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Receita com ataques de ransomware caiu 40% em 2022, aponta levantamento

Lucros de hackers com prática, uma espécie de sequestro virtual, recuaram para o menor nível em três anos

Número de ataques de ransomware por parte de hackers segue alto (Issaro Prakalung / EyeEm/Getty Images)

Número de ataques de ransomware por parte de hackers segue alto (Issaro Prakalung / EyeEm/Getty Images)

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João Pedro Malar

Publicado em 22 de janeiro de 2023, 10h00.

Um levantamento da empresa de inteligência de mercado Chainalysis aponta que a receita de hackers que praticam os ataques de ransomware na internet caiu 40,3% em 2022 na comparação com 2021. No ano, eles conseguiram obter US$ 456 milhões com os ataques, o menor valor em três anos.

Para a empresa, o número foi um "sinal positivo" apesar do crescimento desse tipo de golpe nos últimos anos. Em 2021, por exemplo, a receita dos criminosos que realizam esse tipo de ataque chegou a US$ 765,6 milhões. O estudo pontua, porém, que uma queda na receita não significa que a quantidade de casos diminuiu.

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Na verdade, a Chainalysis afirma que o recuo está ligado a uma "crescente relutância das vítimas em pagar os pedidos de resgate, e não a uma queda no número real de ataques". No ransomware, os dados pessoais ou a máquina de uma pessoa são bloequados e liberados apenas após o pagamento de um "resgate".

Diretor de pesquisa da empresa, Kim Grauer avalia que "essa relutância pode ser atribuída a vários fatores, desde a utilização mais ampla de soluções como backup e recuperação, que mitigam o impacto dos ataques, até o medo de entrar em conflito com as regulamentações governamentais que proíbem pagamentos a grupos potencialmente afiliados a nações e entidades sancionadas, mesmo em caso de ransomware".

O estudo aponta ainda que os hackers passaram a utilizar mais as criptomoedas para lavar as receitas obtidas com esses golpes. Em 2021, 39,3% das receitas eram destinadas às principais exchanges do mercado, enquanto que, em 2022, o número chegou a 48,3%. O volume destinado a corretoras de alto risco caiu de 10,9% para 6,7%.

Outra prática que ganhou espaço em 2022 foi o uso dos chamados mixers, serviços que combinam criptomoedas de diferentes usuários para evitar o rastreamento de origens e proprietários. Ao todo, 15% da receita obtida no ano passou por essa operação, contra 11,6% em 2021.

O levantamento também identificou uma alta no número de modalidades de ransomware em operação. “A rotatividade constante entre os principais tipos de ransomware e o surgimento de novas modalidades sugere que esse universo está lotado, com um grande número de organizações criminosas competindo entre si, além da chegada constante de novos players", diz Grauer.

Para ele, "embora muitas variedades estivessem ativas ao longo do ano, o número real de indivíduos que compõem o ecossistema de ransomware provavelmente é muito pequeno. Ao rastrear carteiras associadas a criminosos conhecidos, conseguimos mapear a evolução da indústria de ransomware".

Os dados mostram que "o principal grupo de agentes mal-intencionados é altamente concentrado. Apesar dos esforços desses invasores, a transparência do blockchain permite que os investigadores identifiquem suas tentativas de rebranding virtual assim que elas acontecem".

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