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Para estrangeiros, infraestrutura é principal problema do Brasil

Pesquisa da revista britânica The Economist revela: 49% dos executivos de grandes empresas mundiais dizem que estrutura precária diminui competitividade do país

Portos, aeroportos e estradas insuficientes são alguns dos principais problemas de infraestrutura do Brasil (.)

Portos, aeroportos e estradas insuficientes são alguns dos principais problemas de infraestrutura do Brasil (.)

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Eduardo Tavares

26 de julho de 2010, 18h45

São Paulo - Uma pesquisa da Unidade de Inteligência da revista britânica The Economist realizada com 536 executivos em todo o mundo mostra que, para 49% dos participantes, o principal desafio a ser superado pelo Brasil é sua deficiência em infraestrutura.

A pesquisa teve como objetivo captar a percepção que aqueles à frente de grandes empresas multinacionais têm do Brasil. Embora não seja o único - os entrevistados apontaram ainda questões como educação e inovação em tecnologia -, o problema preocupa porque restringe a competitividade do país no exterior.

Apesar de alguns avanços em logística, os participantes do estudo dizem que o transporte no Brasil é caro, e a malha rodoviária, insuficiente. Também existem poucas ferrovias, e o potencial do transporte marítimo continua sendo inexplorado, com portos e aeroportos congestionados. Estas condições podem aumentar em um quarto ou mais o preço para levar os produtos aos seus respectivos mercados, segundo os executivos.

Para o economista-chefe do banco HSBC, Andre Loes, os eventos esportivos que o país vai sediar ao longo da década - Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016 - trazem, ao mesmo tempo, problemas e oportunidades de solução. "Os compromissos que assumimos têm prazos. Precisamos de disciplina para entregar os projetos de infraestrutura na data certa. Se soubermos planejar tudo da forma correta, os custos serão baixos, e os resultados serão bons", diz. 
 


Loes afirma que o caminho mais eficiente para o desenvolvimento de transportes e outras grandes obras é a parceria entre o Estado e as empresas. Ele ressalta que as contas públicas não suportam sozinhas financiar a maior parte dos projetos que o Brasil pretende fazer. "Estas obras terão que ser compartilhadas com o setor privado. A próxima administração terá que, necessariamente, usar mais parcerias público-privadas, dentre outras formas, para não arcar sozinha com tudo."

Outros gargalos

Considerando apenas os participantes dos Estados Unidos, 47% deles apontam a educação como o maior problema a ser resolvido no Brasil. A crítica dos entrevistados é o fato de que, embora haja formação universitária de qualidade no país, a quantidade ainda é muito baixa. Além disso, por causa da falta de recursos, já no ensino médio os estudantes são encarados como os menos instruídos em todo o mundo.

A classificação do Brasil também é baixa na maioria dos rankings de inovação. Os investimentos nesta área são considerados insuficientes. Cerca de 57% dos entrevistados brasileiros não têm um programa de pesquisa e desenvolvimento, nem planos para criar um em breve. No entanto, 49% dos entrevistados descrevem como “muito boa” ou “excelente” a capacidade dos negócios baseados no Brasil de se integrarem com as últimas tecnologias internacionais.

Segundo Justine Thody, diretora da Unidade de Inteligência da The Economist, “caso o Brasil consiga lidar com estes desafios na próxima década, a economia poderá sustentar taxas de crescimento anual acima de 5% durante um longo período. Isto, em uma economia de classe média e população de 200 milhões de habitantes, formaria um dos mercados mais atraentes do mundo”.