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70% dos brasileiros conhece alguém que foi afetado por eventos climáticos extremos, mostra estudo

O relatório foi realizado pela Fundação Grupo Boticário, com apoio da UNESCO no Brasil, ANAMMA (Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente) e a Aliança Bioconexão Urbana

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Mudanças climáticas: Para mais de 30% dos ouvidos, "mudanças climáticas" é sinônimo de previsão do tempo. (Prefeitura de Rio Negro/Reprodução)

Mudanças climáticas: Para mais de 30% dos ouvidos, "mudanças climáticas" é sinônimo de previsão do tempo. (Prefeitura de Rio Negro/Reprodução)

Com a aproximação do verão no hemisfério sul, as chuvas se tornam uma realidade cada vez mais presente. Pensando nisso, a pesquisa Natureza e Cidades: A relação dos brasileiros com a mudança climática – realizada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a UNESCO no Brasil, a ANAMMA (Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente) e a Aliança Bioconexão Urbana – afirma que, para 76% dos entrevistados, as cidades não têm estruturas suficientes para lidar plenamente com alagamentos, grandes chuvas e tempestades.

A pesquisa também diz que 64% sentem medo quando há previsão de chuvas fortes na região. O estudo – que ouviu mais de 2 mil pessoas entre 18 e 64 anos de forma presencial e por telefone – será divulgado durante a COP28,  em Dubai, no dia 02 de dezembro. 

Além disso, sete em cada dez entrevistados consideram que os eventos climáticos estão se agravando – enquanto quase 70% dizem conhecer alguém que já foi afetado diretamente por eventos climáticos extremos. Para aqueles que já sofreram consequências diretas de eventos climáticos, estima-se que o prejuízo médio seja de mais de R$ 8 mil por pessoa.

Dentre os eventos climáticos que mais geraram impacto estão: chuvas fortes ou tempestades (45%), alagamentos e ventanias (21%) e ondas de calor (20%). Segundo a pesquisa, a região mais impactada é a região Sul, seguida de Sudeste e Norte. 

“A pesquisa permite compreender melhor os impactos diretos das mudanças do clima na vida da população, o nível de entendimento das pessoas sobre o aumento dos fenômenos climáticos extremos e, também, refletir sobre possíveis caminhos para tornar nossas cidades mais resilientes com desenvolvimento de estratégias de comunicação e engajamento w políticas públicas mais eficientes em busca de soluções”, afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário. 

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A relevância da justiça climática

Para mais de 60% dos entrevistados, os impactos climáticos são sentidos por todas as classes sociais da mesma maneira. No entanto, 39% disseram não concordar com essa afirmação. Também há um recorte importante sobre escolaridade: a pesquisa mostra que, para 35% dos entrevistados o termo “mudanças climáticas” é sinônimo de previsão do tempo. Ou seja, quanto menor o nível de escolaridade, menor a compreensão da influência dos seres humanos no aquecimento terrestre, afirmou Marlova Jovchelovitch Noleto, diretora e representante da UNESCO no Brasil.

“Mesmo conscientes de que os fenômenos extremos podem gerar problemas para todos, sabemos que esses impactos atingem as classes sociais e os diferentes países de formas distintas. Essa compreensão é importante para percebermos que não se trata de uma questão meramente ambiental, é também uma questão ética e política. Portanto, como sociedade, precisamos avançar no entendimento sobre a justiça climática”, diz Jovchelovitch Noleto.

Mas, para o reitor da ANAMMA (Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente), Marcelo Marcondes, é papel dos gestores das cidades estarem mais sensíveis ao cenário climático e na implementação de políticas públicas adequadas para lidar com essas novas realidades. 

Impacto das mudanças climáticas no cotidiano

Quando perguntados sobre quais fatores estão relacionados com às mudanças do clima, os entrevistados destacaram: o aumento no preço dos alimentos (com média de 8,8 em uma escala de 0 a 10), o desmatamento e ondas de calor na cidade (médias 8,7) – seguido da extinção das espécies (com nota 8,5) e secas (8,4). 

Priorização do contato com a natureza

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 85% dos brasileiros vivem em zonas urbanas. Pensando nisso, nove em cada dez pessoas dizem que a sensação de calor é maior em regiões sem áreas verdes – para 86% dos entrevistados, as áreas com natureza estão diminuindo e 26% deles moram em regiões sem bosques ou parques por perto. O relatório diz que 98% dos entrevistados gostariam de ter mais natureza nas cidades, com ruas arborizadas, parques, corredores verdes ou outras soluções. 

Mudanças de hábitos em prol do meio ambiente

87% dos entrevistados afirmam que estão dispostos ou muito dispostos a mudar seus hábitos em prol do clima. Entre as mudanças mais citadas estão: reciclar e descartar o lixo corretamente (24%), plantar árvores (15%), evitar o uso de plástico (8%) e usar meios de transporte menos poluentes (8%). Mas 19% não sabem exatamente o que fazer. 

“É importante aproveitar certa disposição da população para a mudança de hábitos para incentivar medidas para reduzir o aquecimento global, como o uso de transporte público e bicicletas, a economia de energia e o uso de energia renovável, o plantio de árvores, privilegiando produtos e serviços de empresas comprometidas com a redução dos impactos negativos na sociedade e no meio ambiente. Além disso, é importante incentivar o voto consciente em candidatos que compreendam a importância da conservação da natureza para o nosso futuro”, afirma Cecilia Polacow Herzog, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professora e pesquisadora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

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