ESG

Como a Engie se uniu a professores para melhorar a saúde mental na infância

Ação com ONG Gaia Mais capacitou professores em atividades socioemocionais em comunidades próximas a suas fábricas, o que melhorou o clima escolar e a autoestima dos jovens

Valorização: 18.000 alunos da rede pública e privada se beneficiaram da capacitação de 150 professores (Gaia Mais/Divulgação)

Valorização: 18.000 alunos da rede pública e privada se beneficiaram da capacitação de 150 professores (Gaia Mais/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 16 de abril de 2024 às 13h49.

A companhia de soluções energéticas Engie tem atuado com professores para melhorar a autoestima, inteligência emocional e perspectiva de alunos em comunidades com pouca ou nenhuma assistência psicológica.

De acordo com Luciana Nabarrete, diretora de pessoas, processos e sustentabilidade na companhia, a Engie realiza diálogos com a comunidade ao redor dos seus polos para entender como apoiar a região, melhorar seus serviços e onde pode alocar investimentos. Desde a pandemia, um mesmo tópico sempre vinha à tona: a saúde mental de crianças e adolescentes.

Segundo relatos de pais e professores, a falta de perspectiva do futuro durante a crise mundial de saúde gerou uma mudança no comportamento dos jovens, o que impactou diretamente no seu desempenho escolar. Nas salas de aula, especialmente em comunidades menores, os professores acabavam agindo pelo emocional dos alunos e ajudaram a reportar sintomas de depressão, ansiedade e casos de violência e automutilação — que se tornaram mais comuns ao longo da pandemia. “Quando os professores começaram a pedir ajuda para a Engie, soubemos que precisávamos fazer algo”, conta Nabarrete.

A empresa firmou uma parceria com a Gaia Mais, ONG focada em ações de educação, para promover capacitação para professores em 19 municípios onde suas fábricas estão localizadas. A metodologia utilizada foi a SEE Learning, sigla para Social, Emotional, Ethical Learning (aprendizado social, emocional e ético, em inglês), que foca no autocuidado, percepção e regulação.

Dessa forma, ao fornecer treinamentos para os docentes, a empresa conseguiu melhorar a situação nas salas de aula e impactar diretamente a saúde mental dos alunos. “As técnicas, que incluem até mesmo meditação e métodos de relaxamento, têm mostrado resultados efetivos”, conta a diretora. O bem-estar dos alunos apresentou melhoria de 6,7 pontos para 8,4, assim como a atenção (6,7 para 8,0) e a motivação (7,0 para 8,4). A taxa apresentada de frustração reduziu de 3,6 para 2,1, seguido pelo estresse, de 3,8 para 2,3.

Os mais de 150 educadores que passaram pelo programa de capacitação já impactaram diretamente 18.000 alunos nos ensinos fundamental 1 e 2 de escolas públicas e privadas. Os resultados avaliados ainda apontam que além de ajudar com as próprias emoções, a capacitação guiou os professores por um convívio melhor com os alunos e no ensino mais próximo e humanizado: 91% dos professores capacitados acreditam que o curso ajudou a lidarem melhor com as próprias emoções. Mais de 90% afirmam ver uma melhora no clima escolar e na sua relação com os alunos.

O programa também direcionou atenção para professores indígenas a partir de uma parceria com a Voltalia, companhia do setor de energias renováveis. Para Nabarrete, a capacitação dos 40 professores veio após notar as fraquezas no ensino desse grupo.

“A comunidade indígena tem menos visibilidade, oportunidades e preparo para enfrentar problemas de saúde mental em massa”, conta Nabarrete. A parceria focou no combate ao bullying nas salas de aula e em técnicas de inteligência emocional em comunidades próximas às instalações da Voltalia.

Os treinamentos são realizados de forma online em encontros intervalados para que, segundo a diretora, os professores tenham tempo de assimilar as informações e aplicar as técnicas em seu cotidiano. A duração do curso é por volta de 12h. A empresa busca repetir as ações ao longo de 2024 com a chance de expansão para outros dos 250 municípios onde a Engie está presente no Brasil.

Parcerias do bem

Desde 2011, a Engie constrói Centros de Cultura e Sustentabilidade próximos a regiões onde atua. O objetivo desses espaços é entreter crianças e jovens no contraturno das aulas com atividades como música, danças, línguas e iniciação digital de forma gratuita. "É a chance de expandir os horizontes e perspectivas em comunidades menores. As atividades não só abrem novas portas para esses jovens, mas também tiram eles das ruas e da inércia. Pais já relataram para nós que os filhos eram introvertidos e tímidos, mas que com as aulas as crianças passaram a 'desabrochar'", explica Luciana. Os locais também oferecem atividades e aulas para a população idosa.

Os Centros de Cultura contam com auditórios e salas de apresentação e são construídos em cidades de até 100 mil habitantes. Hoje, já foram feitos seis desses investimentos no Brasil e outros quatro estão em construção. De acordo com Nabarrete, a função social dos Centros vai muito além das aulas. "Se a gente não cuidar dessa criança na infância e adolescência, a vida adulta dela também estará comprometida. Agir desde cedo diminui a violência e criminalidade da região, porque mostra outras possibilidades de vida para essas famílias", aponta.

A construção e manutenção desses espaços é financiada pela Engie, mas também recebe apoio financeiro e material de empresas parceiras, como Portobello, Malwee, Voltalia e Renault. Só em 2023, esses parceiros investiram mais de R$ 3 milhões nos projetos criados pela Engie.

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