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O Tesouro Nacional pode economizar R$ 309,5 bilhões com o custo da dívida pública até o fim de 2024 com a queda da Selic. Desse total, R$ 45,1 bilhões devem deixar de ser gastos se os juros terminarem o ano em 11,75% ao ano. No fim do próximo, com a taxa em 9,5% ao ano, o governo deve poupar outros R$ 264,4 bilhões. A estimativa é do estrategista de renda fixa da BGC Liquidez, Daniel Leal, feita com exclusividade a pedido da EXAME.

As contas de Leal consideraram que o custo da dívida reduziria na mesma magnitude que a Selic. O estrategista usou como base o estoque da dívida bruta de junho de 2023, que alcançou R$ 7,594 trilhões. O cálculo é parecido com o realizado pelo secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. Em entrevista exclusiva à EXAME em junho, Ceron afirmou  que se a Selic estivesse em 10% ao ano, o governo teria "quase que um Bolsa Família por ano economizado em termos de juros que estão sendo pagos na dívida pública". Em valores reais seriam mais de R$ 170 bilhões. Pelas contas de Leal, esse valor seria de quase o dobro.

Harmonia entre políticas monetária e fiscal

Leal afirmou que a harmonização entre as política monetária e fiscal, defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem potencial para melhorar o ambiente econômico. Entretanto, ele disse que esse processo deve ser conduzido de maneira transparente, sem interferência política, para que a queda de juros não se transforme em um problema futuro de perda de credibilidade.

"Se o governo fizer as políticas monetária e fiscal de maneira correta conseguirá essa economia de mais de R$ 300 bilhões. Um corte da Selic na hora errada impacta as outras variáveis econômicas, sobretudo com aumento da inflação e câmbio. Isso impacta a curva de juros futuros. A curva empina. Essa economia só é válida quando há alinhamento entre as políticas monetária e política fiscal", afirmou.

O estrategista ainda afirmou que a política monetária tem um custo menor quando o Banco Central (BC) tem credibilidade para perseguir o objetivo de controlar a inflação.

"Na prática, com mais credibilidade são necessários menos juros para conter a inflação. Eu sou favorável ao BC independente e isso, no longo prazo, se mostra a melhor estratégia. A sociedade colhe os frutos dessa independência e ainda estamos engatinhando nesse processo, já a lei vigente tem pouco tempo", disse.

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