ESG

Após caso Carrefour, grandes empresas exigem normas mais rígidas a PMEs

Em carta elaborada há um mês, 14 companhias pedem integridade na cadeia produtiva. Entre elas, estão Magalu, Siemens, Microsoft e Braskem

Na carta, as companhias afirmam que o compromisso com a ética e a integridade já faz parte do cotidiano da maioria das grandes empresas no Brasil (hometowncd/Getty Images)

Na carta, as companhias afirmam que o compromisso com a ética e a integridade já faz parte do cotidiano da maioria das grandes empresas no Brasil (hometowncd/Getty Images)

RC

Rodrigo Caetano

Publicado em 24 de novembro de 2020 às 17h57.

Última atualização em 24 de novembro de 2020 às 19h44.

Um grupo de 14 CEOs de grandes companhias divulga nesta quarta-feira, 25, um compromisso pela integridade na cadeia produtiva. A iniciativa, capitaneada pela Câmara de Comércio Internacional no Brasil (ICC Brasil), visa ajudar pequenos e médios negócios a aumentar o nível de governança, para atingir padrões de grandes corporações. A carta foi elaborada há cerca de 30 dias. 

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Na carta, as companhias afirmam que o compromisso com a ética e a integridade já faz parte do cotidiano da maioria das grandes empresas no Brasil, “principalmente por estas terem recursos suficientes para entender que agir com integridade é uma decisão racional que beneficia os negócios.” 

Entretanto, pequenos e médios negócios, segue a carta, têm dificuldades para “implementar políticas de promoção da integridade e carecem, muitas vezes, de incentivos diretos para fazer o que é certo, do jeito certo”. As empresas signatárias do compromisso reconhecem que é responsabilidade delas cobrar dos integrantes de suas cadeias produtivas os mesmos padrões exigidos de seus funcionários diretos. 

“As empresas erraram no passado. A Siemens, particularmente, errou. O que não podemos é cometer os mesmos erros”, afirmou à EXAME André Clark, diretor-geral da Siemens Energy Brasil. Para Clark, a pandemia acelerou a demanda por padrões mais rígidos de comportamento e responsabilidade por parte das empresas, o que se reflete na onda ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês) que desabou sobre o mercado financeiro neste ano. 

O caso da morte de João Alberto Silveira Freitas, espancado por seguranças do Carrefour, também evidencia a necessidade de levar padrões mais elevados de conduta e integridade para toda a cadeia produtiva das grandes empresas. 

Essa nova dinâmica é impulsionada pela transição energética e pela pauta climática. “A pandemia evidenciou que a humanidade pode acabar”, diz Clark. “Por isso a necessidade de uma agenda ESG.” Em relação aos movimentos políticos contrários a essa agenda, Clark prefere uma abordagem de maior amplitude. “Na Siemens, atuamos com grandes projetos de infraestrutura, que precisam ser pensados para daqui a 20 anos”, afirma. “O processo atual começou na Eco 92. Há altos e baixos, sem dúvida, mas as decisões já estão tomadas faz tempo.”   

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Leia a carta na íntegra: 

Nos últimos anos, o Brasil enfrentou altos e baixos nos esforços de combate à corrupção no país. Não há dúvidas de que avanços positivos foram feitos, tanto do lado público quanto do privado, mas há desafios que persistem ao tempo e que merecem atenção especial e comprometimento dedicado das empresas.

O compromisso com a ética e a integridade já faz, há algum tempo, parte do cotidiano da maioria das grandes empresas no Brasil, principalmente por estas terem recursos suficientes para entender que agir com integridade é uma decisão racional que beneficia os negócios e a sustentabilidade empresarial no curto, médio e longo prazo.

Os pequenos e médios negócios, no entanto, possuem naturalmente maiores dificuldades na implementação de políticas de promoção da integridade e carecem, muitas vezes, de incentivos diretos para fazer o que é certo, do jeito certo. As grandes empresas, por sua vez, que têm muitos destes pequenos e médios negócios como fornecedores e prestadores de serviços, reconhecem que seus programas de compliance em muitos casos não alcançam, na prática, a extensão de suas cadeias. E se não chegam nas pontas, não conseguem ser efetivos.

Ciente disso, o setor empresarial brasileiro, representado pelos líderes de diversas empresas dos setores industrial, agrícola e de serviços, vem hoje reafirmar seu compromisso público com a agenda de integridade.

Particularmente, este grupo entende que é importante tomar para si a responsabilidade de exigir também que os integrantes de suas cadeias de valor sigam o mesmo padrão de integridade que se exige de seus colaboradores diretos, criando-se assim um amplo sistema de integridade.

Neste contexto, acreditamos ser fundamental disseminar boas práticas de organizações críveis como a ICC Brasil, a Rede Brasil do Pacto Global e a Alliance for Integrity, que vêm desenvolvendo, há anos e com vasta experiência, conteúdos pragmáticos para capacitação do setor privado, especialmente de PMEs.

Em nosso entendimento, este compromisso, sendo adotado em larga escala pelas grandes empresas com negócios no Brasil, é a base para alcançarmos resultados cada vez mais contundentes de combate à corrupção e é o mínimo que podemos fazer, como agentes econômicos e sociais responsáveis, pela construção de um país cada vez mais íntegro, ético e respeitado internacionalmente.

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