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FGV: confiança de serviços cai com demanda menor

Rio - A queda de 1,5% no Índice de Confiança de Serviços (ICS) em julho contra junho reflete uma "perda de dinamismo" da demanda no mercado interno a partir do segundo trimestre deste ano. A análise é do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Silvio Sales. Segundo o economista, o atual mau humor dos empresários […]

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Alessandra Saraiva

Publicado em 10 de outubro de 2010 às, 03h46.

Rio - A queda de 1,5% no Índice de Confiança de Serviços (ICS) em julho contra junho reflete uma "perda de dinamismo" da demanda no mercado interno a partir do segundo trimestre deste ano. A análise é do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Silvio Sales.

Segundo o economista, o atual mau humor dos empresários do setor de serviços, demonstrado pelo recuo na taxa do indicador, pode conduzir a uma redução no ritmo de contratação destas empresas, nos próximos meses.

Na prática, segundo Sales, a mudança nas condições de consumo no segundo trimestre, como o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em bens duráveis importantes (automóveis e geladeiras), esfriou o apetite do consumidor brasileiro de uma maneira geral, e ajudou a diminuir o otimismo dos empresários que trabalham no setor de serviços.

Ele lembrou que, a partir de meados de 2009, houve um movimento de recuperação contínua na economia, incentivado pelo governo por meio de medidas de redução e isenção fiscal, com vias de estimular o consumo no mercado interno. Mas quando os fortes sinais de elevada demanda interna começaram a afetar negativamente a economia, como aumento de taxas de inflação, o governo mudou de estratégia, e promoveu a retirada de estímulos fiscais ao consumo, além de alterar a trajetória de política monetária, com aumento dos juros básicos. Isso afetou negativamente o setor de serviços, fortemente ligado à evolução da demanda interna.

O especialista da fundação comentou que esta foi a quarta queda consecutiva do indicador. No entanto, as taxas negativas anteriores a julho refletiram um pessimismo dos empresários de serviços em relação ao futuro, que anteciparam uma possível mudança nas condições de consumo no mercado interno. No mês de julho, o cenário foi diferente: foi a primeira queda do índice no ano relacionada a uma avaliação negativa em relação ao presente. "Embora tenha caído em julho, podemos dizer que a confiança do empresário de serviços ainda está em um patamar alto, em termos históricos; mas não tão elevado quanto foi em outros momentos no passado, como no primeiro trimestre", explicou.

Ao detalhar a confiança do setor de serviços por segmentos, é possível perceber que a avaliação negativa dos empresários em julho foi quase generalizada. Dos sete segmentos usados para cálculo do indicador, cinco apresentaram recuo de confiança em julho. O destaque ficou com os serviços prestados às empresas, que englobam atividades contábeis, jurídicas e de limpeza: a confiança do empresariado neste segmento caiu mais fortemente do que a média, com recuo de 2,6% em julho contra junho.

A piora na confiança do empresariado de serviços deve ter influência no mercado de trabalho, segundo Sales. "Nos próximos meses, as empresas devem continuar empregando, mas em ritmo muito menor do que registrado em meses anteriores", afirmou Sales. Entre os segmentos que sinalizaram, em julho, uma diminuição de interesse em novas contratações, nos próximos três e a seis meses, estão o já citado serviços prestados às empresas; e serviços de informação, como telecomunicações (que inclui telemarketing) e atividades de informática.

O recuo da confiança dos empresários no setor, refletido na queda do ICS, não pode ser considerado um movimento isolado. Sales comentou que dados já divulgados pelo IBGE mostraram que houve uma espécie de perda de euforia em várias frentes da economia, a partir de abril. Dados do instituto mostraram arrefecimento no ritmo de atividade da indústria no segundo trimestre, e as pesquisas de comércio e de emprego do instituto também mostraram desempenhos menos positivos no segundo trimestre, em comparação com o primeiro trimestre.

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