Governo diz que não há explosão em pedidos de seguro-desemprego

Equipe econômica estima 200 mil solicitações represadas; crise do coronavírus fez Estados Unidos enfrentarem escalada sem precedentes nos pedidos do auxílio

A equipe econômica do governo mostrou nesta terça-feira, 28, que o número de pedidos de seguro-desemprego contabilizados do início de 2020 até o fim da primeira quinzena de abril – cerca de um mês após o iníco da crise do coronavírus – ainda não mostrou grande variação em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, há pedidos represados.

Se forem contabilizados apenas os pedidos já atendidos, há uma queda de 8,7% de um ano para o outro (de 2.003.715 para 1.830.080).  O Ministério da Economia estima a existência de até 200 mil solicitações represadas, em função do fechamento temporário das unidades do Sistema Nacional de Emprego (Sine), em função das políticas de confinamento.

“É sinal que as politicas desenhadas até agora contra os impactos da pandemia estão surtindo efeito, mas precisamos continuar acompanhando para ver como esse cenário evolui’, disse o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, em entrevista coletiva.

Anunciada pelo governo no início da crise, a medida que permite que trabalhadores tenham jornada reduzida ou contrato suspenso é uma das grandes responsáveis pela contenção do número de pedidos de auxílio, defendem os economistas do governo. “São mais de 4 milhões de acordos firmados, o que significa postos preservados”, diz o secretário Bruno Bianco.

Faz um mês que a pandemia do novo coronavírus vem obrigando empresários do comércio não essencial a respeitar as políticas de confinamento. Nos Estados Unidos, esse cenário já provocou uma explosão sem precedentes no número de pedidos de auxílio-desemprego, que chegaram a 26 milhões em cinco semanas. O montante equivale a 16% da força de trabalho do país.

Troca de trabalhadores

Bruno Bianco disse durante a coletiva que a equipe prepara uma medida para permitir que empresas cedam trabalhadores temporariamente a outras companhias durante a crise.

A ideia, segundo o secretário, é que empresas que estejam contratando possam receber trabalhadores de outras companhias por um período, em um processo que não envolveria demissões nem perda de direitos trabalhistas ou reduções salariais.

“Ele troca sua mão-de-obra e faz com que um setor que esteja contratando contrate, sem burocracia, e devolva o empregado rapidamente também, sem burocracia, para o empregador original”, afirmou Bianco em coletiva de imprensa.

Segundo Bianco, a proposta ainda será submetida ao presidente Jair Bolsonaro, mas “tudo indica que será editada nos próximos dias”.

(Com Reuters)

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