A aposta do Omni&Co para dobrar de tamanho antes do IPO
Grupo reorganizou o portfólio, prepara novas linhas de crédito e quer atrair um fundo estrangeiro antes de levar a companhia ao mercado de capitais


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 07:00.
Última atualização em 3 de agosto de 2026 às 12:00.
Dentro do Omni&Co, instituição financeira que atua com crédito, financiamento de veículos, empréstimos e seguros, ainda não se fala em IPO. A primeira missão é dobrar de tamanho antes de ir ao mercado.
Atualmente, a companhia possui R$ 7 bilhões em carteira de crédito, com expectativa de chegar a R$ 10 bilhões no fim do ano. Ir à Bolsa é, sim, um desejo do empresário Érico Ferreira, controlador do Omni&Co com 97% das ações do grupo. Mas ele não acredita que a empresa, fundada em 1994, tem tamanho para isso — ainda que o mercado discorde. São muitos os bancos que batem à porta do Omni&Co com ofertas de dinheiro fácil.
Primeiro passo
Desde que assumiu o comando do Omni&Co, há três anos, o CEO Heverton Peixoto iniciou uma ampla reestruturação do grupo com o objetivo de enxugar a operação e concentrar capital nos negócios considerados estratégicos. Na avaliação do executivo, a companhia havia diversificado demais sua atuação e precisava simplificar o portfólio para ganhar eficiência e rentabilidade.
Como parte desse movimento, o grupo vendeu a operação de cartões co-branded para a DM Card, integrou a unidade de pagamentos de frete à Ticket Log, encerrou a frente de crédito para empresas de médio porte e descontinuou a operação de cartões com marca própria. Também reduziu a atuação do banco digital e encerrou a Trigg, fintech criada para competir com o Nubank.
Ao todo, os desinvestimentos e o fechamento dessas operações reduziram a carteira de crédito do grupo em cerca de R$ 1,8 bilhão, liberando capital para acelerar o crescimento das frentes consideradas prioritárias.
Segundo passo
A obsessão de Peixoto é chegar a R$ 20 bilhões em carteira de crédito até 2030 — e de forma muito mais leve.
O modelo de negócios do Omni&Co é baseado na concessão de crédito para pessoas físicas, com foco em segmentos como financiamento de veículos, empréstimos consignados e crédito com garantia. A instituição obtém receitas por meio dos juros cobrados nessas operações e da venda de produtos financeiros, como seguros. Mas não só.
Os bancos Pan e BV também se especializaram nesse tipo de operação — e fazem isso em maior volume. Onde o Omni&Co ganha o jogo é na tomada dos bens dos clientes em caso de inadimplência, em processo que pode levar meses e que envolve etapas como notificação do devedor, ação judicial, localização do veículo e eventual leilão. Com desenvolvimento de equipes, processos e uma rede de parceiros especializados na recuperação de ativos, o Omni&Co se especializou nessa etapa do negócio.
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Como a taxa de inadimplência no Omni&Co é de cerca de 12%, quase o dobro da média do mercado, que é de 6,5%, é preciso ser implacável. Quem atrasar as parcelas, perde o veículo. Mesmo. Os bancos Pan e BV, por exemplo, atuam numa faixa de clientes mais adimplentes (classes C+ e B). Já o foco do Omni&Co é na pessoa sem acesso a crédito (C,D e E), como profissionais autônomos.
Mas isso é apenas parte do negócio. No início de julho deste ano, o Omni&Co lançou a i9 Auto, nova operação para concorrer no segmento de veículos usados "premium" — justamente a faixa dominada pelos bancos Pan e BV. Até aqui, o resultado superou as expectativas. A i9 Auto bateu 200% da meta estabelecida para este início de operação, com mais de 3 mil pedidos de crédito no primeiro mês. A ideia não é ganhar da concorrência, mas empatar o jogo nas classes C+ e B.
Há ainda uma terceira vertical sendo desenvolvida. O grupo vai entrar no segmento de car equity, modalidade de crédito em que o cliente utiliza um veículo próprio como garantia para obter um empréstimo. A expectativa é lançar essa nova operação no segundo semestre de 2027.
O impacto da nova operação sobre os resultados do Omni&Co deve ser limitado no curto prazo. A companhia projeta adicionar cerca de R$ 3 bilhões à carteira de crédito até 2030 com essa vertical. O principal vetor de crescimento, porém, é a i9 Auto. A expectativa é que a operação contribua sozinha com um incremento de R$ 10 bilhões na carteira no mesmo período.
Com isso, a empresa aposta em atingir um patamar considerado estratégico para viabilizar uma futura abertura de capital, ao somar os atuais R$ 10 bilhões em carteira ao crescimento projetado.
Terceiro passo
Meta batida, o Omni&Co vai ao mercado. Mas não ao IPO. Antes disso, o grupo quer atrair um fundo de investimento estrangeiro, preferencialmente um de impacto, voltado a empresas que combinam retorno financeiro e impacto social. A companhia se apega ao storytelling: promover acesso a crédito a quem não tem. Com o discurso, a expectativa é atrair capital internacional com foco em ESG.
Assim, o Omni&Co vai começar a dar saída da operação ao empresário Érico Ferreira, mas aos poucos. Primeiro, com a venda de uma fatia minoritária de até 25%.
"O que eu enxergo pela frente é que teremos essa discussão (abertura de capital) em breve, mas com o grupo em outro patamar", diz Peixoto.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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