Economia

Governo registra superávit primário de R$ 11,1 bilhões em abril

Segundo o governo, o resultado ficou abaixo da mediada das expectativas da pesquisa Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda, que indicava um superávt primário de R$ 18,3 bilhões

Real: investidores acompanham IPCA-15 e decisões de BCs. (Gabriel Vergani / EyeEm/Getty Images)

Real: investidores acompanham IPCA-15 e decisões de BCs. (Gabriel Vergani / EyeEm/Getty Images)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 28 de maio de 2024 às 08h36.

Última atualização em 28 de maio de 2024 às 08h52.

Priorizar nos meus resultados Google

As contas do governo federal registraram um superávit primário de R$ 11,1 bilhões em abril deste ano, informou o Tesouro Nacional nesta terça-feira, 28. O resultado é 31,7% menor do registrado no mesmo período do ano passado, quando a União teve superávit de R$ 15,6 bilhões.  

Segundo o governo, o resultado ficou abaixo da mediada das expectativas da pesquisa Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda, que indicava um superávt primário de R$ 18,3 bilhões.

No acumulado do ano até abril, o resultado do governo atingiu um superávit primário de R$ 30,6 bilhões, ante superávit de R$ 46,8 bilhões no mesmo período de 2023.

O superávit acontece quando as receitas com tributos e impostos ficam acima as despesas do governo (não são considerados os gastos com o pagamento de juros da dívida pública). Se as receitas ficam abaixo das despesas, o resultado é de déficit primário.

De acordo com o relatório, o Tesouro Nacional e o Banco Central foram superavitários em R$ 41,4 bilhões, enquanto a Previdência Social (RGPS) apresentou déficit primário de R$ 30,3 bilhões.

Comparado a abril de 2023, o resultado primário deste mês é explicado pela combinação de aumento real de 8,4% (R$ 14,7 bilhões) da receita líquida e aumento real de 12,4% (R$ 19,9 bilhões) das despesas totais.

De acordo com o Tesouro Nacional, em abril:

  • A receita líquida foi de R$ 191,279 bilhões
  • A despesa total foi R$ 180,197 bilhões

Crescimento de receita líquida

De acordo com o Tesouro, o crescimento real da receita líquota em abril é explicado por quatro fatores:

  • Aumento de R$ 9,6 bilhçoes de arrecadação de Cofins e de R$ 2 bilhões no PIS/Pasep;
  • Elevação de R$ 1,7 bilhão no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), essencialmente explicado pela redução nominal das compensações tributárias, apesar do decréscimo na produção industrial;
  • Aumento do imposto de importação de R$ 1,3 bilhão, que decorreu dos aumentos do volume em dólar de importações, da taxa média de câmbio e da alíquota média efetiva desse imposto;
  • Crescimento de R$ 3 bilhões de arrecadação líquida para o RGPS, fruto da combinação dos aumentos da massa salarial, da criação de empregos formais e da arrecadação do Simples Nacional

O Tesouro explica que o crescimento de receita foi parcialmente compesado pela queda de R$ 1,5 bilhão em Concessões e Permissões, uma vez que em 2023 houve arrecadação de receitas de novas concessões de aeroportos no total de R$ 1,5 bilhão, valor que não se repetiu em abril de 2024.

Crescimento das despesas

O governo informou ainda que o aumento de despesas foi influciado principalmente pelo aumento de R$ 11,7 bilhões nos pagamentos de benefícios previdenciários, resultado principalmente da diferença no calendário de pagamento do 13º salário do INSS. Em 2023, o 13º salário da previdência social foi pago nos meses de maio, junho e julho, enquanto este ano será pago em abril, maio e junho.

Outros três fatores que explicam o crescimento das despesas são:

  • Aumento nos benefícios de prestação continuada, no valor de R$ 1,5 bilhão, reflexo do aumento no número de beneficiários e da política de valorização real do salário mínimo;
  • Crescimento das despesas com pessoal e encargos sociais em R$ 1,4 bilhão, em função principalmente de reajustes salariais concedidos ao funcionalismo público em 2023;
  • Aumento de R$ 2,2 bilhões nas despesas discricionárias.
Acompanhe tudo sobre:Tesouro NacionalGoverno Lula

Mais de Economia

Argentina à beira de recessão: PIB pode cair pelo segundo trimestre seguido

Economia da Argentina cresce abaixo do esperado e enfrenta risco de recessão técnica

O Brasil do Pix tem 130 milhões de pessoas que ainda pagam por boleto

Pix ou dinheiro físico? Pesquisa revela a preferência dos idosos no Brasil