Preço internacional do petróleo deve se estabilizar, diz especialista

Cotação do barril deve estacionar em 55 dólares em março depois de reunião da Opep, aponta consultoria internacional

As intensas tempestades de neve nos Estados Unidos afetaram os campos de petróleo, que passaram a operar de forma parcial -- houve casos de congelamento de válvulas e outros equipamentos. O corte estimado na produção é de 4 milhões de barris por dia, o que vem produzindo impactos no mercado internacional. Na segunda-feira, dia 22, o barril fechou em alta de 3,7%. No Brasil, em que a cotação em dólar do petróleo é um dos componentes do preço dos combustíveis, os aumentos internacionais ameaçam a política de preços da Petrobras. Para o analista iraniano Iman Nasseri, diretor da consultoria britânica FGE, especializada no mercado de petróleo, a elevação da cotação do barril reflete fatores pontuais, e deve se estabilizar. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista.

No Brasil, há uma preocupação em relação aos recentes aumentos internacionais do petróleo, já que as cotações em dólar do barril influenciam os preços praticados no mercado interno. Devemos de fato nos preocupar?

Entendo que uma parte do preço dos combustíveis no Brasil é cotada em dólar. Outros países têm que importar todo o combustível que consomem, e todos estão sofrendo com o aumento de preços. Mas, visto que a maior parte do mundo ainda não se recuperou da crise do coronavírus e as economias vão levar um tempo para voltar a crescer, puxando a demanda pelo petróleo, não diria que há tanto motivo para fortes preocupações.

O preço do petróleo deve continuar subindo?

Avaliamos que o preço atual, ao redor de 63 dólares o barril, está até um pouco inflacionado. Em março, quando haverá a reunião da Opep, deve baixar para cerca de 55 dólares. A Arábia Saudita deverá fazer um movimento de aumentar um pouco a produção para compensar o ligeiro crescimento da demanda. Temos que lembrar que os recentes aumentos de preços aconteceram em grande parte por causa das nevascas nos Estados Unidos, que deixaram a produção muito mais devagar. É algo passageiro.

O maior consumo de combustível no inverno, para aquecer as casas no hemisfério Norte, está contribuindo para esse aumento?

Temos um certo aumento da demanda na Europa e nos Estados Unidos, que estão vivendo grandes ondas de frio, mas nada assim tão surpreendente. E é algo temporário.

Deve haver então uma acomodação de preços?

Sim, é o que esperamos. Não há fundamentos para um aumento de preços sustentável do barril. Vários países europeus, entre eles a Alemanha, estão em lockdown e ainda não sabemos quando vão retomar as atividades. Já se fala muito na Europa em uma terceira onda do coronavírus. Alguns países, como o Reino Unido, estão adiantados na vacinação, mas em muitos outros as campanhas de imunização seguem em ritmo mais lento.

A recuperação econômica da China não tem impacto na demanda?

Sim, a China voltou a consumir mais petróleo, mas não é o suficiente para justificar novos aumentos de preços do barril. Na maioria dos países, só deverá haver uma retomada econômica no segundo semestre, e olhe lá. A previsão é que só final do ano haja um aumento da demanda por petróleo, em função do crescimento econômico dos países.

Em quanto o senhor calcula que o barril poderá aumentar no final do ano?

Deve sair de cerca de 55 dólares, que é o esperado para março e os meses futuros, para 60 dólares, em média.

A aproximação entre os Estados Unidos e o Irã deve contribuir para essa manutenção de preços?

Sim. O presidente Joe Biden já disse que vai retomar o acordo nuclear. Com isso, a tendência é que haja uma redução das sanções econômicas impostas ao Irã, um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Não acredito que o Irã poderá exportar seu petróleo ainda este ano, mas é bem capaz que no médio prazo sejam permitidas exceções à regra, conforme o acordo nuclear avançar, e o Irã possa aos poucos voltar a comercializar seu petróleo. É essa a expectativa do mercado, o que é algo bastante positivo.

 

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