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Como a Braskem pretende colocar o plástico no radar de designers e criativos

Com novo laboratório, gratuito para clientes, empresa espera criar soluções circulares de embalagens usando matérias-primas que ela fornece. Objetivo é repensar todo o processo, da refinaria ao cliente

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Top shot of pattern made out of recycled garbage cuch as bottle caps metal can cap, toothbrush container, pills package, paper, plastic fork... on green background. (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

Top shot of pattern made out of recycled garbage cuch as bottle caps metal can cap, toothbrush container, pills package, paper, plastic fork... on green background. (Andriy Onufriyenko/Getty Images)

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Rodrigo Caetano

Publicado em 24 de agosto de 2022 às, 11h37.

O plástico é reciclável, portanto, para resolver o problema do descarte, basta recolher o material usado em embalagens, copos, canudinhos etc., e reinserir na cadeia de produção. Se fosse assim tão fácil, já estaria feito. A realidade é que há tantos obstáculos no caminho de uma cadeia circular para o plástico que a solução parece cada vez mais distante. A começar pelo fato de que as embalagens atuais não foram pensadas para a reciclagem.

“Precisamos repensar o design das embalagens”, afirma Yuri Tomina, executivo da petroquímica Braskem que está à frente do projeto Cazoolo, hub de inovação para embalagens inaugurado pela companhia este mês. O objetivo do projeto, diz Tomina, é incentivar o desenvolvimento de soluções circulares a partir do plástico, que considerem todo o ciclo de vida do produto. “Tentamos fazer isso com as universidades, mas descobrimos que não existem laboratórios nos moldes que precisávamos.”

Instalado em um antigo galpão industrial na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, o Cazoolo oferece uma série de impressoras 3D, desde as mais simples e conhecidas, que utilizam filamentos polímeros, até tecnologias avançadas, como um modelo que constrói as formas a partir de lâminas de plástico, permitindo um acabamento mais “fino”. O uso do laboratório é gratuito para os clientes da Braskem e para startups. A estrutura foi pensada para ir da ideia ao protótipo em três dias, e há a possibilidade de realizar dinâmicas com usuários finais para validar as hipóteses.

Por que é difícil reciclar

Plásticos são polímeros feitos a partir do refino do petróleo. O processo começa com a extração da nafta, subproduto do combustível fóssil praticamente idêntico à gasolina. A partir dela, é feita uma nova separação na cadeia de carbono para se obter os diferentes tipos de plástico: PET, ABS, polipropileno, polietileno, entre outros -- a Braskem trabalha, principalmente, como os dois últimos. Todos são recicláveis, exceto quando são misturados.

É aí que mora o problema. Para se obter propriedades como maleabilidade, dureza, resistência etc., muitas vezes, designers e engenheiros recorrem a combinações de polímeros. Um exemplo são as embalagens de alimentos maleáveis, produzidas a partir de uma mistura de polipropileno e PET. “Até dá para reciclar, mas acaba não tendo valor comercial pois se perdem as propriedades”, explica Tomina. Misturas de diferentes matérias-primas também são um problema, como no caso das embalagens longa-vida de leite, que utilizam plástico, alumínio e papelão.

Design para a economia circular

A solução é repensar o design das embalagens levando em consideração a reinserção dos materiais. Soluções monomaterial são as mais indicadas, porém, a depender das propriedades desejadas, podem ser inviáveis. Daí parte-se para uma ideia mais holística, que considere no design a expectativa de uso e de descarte, possibilitando a criação de uma logística reversa a partir do consumidor. Não é um conceito novo, apenas pouco utilizado. “A Tetra Pak fez isso com as embalagens longa-vida”, diz Tomina. Criadora desse tipo de embalagem, a empresa sueca atua junto à cadeia de reciclagem comprando de volta as embalagens, o que gera valor comercial ao material e incentiva o recolhimento do material.

O programa Cazoolo, que é anterior à construção do laboratório, já produziu algumas embalagens sustentáveis. Ele ajudou no desenvolvimento das tampinhas usadas pela Ambev na água engarrafada AME, produto que direciona o lucro a projetos sociais. A Mãe Terra, marca de produtos orgânicos que pertence à Unilever, desenvolveu junto à Braskem uma embalagem maleável monomaterial, para substituir as feitas de polipropileno e pet – a inciativa que partiu da fabricante de embalagens Antilhas. “O mercado precisa entender a cadeia do plástico. Só vamos criar uma economia realmente circular se designers, engenheiros e profissionais do marketing estiverem na mesma página”, afirma Tomina. A sala para a reunião a Braskem fornece.

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