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Como as stablecoins podem ser a ponte entre a economia tradicional e o DeFi?

Stablecoins ganham espaço ao unir estabilidade e eficiência do blockchain, mas ainda enfrentam desafios regulatórios e de transparência

 (iStockphoto/iStockphoto)

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Publicado em 19 de abril de 2026 às 10h00.

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Por Ricardo Dantas*

E se o banco deixasse de ser necessário? A resposta já existe e movimenta trilhões. Pois, imagine que você quer aproveitar as vantagens do mundo financeiro digital, juros mais altos, transações rápidas, acesso global, mas sem abrir mão da estabilidade do dinheiro que você já conhece. É exatamente aí que entram as stablecoins.

Elas são, em essência, criptomoedas que não sobem e não apresentam quedas tão bruscas e imprevisíveis como o bitcoin. Seu valor é ancorado a algum ativo estável, geralmente o dólar americano. Quem acompanhou o mercado de criptomoedas nos últimos anos sabe que a volatilidade é um dos maiores obstáculos para a adoção em massa. A solução foi criar uma categoria de ativos digitais que preservasse o que há de bom nas criptomoedas, com descentralização, velocidade e acessibilidade, mas sem o problema da instabilidade de preços. As stablecoins nasceram desse raciocínio.

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As mais conhecidas hoje são a USDT, a USDC e a DAI. Juntas, movimentam trilhões de dólares por ano e estão no coração de praticamente toda a infraestrutura DeFi. DeFi é a sigla para finanças descentralizadas em inglês. A ideia é simples: oferecer serviços financeiros, empréstimos, investimentos, câmbio, poupança, tudo isso sem bancos, sem intermediários, sem burocracia. Tudo o que o sistema financeiro tradicional sempre prometeu e raramente entregou.

Tudo funciona por meio de contratos inteligentes, que são programas rodando em redes blockchain. Stablecoins são a ponte entre o sistema financeiro tradicional e o DeFi, resolvendo o problema da volatilidade das criptomoedas ao manter valor estável (geralmente atrelado ao dólar). Elas permitem guardar valor digitalmente, acessar rendimentos superiores aos bancários, fazer transferências internacionais rápidas e baratas, e democratizar o acesso a mercados globais, inclusive para quem não tem conta em banco.

Existem três modelos principais: as lastreadas em moeda fiduciária (como USDT e USDC), lastreadas em criptoativos (como DAI) e algorítmicas, sendo este último o mais arriscado, como demonstrou o colapso da UST/Terra em 2022.

Apesar das vantagens, os riscos são reais, como a falta de transparência das emissoras centralizadas, incerteza regulatória e vulnerabilidades técnicas nos protocolos DeFi exigem cautela por parte dos usuários. A discussão sobre stablecoins foi além dos círculos cripto. Bancos centrais passaram a estudar suas próprias versões digitais, as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês).

O Brasil tem o Drex em desenvolvimento. A União Europeia avança com o euro digital. Nesse sentido, as stablecoins privadas podem ser vistas como um laboratório vivo, estão testando na prática o que funcionaria em uma versão oficial do dinheiro digital.

Para finalizar, mais do que isso, elas estão criando hábitos. Quem começa a usar USDC para receber pagamentos internacionais, ou USDT para acessar rendimentos no DeFi, já está experimentando uma nova relação com o dinheiro, ainda mais direta, mais autônoma, sem intermediários. A questão já não é se isso vai mudar o sistema financeiro e sim quando você vai fazer parte dessa mudança.

*Ricardo Dantas é CEO da Foxbit.

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