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Após SoftBank e General Atlantic, Runway atrai Monashees para acelerar operação no Brasil

Startup de IA generativa avaliada em US$ 5,3 bilhões aposta no país para expandir sua plataforma de criação de vídeos com inteligência artificial

Fundadores da Runway: Cristóbal Valenzuela, Alejandro Matamala Ortiz e Anastasis Germanidis (Runway/Divulgação)
Fundadores da Runway: Cristóbal Valenzuela, Alejandro Matamala Ortiz e Anastasis Germanidis (Runway/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 27 de julho de 2026 às 08:05.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 12:29.

A Runway, plataforma de pesquisa e tecnologia especializada em inteligência artificial generativa para criação de conteúdo audiovisual, recebeu investimento da Monashees, uma das mais tradicionais e influentes gestoras de venture capital da América Latina, para acelerar a operação no Brasil. Trata-se de uma participação minoritária. O valor do aporte não foi divulgado.

Avaliada em cerca de US$ 5,3 bilhões, a Runway é uma das startups mais valiosas da inteligência artificial generativa do mercado. Ela já atraiu investidores como SoftBank, Nvidia e General Atlantic.

O aporte da Monashees faz parte do plano de expansão internacional da Runway. Nos últimos meses, a empresa, fundada em Nova York em 2018, inaugurou um hub de pesquisa e engenharia em Paris, abriu sua sede para a Europa em Londres e expandiu sua presença na Ásia com um novo escritório em Tóquio. Juntos, esses movimentos representam aproximadamente US$ 300 milhões em investimentos globais.

Vez do Brasil

O Brasil já desponta como um dos mercados mais relevantes para a inteligência artificial generativa. Segundo levantamento da Cisco em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país ocupa a segunda posição global em uso ativo dessas ferramentas, com 51% dos entrevistados, atrás apenas da Índia.

O avanço também se reflete no ambiente corporativo. De acordo com a pesquisa TIC Empresas 2025, a adoção de IA pelas empresas brasileiras subiu de 13% em 2024 para 17% em 2025. Entre as grandes companhias, o percentual avançou de 38% para 50%. "O que mais nos chama a atenção é o interesse dos brasileiros em adotar novas tecnologias e entender como elas estão sendo implementadas", diz Alejandro Matamala, fundador da Runway, ao EXAME Insight.  "É um dos mercados que mais cresce no uso de inteligência artificial, tanto por consumidores quanto por empresas. Precisamos estar presentes no país".

O lançamento da Runway no Brasil será tímido. Na terça-feira, 28, a companhia vai promover em São Paulo um encontro com criadores de conteúdo, executivos de marketing e agências para apresentar as ferramentas, aproximar a companhia de usuários brasileiros e discutir como ampliar o uso de IA em processos criativos. "Este é o primeiro de uma série de eventos que vamos fazer no Brasil, mas antes vamos conhecer a comunidade, contar o que estamos fazendo e conversar com empresas de vários setores, como varejo, publicidade e comércio eletrônico", diz Matamala.

A Runway também pretende trazer ao Brasil o AI Film Festival (AIFF), festival de cinema organizado pela empresa para premiar produções criadas com inteligência artificial na plataforma. A abertura de um escritório no país, porém, ainda não está nos planos.

Hoje, a startup soma mais de 50 milhões de usuários no mundo e é utilizada por mais de 90% das empresas da Fortune 100, grupo formado pelas maiores empresas dos Estados Unidos em receita total. 

Monashees entra no jogo

A entrada da Monashees traz à Runway, mais do que o cheque, uma comunidade de empreendedores que orbitam o mercado que a companhia potencialmente pode acessar. O fundo mantém investimentos em algumas das principais empresas de tecnologia do país, como 99, Rappi, Neon, Loft, MadeiraMaderia, Nomad, Flash, Addi, Clara, Vambe, Slope, Ualá, NG Cash e Moises. "Eles possuem uma comunidade muito forte de empreendedores focados em inteligência artificial", diz Matamala. "A parceria foi motivada por essa conexão de empreendedores latino-americanos na região, no Vale do Silício e em outros mercados globais".

Capital nunca foi um problema para a Runway. Pouco após ser fundada, em 2018, a startup levantou uma rodada seed liderada pela Amplify Partners. Em 2023, recebeu cerca de US$ 141 milhões em uma Série C que atraiu investidores como Google, Nvidia e Salesforce.

Dois anos depois, a General Atlantic liderou a Série D, com participação de SoftBank, Nvidia, Fidelity Management & Research e Baillie Gifford.

No início deste ano, a gestora voltou a comandar uma rodada, desta vez a Série E. Também participaram Nvidia, Adobe, AMD Ventures, Fidelity, AllianceBernstein, Mirae Asset, Premji Invest e Felicis.

Os recursos captados serão destinados ao treinamento de uma nova geração de modelos de IA capazes de compreender e simular ambientes físicos, considerados a próxima evolução da inteligência artificial generativa.

Questionado sobre quem sairá na frente na disputa entre as gigantes da IA, Matamala demonstra confiança. "É uma tarefa difícil, que exige muitos recursos, mas acreditamos que lideramos essa categoria", afirma. Segundo ele, o diferencial da Runway está no foco em profissionais criativos. "Construímos um produto pensado para esse público. Essa é a nossa principal vantagem competitiva."

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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