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Retomada do pequeno negócio e o crédito com propósito no pós-pandemia

Os pequenos empreendedores aderiram maciçamente à revolução digital e encontraram novas formas de cativar e fidelizar seus clientes. Os desafios imediatos são outros

A boa notícia é que pós-pandemia o Estímulo seguirá cumprindo sua missão (Tom Werner/Getty Images)
A boa notícia é que pós-pandemia o Estímulo seguirá cumprindo sua missão (Tom Werner/Getty Images)
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Eduardo Mufarej

Publicado em 5 de janeiro de 2021 às, 09h10.

A iminente segunda onda da Covid-19 do Brasil nos próximos meses e a incerteza de uma data precisa para a vacinação de grande parte da população não deverão arrefecer tão fortemente a economia dos pequenos e médios negócios, como vimos no período de março e abril. Claro, haverá um impacto, mas a curva de aprendizado, junto da demonstração de competência do empreendedor nacional, traz ventos de otimismo moderado para 2021.

Os pequenos empreendedores aderiram maciçamente à revolução digital e encontraram novas formas de cativar e fidelizar seus clientes. Pesquisa de outubro do Sebrae mostra que 83% das micro e pequenas empresas já operam no ritmo pré-pandemia em termos de volume, mas que, em média, padecem de uma perda de rentabilidade de 36%.

Os desafios imediatos são outros. Verificam-se falta e/ou alta de preço dos insumos, agravadas por uma inflação ascendente. Em um ano de recessão e pandemia uma alta da inflação não era algo esperado. O IGP-M, indicador de reajuste de muitos contratos, como aluguéis, deve ficar acima de 20%, afetando a estrutura de despesas fixas dos negócios.  A falta de previsibilidade, a restrição de acesso a financiamento em taxas competitivas e o risco inflacionário serão temas mais do que presentes nesse próximo ano.

Nesse sentido, o fundo emergencial filantrópico Estímulo 2020, criado no mês de maio e com inspiração nos reliefs funds dos Estados Unidos, surge como um fundo privado de apoio aos pequenos empreendedores, afetados por esse momento tão difícil. No início, os poucos recursos vieram do esforço de nós, fundadores, e de um pequeno grupo de amigos. E a missão foi além do socorro financeiro. Também foram oferecidos módulos de capacitação a esses empresários, que precisavam lidar com os desafios impostos pelo novo mundo.

Tendo como base os dois pilares, apoio financeiro e capacitação, o fundo atingiu a marca de mais de R$ 130 milhões arrecadados, para auxiliar pequenos empreendedores de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará. A disponibilidade de crédito ocorre em uma plataforma ágil, que dispensa burocracia e ainda oferece taxas de juros muito inferiores em comparação com a média do mercado. Essa é a maneira do Estímulo 2020 olhar para os setores que foram mais afetados pela pandemia. Como resposta, a baixa inadimplência, praticamente inexistente, contribui para a retroalimentação dos recursos destinados a novos apoios.

A boa notícia é que pós-pandemia o Estímulo seguirá cumprindo sua missão. Algumas medidas de melhorias já estão em prática, como a redução do valor mínimo de faturamento para a tomada de financiamento, de R$ 30 mil para R$ 10 mil, e a maior agilidade em nosso site para resposta na análise de perfil do empreendedor.

Assim, o fundo se consolidará como uma iniciativa pioneira de crédito com propósito do país, enfrentando uma questão central do empreendedorismo nacional e deixará um legado para o futuro. O pequeno empreendedor precisa, e o Brasil agradece.

 

*Texto em conjunto com Pedro Faria co-fundador do Estimulo 2020