Ambição 2030: uma alavanca para o desenvolvimento do país

A noite de 25 de abril foi um marco para a história da Rede Brasil do Pacto Global com o lançamento da Ambição 2030
 (Pacto Global/Divulgação)
(Pacto Global/Divulgação)
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Carlo Pereira

Publicado em 27/04/2022 às 11:46.

Última atualização em 28/04/2022 às 15:43.

A noite de 25 de abril de 2022 foi um marco para a história da Rede Brasil do Pacto Global e para o nosso país. Uma união de forças para que de fato as maiores lideranças, acionistas e investidores assumam compromissos em torno de avanços sociais, de governança e ambientais nas empresas do Brasil. E agora.

Agradeço imensamente a cada uma e cada um pelo empenho para que esta noite acontecesse, especialmente ao Rosewood e à Ambipar. Agradeço também aos parceiros Ibgc, ICC, CNN e Exame, além das lideranças que foram nossos anfitriões e anfitriãs no evento.

Quero fazer uma justa deferência aos nossos apoiadores institucionais: Aegea, Ambipar,  Klabin e MRV. Agradeço também aos líderes de impacto e a quem faz o Pacto acontecer. À minha equipe e ao meu conselho de administração. E claro, ao Conselho Jovem. Muito obrigado!

Hoje eu não quero focar nos desencontros promovidos por essa pandemia, mas nos novos encontros, na cooperação para a construção de um futuro desejado. Não em Marte, por favor! Foco aqui na Terra, é o que temos.

O Pacto Global é uma rede que cresceu muito nos últimos anos.  São centenas de pessoas, de empresas movidas por propósitos comuns num sistema colaborativo.

No final do dia, somos uma grande plataforma de programas e projetos com impacto mensurado. Atuando por meio de projetos Globais e locais, são mais de 50.

Vivemos um retrato contemporâneo horroroso. Crise de 2008, Covid, guerra da Ucrânia, mudança do clima, desigualdade crescente, polarização política, a crise na Amazônia. Esse momento nos leva para uma reflexão profunda sobre a humanidade e nossa relação com o planeta.

Entendo que devemos, a todos os que se foram, resetar a relação, entre nós, com o planeta e a economia. Precisamos transformar essa tragédia em um wake-up call. Vejo como uma obrigação.

É importante e necessário, os stakeholders estão cobrando. Nós estamos nos cobrando. Nós, líderes empresariais, temos que ser os catalisadores da mudança que o mundo precisa e quer ver. 60% do PIB, 80% de fluxo de capitais e 90% da criação de empregos está com a gente.

A transição para o capitalismo de stakeholders, no qual o bottom line, obviamente, continua sendo essencial, mas não exclusivo, é uma realidade e está em curso. Uma transição dessas acontece a cada 100 anos.

Larry Fink, CEO e fundador da Black Rock, fala que este momento é um movimento de placas tectônicas. Al Gore, esse um suspeito mais usual, diz que estamos vivendo uma revolução tão estruturante quanto a revolução industrial e tão rápida quanto a digital. Num momento de tantas rupturas, é natural certa confusão.

Uma pesquisa do Pacto com a Russell Reynolds mostrou que 92% dos executivos reconhecem a necessidade de trabalharmos essa agenda, mas apenas 20% acham que estão de fato fazendo algo relevante. Ou seja, sabemos que é importante, mas não estamos agindo adequadamente.

E por isso um novo nível de ambição é necessário. Precisamos ir além. Temos que aumentar a ambição por meio de ações coletivas.

Nunca estivemos tão cientes das causas e consequências dos problemas do mundo. Ao mesmo tempo, nunca tivemos tantas ferramentas. E sobretudo sabemos o que e como fazer.

Em 2020, vimos um turning point, uma aceleração e maturidade da agenda ESG. Antes disso, só 27% do PIB tinham metas de descarbonização e agora, mais de 80%.

A Bloomberg estima que os ativos ESG vão representar 1/3 de todos os ativos do mundo, chegando a 50 trilhões de dólares até 2025. WRI mostrou que o Brasil tem oportunidade de gerar R$ 3 trilhões com a retomada verde, o tamanho do PIB de Argentina e Bélgica. 46% das dívidas de empresas brasileiras emitidas no exterior em 2021 foram atreladas a ESG.

Por isso tudo, proponho que nós, líderes empresariais, estabeleçamos um pacto fundamentado em princípios e valores universais, para darmos uma face humana ao mercado. Essa frase é do Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, ao lançar o Pacto Global em 1999 em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial.

Reafirmemos esse pacto.

No meu entendimento, o que ele quis dizer é que se praticarmos os valores que todos aqui, tenho certeza, compartilham, dando uma face mais humana ao mercado, temos tudo para construir o futuro que precisamos.

Não estamos escolhendo essa transição só porque faz sentido para o negócio, escolhemos porque somos humanos, escolhemos porque é o correto a fazer e nossa consciência nos guia nessa direção. Essa escolha é como indivíduos, organizações, nação, mas também, como geração.

Alguns líderes serão exemplo, alguns terão que mudar, outros ficarão pelo caminho. Tem uma provocação na carta de Larry Fink deste ano: "A pergunta é: você conduzirá ou será conduzido?” A liderança é sua. Esse tema é seu.

Não é simples. Num evento do prof. Michael Porter em Harvard, Art Peck, CEO da GAP, comentou que, numa confraternização, um senhor desolado, olhava pra ele. Foi perguntar o que estava acontecendo e ele respondeu: “Você sabe que eu já fui CEO aqui, certo? “Sim, claro. O senhor é uma referência para mim. “Pois é, na minha época era muito mais fácil ser CEO”.

Era muito mais fácil ser líder empresarial. Bottom line e acabou. Agora não. A sociedade espera que a liderança se manifeste. E, para isso, precisamos de coragem. A palavra coragem vem da família etimológica de coração. O curioso é que antigamente o coração representava não só o emocional como o racional. A coragem é o elemento que liga a razão à emoção e é disso que precisamos: sermos mais humanos nos negócios.

Centenas de pessoas, empresas e instituições se debruçaram nesses últimos meses nessa missão de desenvolver os Movimentos apresentados hoje que lançamos nesta semana. Eles foram cocriados com organizações como ONU Mulheres e CEERT. E permitem que empresas e líderes embarquem numa jornada individual, revendo seu propósito e impacto.

Nunca tivemos no Brasil ou no mundo uma agenda para o setor privado com metas claras, monitoramento anual com mais de 1.500 empresas, alicerçada numa estrutura tão sólida. Já começamos com muita força. São 7 empresas embaixadoras e mais de 150 grandes empresas aderentes aos Movimentos, mesmo antes dos seus lançamentos oficiais. Além disso, no forno, o novo programa Liderança com Impacto, em parceria com Inpress e Russel Reynolds, vai nos ajudar muitíssimo a navegar nesses tempos bicudos.

Lançamos também, no ano passado, o Observatório 2030, com objetivo de monitorar e reconhecer as empresas. Todos agora podem acessar essa plataforma. Várias mãos participaram de toda essa construção. O que eu faço aqui, hoje, é representá-los e representá-las no lançamento da ambição 2030!

Vamos juntos na construção do País que precisamos. Íntegro, inclusivo, regenerativo! Façamos dessa agenda uma alavanca para o DESENVOLVIMENTO do nosso país. Um país que não deixe ninguém para trás.

Essa é a ambição.

Conheça cada Movimento que faz parte da Ambição 2030 da Rede Brasil do Pacto Global da ONU e participe já dessa grande mudança de paradigma: https://www.pactoglobal.org.br/movimentos