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Sobre fazer diferente

Estava pronta para responder a qualquer questionamento feito pela diretoria, mas não à pergunta do meu filho de nove anos, escreve Paula Bellizia, presidente da EBANX. Para a Exame Plural

Paula Bellizia, do EBANX: O sentimento de culpa estava batendo na porta, mas eu tinha que fazer diferente (Rafael Dabul/Divulgação)

Paula Bellizia, do EBANX: O sentimento de culpa estava batendo na porta, mas eu tinha que fazer diferente (Rafael Dabul/Divulgação)

EXAME Plural
EXAME Plural

Plataforma feminina

Publicado em 15 de março de 2024 às 12h48.

Meu filho sempre foi curioso, o tipo de criança que buscava explicação para tudo.

– Por que chove?

– Por que o céu é azul?

– Por que você nunca está em casa quando eu preciso de você?

Eu tinha ficado até mais tarde na empresa onde trabalhava, me preparando para apresentar os resultados financeiros. Estava pronta para responder a qualquer questionamento feito pela diretoria, mas não à pergunta de um menino de nove anos. Ele estava de braços cruzados, olhando para mim enquanto eu abria a porta de casa. Ali, sentada no chão da sala, eu tive o one-on-one mais difícil da minha vida. Eram dois caminhos: dar uma resposta que alimentasse ainda mais a culpa que eu estava sentindo ou aproveitar o momento para fazer diferente. Eu fiz diferente.

Se tem algo que eu aprendi nos meus 30 anos de carreira é que em determinados momentos a gente precisa inverter a lógica, inovar, fazer diferente. Não é escolha. É sobrevivência. Segundo o mais recente Relatório Global sobre Disparidade de Gênero do Fórum Econômico Mundial, a participação feminina em posições de liderança, que vinha crescendo timidamente – 1% ao ano –, caiu em 2023 para os níveis de 2021. No mundo, apenas três em cada dez líderes são mulheres. É muito pouco – e seguir fazendo as mesmas coisas não vai mudar esse cenário.

No EBANX, inclusão e representatividade nunca foram vistos exclusivamente como metas sociais. Por aqui, é questão de negócios também. É simples: uma empresa só consegue pensar como a sociedade pensa se a sociedade estiver representada na empresa. Em seu último estudo sobre o impacto da diversidade nos negócios, a McKinsey mostrou por A + B que quem aposta nessa estratégia tem melhores resultados financeiros. Isso vale para a diversidade étnica. Isso vale para a igualdade de gêneros. Não tem desculpa. O poder de decisão de compra é das mulheres e, no Brasil, há mais lares chefiados por elas do que por eles.

É simples, mas não é fácil. Embora o EBANX tenha nascido com a diversidade em seu DNA, a gente se desafia todos os dias para seguir fazendo diferente – e melhor. Não somos uma empresa de capital aberto, mas publicamos desde 2022 nosso relatório anual de ESG. Na última edição, apresentamos iniciativas internas de empoderamento, como mentorias exclusivas e círculos de conversas para mulheres; programas de estágio em tecnologia para mulheres, pessoas negras e estudantes de escolas públicas; e o projeto Códigos do Amanhã, que oferece bolsas de formação em Web Dev para jovens em situação de vulnerabilidade social. No EBANX, 40% dos líderes são mulheres; são dez pontos percentuais acima da média mundial. No meu time, a proporção é ainda maior: metade dos diretores é diretora – com A.

Toda vez que contrato uma mulher, lembro de quando escolhi inverter a lógica da carreira que eu estava construindo até ali, e me juntei ao EBANX dois anos atrás. Até então, eu liderava empresas globais que miravam o Brasil. Havia chegado a hora de fazer diferente: estar à frente de uma companhia brasileira que mira o mundo. Mira e acerta. Atualmente, operamos em 29 países, o que nos dá a oportunidade de exercer da porta pra fora aquilo que é nossa marca da porta pra dentro: diversidade. Segundo o Banco Mundial, plataformas de pagamentos como o EBANX têm sido um fator-chave para reduzir a diferença na inclusão financeira entre homens e mulheres. Cada dia mais vejo que pagamentos não são só sobre transações – são também sobre acesso.

Inovações lideradas pelas mulheres do EBANX rodam pelas Américas, passam pela Europa, chegaram à África, alcançam a Ásia e a Oceania, e foram parar no Business 20, ou B20, fórum empresarial cujo objetivo é propor políticas públicas para o G20, grupo que reúne as principais economias do mundo. Eu tive a honra de ser convidada para liderar a força-tarefa Mulheres, Diversidade e Inclusão em Negócios. Mal começamos os trabalhos e eu já encontrei mulheres notáveis do mundo todo. Da China, conheci uma empreendedora de muito sucesso que fundou uma empresa global de e-commmerce. Da Índia, uma bioquímica que chefiou um laboratório de vacinas. Aqui no Brasil, convidei Rachel Maia, uma das lideranças mais respeitadas do país, para me ajudar na condução do grupo. Juntas, temos a missão de influenciar o desenvolvimento de políticas públicas, mostrando que a nossa agenda é prioritária sempre, sem exceção. Queremos usar tudo aquilo que nos trouxe até aqui para pavimentar o caminho de quem está chegando. Não é escolha, é sobrevivência. Nossa sobrevivência.

Esse instinto de hoje é o mesmo que percorreu meu corpo quando eu estava sentada no chão da sala ao lado do meu filho. O sentimento de culpa estava batendo na porta – e já fazia um bom tempo. Mas eu tinha que fazer diferente.

- É porque eu amo o que eu faço! Vou ser uma mãe melhor pra você se eu estiver feliz. E eu sou feliz no meu trabalho.

A resposta foi libertadora. Em vez de me culpar, eu abri meu coração.

Ele sorriu e me abraçou. Ele me entendeu.

* Paula Bellizia é presidente da EBANX.

A EXAME Plural é uma plataforma que reforça a cobertura de diversidade, com olhar mais profundo para mulheres. Neste mês de março, que marca mundialmente a luta por direitos femininos, mais de vinte lideranças femininas no ambiente corporativo, no empreendedorismo e na filantropia aceitaram compartilhar em suas vozes, histórias, visões, questionamentos, respostas, desafios e oportunidades percebidas ao longo de suas próprias jornadas. 

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