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O centro democrático precisa se reinventar

"Talvez por falta de nomes mais fortes ou por apoio partidário, o fato é que não parece haver um nome hoje que consiga furar as bolhas de Lula e Bolsonaro"
 (Reuters/Ueslei Marcelino)
(Reuters/Ueslei Marcelino)
Por Sérgio ValePublicado em 11/05/2022 17:47 | Última atualização em 11/05/2022 17:47Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Com a eleição de aproximando, a confirmação de que a terceira via não tem como avançar vai se concretizando. Talvez por falta de nomes mais fortes no imaginário popular ou por apoio partidário também mais adequado, o fato é que não parece haver um nome hoje que consiga furar as bolhas de Lula e Bolsonaro. Este, com a caneta na mão como presidente, tem a vantagem de expor a política fiscal a riscos desnecessários. Às vezes, parece que o atual presidente tem certeza de vitória da oposição ao salgar tanto a política fiscal. Lula, por sua vez, surfa na deterioração econômica de um país que luta para crescer 1% este ano com inflação resiliente acima de 10%. O saudosismo de um tempo em que os resultados eram melhores é como um véu para uma situação econômica que já deteriorava.

De qualquer maneira, temos duas forças, dois nomes, praticamente imbatíveis na disputa eleitoral deste ano. Mas mais do que isso, são duas forças que se consolidam e dificultam a entrada não apenas de uma terceira via, mas qualquer liderança fora desse espectro de atuação dos lulistas e dos bolsonaristas. Dito de outro modo, é como se mesmo se os dois candidatos por um passe de mágica não se candidatassem esse ano, é provável que alguém de pensamento muito semelhante herdasse esses votos.

De certa forma, vimos isto acontecer em 2018 quando Fernando Haddad capitaneou a esquerda no PT mesmo com tudo que tinha acontecido com o partido. Do mesmo modo, tudo que Bolsonaro fala ou tem acontecido em seu entorno não muda a percepção de uma parte não trivial de fiéis seguidores. Não importa que seja apenas 15% de seguidores totalmente cegos em cada candidatura, mas esse número é significativamente maior do que qualquer outra força política hoje. Mas esse eleitor fiel, esses 15% talvez, seguem a Lula e Bolsonaro ou ao tipo de pensamento e entendimento da economia e da sociedade que eles embutem? Lendo o livro de Jonathan Haidt, “A mente moralista”, a resposta é um pouco essa percepção de que mais do que os nomes, mas os valores que cada grupo tem é que contam.

Bolsonaro conseguiu captar valores conservadores como autoridade, lealdade e pureza/santidade que a esquerda nunca conseguiu atingir. O espectro destes é na esfera do cuidado e da justiça, mas as pessoas têm imbuído fortemente esses outros valores. Bolsonaro pode ter canalizado, mas quem pensa semelhante com algum mínimo de liderança conseguirá manter esses fiéis seguidores adiante.

Esse movimento conservador acontece no Brasil e no mundo inteiro, não apenas aqui. Claro que condições econômicas adversas para as classes mais baixas de renda contribuíram para isso, mas os estudos mostram que esses valores não necessariamente estão atrelados à condição econômica, mas a um conjunto de descrenças de parte da população e características delas que acharam uma válvula de escape em algum arauto, no caso americano, Trump, e aqui no Brasil, Bolsonaro. Diga-se de passagem, os EUA já tiveram líderes à la Trump no passado, populistas conservadores, mas que foram barrados pelas forças políticas dos partidos Democrata e Republicano. William Jennings Bryan, Henry Ford, Huey Long, Barry Goldwater são alguns dos mais conhecidos americanos populistas e/ou conservadores que foram ganhando espaço. Bryan era mais populista do que conservador, o contrário de Goldwater e ambos concorreram e perderam as eleições presidenciais em um discurso que era rechaçado pela sociedade americana. Mas que foi ao longo do tempo sendo gradativamente vendido e trabalhado como correto. Se Goldwater era visto como certa aberração nos anos 60 sem chance de vitória, o oposto se deu com Trump. Há uma evolução nessa linha do tempo de candidatos americanos que piora ao longo do tempo, que vai baixando a barreira do aceitável.

O discurso trompista veio para ficar e vai continuar contaminando a eleição americana, com o próprio provavelmente voltando a presidência em 2024.

No caso brasileiro, o discurso bolsonarista igualmente baixou a barreira e, não sendo ele reeleito este ano, vai depender de Lula fazer um governo excepcional para evitar que ou ele volte, como Trump, ou que essas mesmas forças conservadoras tentem voltar em 2026. Os riscos são de que a terceira via possa ter dificuldades ainda presentes nos próximos anos quando essas duas forças, Lula e Bolsonaro, saírem do radar. Basta lembrar as heranças getulista e antigetulista que herdamos após a morte do ex-presidente.

O centro democrático vai precisar se reorganizar e mudar o discurso falando não de coisas técnicas, mas achando o caminho de como atingir o pensamento desse brasileiro que abriu espaço para essa concepção conservadora. A esquerda de certa forma já tem história e penetração na sociedade que lhe garante certa estabilidade de seguidores, com ou sem Lula. Como mostram David Samuels e Cesar Zucco em “Partisans, Antipartisans, and Nonpartisans”, o PT conseguiu construir uma base de eleitores que conseguiu se manter próximo a 15% mesmo depois da devastação do governo Dilma. Essa presença consolidada em várias cidades tem sido construída desde os anos 80. No caso de Bolsonaro, há um movimento conservador certamente urbano e fortemente rural, mas que ainda precisa se consolidar. As redes sociais tendem a ser essa frente de atuação virtual em que o conservadorismo avança muito mais que a esquerda, mas continuará sendo verdade que sem entrega econômica essas forças podem se esvanecer. Lula entregou resultados econômicas perceptíveis para a população, apesar de sabermos hoje o quão ruim já era a política econômica de então. Trump, mal ou bem, conseguiu encerrar com algum crescimento econômico e emprego e talvez tivesse ganhado a reeleição não fosse a pandemia. Bolsonaro não entregará resultado econômico relevante, pelo contrário, e corre o risco de não deixar marca que lhe permita sobreviver. É nessa seara econômica que a terceira via poderá florescer, massa sabendo fazer o discurso certo que atinja a população que, hoje, infelizmente ninguém do centro consegue fazer.

*Sergio Vale é economista-chefe da MB Associados.