• AALR3 R$ 19,75 0.00
  • AAPL34 R$ 74,65 1.01
  • ABCB4 R$ 16,47 -0.42
  • ABEV3 R$ 14,75 1.44
  • AERI3 R$ 4,44 18.40
  • AESB3 R$ 10,73 0.85
  • AGRO3 R$ 31,86 -0.62
  • ALPA4 R$ 21,68 -0.55
  • ALSO3 R$ 19,94 1.27
  • ALUP11 R$ 26,32 0.27
  • AMAR3 R$ 2,40 7.62
  • AMBP3 R$ 29,41 -1.14
  • AMER3 R$ 23,70 2.82
  • AMZO34 R$ 73,23 1.29
  • ANIM3 R$ 5,56 3.35
  • ARZZ3 R$ 82,92 0.52
  • ASAI3 R$ 15,36 -0.78
  • AZUL4 R$ 21,17 2.37
  • B3SA3 R$ 11,30 -1.48
  • BBAS3 R$ 35,58 1.34
  • AALR3 R$ 19,75 0.00
  • AAPL34 R$ 74,65 1.01
  • ABCB4 R$ 16,47 -0.42
  • ABEV3 R$ 14,75 1.44
  • AERI3 R$ 4,44 18.40
  • AESB3 R$ 10,73 0.85
  • AGRO3 R$ 31,86 -0.62
  • ALPA4 R$ 21,68 -0.55
  • ALSO3 R$ 19,94 1.27
  • ALUP11 R$ 26,32 0.27
  • AMAR3 R$ 2,40 7.62
  • AMBP3 R$ 29,41 -1.14
  • AMER3 R$ 23,70 2.82
  • AMZO34 R$ 73,23 1.29
  • ANIM3 R$ 5,56 3.35
  • ARZZ3 R$ 82,92 0.52
  • ASAI3 R$ 15,36 -0.78
  • AZUL4 R$ 21,17 2.37
  • B3SA3 R$ 11,30 -1.48
  • BBAS3 R$ 35,58 1.34
Abra sua conta no BTG

São Paulo ganhará um grande Museu da Favela

O museu será instalado no Palácio dos Campos Elísios, antiga sede do governo. Para Celso Athayde, o projeto marca o fim do estigma das favelas
O Museu da Favela irá contar a história de como o Brasil se tornou o país das favelas. Ele apresentará a cultura, as pessoas, as lutas e as glórias dessa população que ajudou a construir algumas das maiores megalópoles do mundo (Getty Images/CARL DE SOUZA/AFP)
O Museu da Favela irá contar a história de como o Brasil se tornou o país das favelas. Ele apresentará a cultura, as pessoas, as lutas e as glórias dessa população que ajudou a construir algumas das maiores megalópoles do mundo (Getty Images/CARL DE SOUZA/AFP)
Por Favela S/APublicado em 15/01/2022 13:54 | Última atualização em 16/01/2022 09:04Tempo de Leitura: 4 min de leitura

As favelas sempre foram territórios de exclusão. Quando criamos a CUFA, em 1997, a própria palavra favela ainda carregava um estigma tão gigante que poucas organizações se aventuravam a usar esse termo. Chamar alguém de favelado era um xingamento. Um dos nossos trabalhos foi, a duras penas, tirar esse estigma desses territórios, que muitos preferiam chamar de comunidades carentes, mas nós não, chamávamos e assumíamos a expressão favela.

Hoje, as favelas seguem como territórios excluídos, mas pela falta de infraestrutura pública, e não mais pelo que elas representam. Ser favelado não é mais motivo de desonra, é um estilo de vida com o qual a população das favelas se identifica, assim como os moradores da Vila Madalena e da Faria Lima, em São Paulo, e do Leme, no Rio de Janeiro, se identificam com os deles.

Em breve, as favelas ganharão o instrumento que faltava para dar significado a esse estilo de vida: um grande museu. Trata-se de projeto que levei para o governo do estado de São Paulo, e a partir daí capitaneado pela Cufa Brasil, com Preto Zezé, Marcivan Barreto e Kalyne Lima.  Mas eu sabia que não seria fácil convencer os “asfaltistas” da importância dessa iniciativa.  Me enganei feio.  O governador João Doria não me permitiu concluir o pedido. Apertou minha mão e disse: pode fazer o projeto.

O Museu da Favela irá contar a história de como o Brasil se tornou o país das favelas. Ele apresentará a cultura, as pessoas, as lutas e as glórias dessa população que ajudou a construir algumas das maiores megalópoles do mundo – mais do que isso, influenciou na formação da identidade brasileira.

Ele será instalado no Palácio dos Campos Elísios, no Centro de São Paulo, antiga sede do governo. É de fato um Palácio, um casarão imponente, que um dia foi utilizado pelos barões do café para perpetuar a economia escravista. É simbólico que um lugar manchado pela escravidão passe a abrigar um equipamento cultural de celebração da cultura negra e periférica, transformando o estigma em carisma.

Quer saber como se tornar um profissional especializado em ESG? Assista à série Jornada Executivo de Impacto gratuitamente aqui

Por essa conquista, entram para a história da favela o secretário da cultura do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, que na prática encorajou todo o poder público e viabilizou o projeto. Mais do que isso, trouxe pra a estruturação da iniciativa o papa dos museus no Brasil, o consagrado Marcelo Dantas, que tem dado uma contribuição decisiva na construção desse que será o espaço mais visitado de São Paulo em muito breve.

Mas a verdade é que o Museu da Favela é uma construção coletiva de cada morador de favela. É resultado do movimento Hip Hop, do trabalho de líderes comunitários, das mães da favela e da força e da alegria de um povo que se recusa a ser rotulado como carente.

O museu, para essas pessoas, representa a legitimação da própria identidade. Um lugar de acolhimento, onde se pode olhar para o passado, sentir saudades e celebrar as conquistas. Para quem não é da favela, será um local para compreender a influência dessa cultura no seu próprio modo de vida e, quem sabe, se identificar com a força e o sentido de comunidade presentes nesses territórios desde a construção do primeiro barraco em canudos ou no morro da providência.

A inauguração está prevista para 2022. A Cufa, por ter construído o projeto junto ao governo, não participou do chamamento público. Mas eu acabo de receber o convite para presidir o conselho do Museu da Favela. Claro que aceitei, por duas razões: uma porque o convite partiu do Ricardo Piquet, um dos maiores gestores de museu do mundo, que é o líder do IDG (Instituto de Desenvolvimento e Gestão), que venceu a chamada pública do Governo do Estado para desenvolver, implantar e gerir o novo Museu; segundo porque o IDG é uma Instituição de referência na gestão de museus no Brasil, de atuação em outros países, e responsável pela bem sucedida gestão do Museu do Amanhã.

Afinal, eu não sou daqueles que deseja boa sorte para quem está na luta, sou do tipo que luta junto.  O fato é que será uma grande festa na favela, e todos estão convidados.