por uma longa simplificação depois da expansão que transformou a companhia em Natura &Co. Vendeu Aesop, The Body Shop e Avon International, reorganizou a estrutura de capital e voltou a concentrar a operação na América Latina. 

Além das mudanças no conselho, o mercado espera que a gestora tenha influência sobre decisões de gestão, canais de venda e busca por eficiência. A volta de Carlucci ao cargo de CEO é a mudança mais relevante na administração desde que o fundo se tornou acionista da Natura.

A régua é alta. As projeções do BTG (mesmo grupo controlador da EXAME) apontam para lucro líquido de R$ 1,18 bilhão em 2026, ante R$ 417 milhões em 2025, e avanço da margem EBITDA de 10,7% para 13,9%.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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