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Com Pátria e conversão de dívidas, Infracommerce quer captar até R$ 400 milhões

Alavancada, empresa de serviços para ecommerce lança aguardado follow-on

Infracommerce: conversão da dívida de M&As por meio da oferta de ações (Facebook/Reprodução)
Infracommerce: conversão da dívida de M&As por meio da oferta de ações (Facebook/Reprodução)

11 de dezembro de 2023 às 15:44

A Infracommerce acaba de anunciar um aguardado follow-on para reduzir sua alavancagem, que pode captar entre R$ 300 milhões a R$ 400 milhões, a valores de tela.

É um valor relevante: com uma queda de 88% desde o IPO em 2021, a companhia hoje é avaliada a R$ 640 milhões na Bolsa.

Já sinalizada em setembro deste ano, a oferta já está praticamente toda garantida no seu valor de base. A maior parte – R$ 188 milhões – vem da conversão de dívidas da companhia em ações: a empresa, que provê serviços de tecnologia para o ecommerce, vai adiantar pagamentos de dívidas referentes a aquisições feitas nos últimos anos, com a condição de que os recursos sejam usados na oferta.

A maior parte nessa tranche, de R$ 86 milhões, será convertida por acionistas da NewRetail, uma companhia da qual a Infracommerce detém os ativos na América Latina.

O Pátria está colocando dinheiro novo e se comprometeu a subscrever R$ 60 milhões, caso o preço por ação fique entre R$ 1,60 e R$ 1,70 na oferta. Hoje, o papel está cotado a R$ 1,61. A gestora já tinha uma exposição na empresa por ter adquirido a Igah Ventures, que foi uma das early investors da companhia.

Já a gestora Compass – uma das maiores acionistas da empresa de capital pulverizado, com 7,5% das ações – vai entrar com R$ 21 milhões, se a oferta sair até a R$ 2 por papel, para não ser diluída. A Infracommerce disse conseguiu o compromisso de outros acionistas para subscreverem mais R$ 22 milhões com esse mesmo limiar.

O processo de formação de preço será concluído na próxima quinta-feira. A empresa vai colocar no mercado 187,5 milhões de ações, todas primárias – ou seja, os recursos vão para o caixa da companhia.

A Infracommerce é uma das companhias da tecnologia que vieram na leva de IPOs de 2021, mas desabaram em sequência, na esteira da virada de mão dos juros. A principal questão é seu endividamento: a alavancagem está em três vezes o seu EBITDA. Ao fim do terceiro trimestre, a dívida líquida somada às obrigações de M&A chegava a R$ 608,3 milhões, quase 50% mais do que no fim de 2022.

Em setembro, o mercado já tinha sido comunicado do plano da empresa de fazer a oferta e desde então o papel caiu quase 15% sob o risco de grande diluição – que deve pode chegar a mais de 40%. A empresa disse hoje, em seu fato relevante, que não vai adotar procedimentos de estabilização do preço da ação.

Numa mecanismo para aumentar ao atratividade da transação, a operação vem acompanhada de uma bônus de subscrição, no qual a cada três ações na oferta dão direito a subscrição outra ação mais à frente. Sem grandes surpresas, a ação hoje negocia com queda de 2%.

A oferta é coordenada por Itaú BBA, num sindicato formado também por Santander, UBS BB, BTG Pactual e ABC Brasil.

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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