Como lidar com os “sustos” do dia a dia no trabalho

Imprevistos fazem parte do jogo e podem ser manejados com a aquisição e o aprimoramento de competências comportamentais
 (Divulgação/Shutterstock)
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Fernando Mantovani — Sua Carreira, Sua GestãoPublicado em 04/11/2022 às 08:30.

Cada vez mais disseminado no Brasil, o Halloween, celebrado recentemente, me faz pensar como se tornou divertido assustar e ser assustado nesse tipo de festa ou em um momento de descontração em família ou com amigos. Por outro lado, como pode ser traumático passar por essa mesma experiência, de ser pego desprevenido e se sentir vulnerável, em um dia de trabalho!

Um executivo que adoece no dia de uma apresentação importante, um cliente que demanda uma solução urgente e difícil, uma pandemia que muda tudo ou, mais recentemente, os bloqueios de estradas que trouxeram caos e apreensão. São imensas as chances de sermos surpreendidos por imprevistos, dos mais simples aos mais complexos.

A história tem demonstrado que acontecimentos inesperados são muito frequentes, pois vivemos em uma economia com alto grau de interdependência. A Covid-19 e a guerra na Ucrânia ilustram bem meu ponto. Essas duas situações de crise começaram localmente e acarretaram impactos globais. Ambas não foram antecipadas por governos e organizações, provocando uma série de desafios e transtornos para todos.

As adversidades atingem não apenas a programação e o rumo de empresas, mercados e países. Afetam também nosso microcosmos, alterando o humor, concentração, disposição e desempenho na vida e no trabalho. Para a maioria de nós, enfrentar imprevistos não é agradável e muito menos fácil.

Diante de um susto, entrar em estado de alerta, sentir-se confuso e impotente é comum. O que está ao nosso alcance, nesse caso, é aprender a lidar com essas sensações e seguir em frente. Não há uma receita única. Na verdade, há um ponto de partida, que é se conhecer muito bem e criar uma estratégia “customizada” para se recompor mentalmente e emocionalmente frente às surpresas.

De acordo com uma enquete realizada pela Robert Half, fazer intervalos para se recuperar de um “susto” é a opção preferida pelos profissionais ouvidos, sendo mencionada por 32% deles. Já 31% dos que participaram da pesquisa, recorrem a listas e organização. Em seguida, aparece a alternativa de conversar com os colegas, apontada por 27% dos participantes. E 10% deles procuram o apoio das lideranças.

Mais do que a bagagem técnica, as soft skills são ferramentas valiosas para um profissional sobreviver a momentos adversos. Nem sempre as pessoas nascem com elas, mas é possível desenvolvê-las ao longo da vida. É um desenvolvimento gradativo, que requer treino, determinação e resiliência.

As soft skills ajudam a superar imprevistos

O Guia Salarial 2023 da Robert Half identificou as competências comportamentais mais esperadas e valorizadas pelo mercado. Compartilho a seguir as principais delas e como elas podem ajudar no enfrentamento de turbulências que nos desestabilizam no ambiente corporativo:

- flexibilidade – é a competência mais relevante para acompanhar e se alinhar a mudanças de cenário, de regras e de demandas;

- comunicação - saber ouvir e se comunicar de forma clara e objetiva contribui para se manter bem informado e, portanto, mais preparado para os desafios;

- adaptabilidade/resiliência – a habilidade de se reinventar diante de uma adversidade possibilita ao profissional se manter ativo e engajado mesmo em momentos de crise;

- senso de dono – colocar-se na pele de “sócio” da empresa ajuda a pensar em soluções criativas e realistas para atravessar as dificuldades e até aprender lições com elas;

- visão estratégica – estudar, ser curioso e detalhista é um ótimo caminho para compreender em profundidade uma situação crítica e tomar decisões mais acertadas.

Adquirir e aprimorar uma soft skill envolve tentativas e erros, pois o aprendizado acontece especialmente a partir de experiências concretas e reais. Alguém que queira se comunicar melhor, irá se aperfeiçoar nesse aspecto conversando, falando, ouvindo. Não basta ler um manual ou assistir tutoriais a respeito. As competências comportamentais, como diz o próprio conceito, dependem do comportamento, ou seja, de como agimos. Sem ação, não há evolução.

E ao contrário de andar de bicicleta, aprendizado que nunca perdemos, as soft skills que não estão no DNA de um profissional, enferrujam rapidamente se não forem utilizadas. É necessário exercitá-las sempre para que se mantenham firmes, fortes e disponíveis para as horas difíceis.

Aqui, neste Blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento do site da Robert Half. Se você gosta de podcasts, não deixe de acompanhar o Robert Half Talks.

*por Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar