Procurando emprego? Itália recruta descendentes de italianos do Brasil

A cidade, que possui pouco mais de 4 mil habitantes, fica na região da Calábria, sul da Itália, e oferece a possibilidade de revalidação do diploma universitário
 (Antonio Aricó / EyeEm/Getty Images)
(Antonio Aricó / EyeEm/Getty Images)
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Mariana Martucci

Publicado em 02/09/2021 às 18:23.

Última atualização em 02/09/2021 às 18:33.

O município de Maida, localizado na região da Calábria, no sul da Itália, está recrutando descendentes de italianos em todo o mundo. A iniciativa da Associazione Unione Italo Discendenti nel Mondo, em colaboração com a Casa Calabria e o próprio município de Maida, inclui benefícios como o auxílio na busca por emprego e estadia, além da possibilidade de revalidação do diploma universitário.

A cidade, que possui pouco mais de 4.000 habitantes, está situada sob uma famosa colina na região da Calábria, que ficou conhecida por uma batalha entre a França e a Inglaterra no início do século 19.

“A Itália precisa de seus descendentes italianos que estão espalhados pelo mundo. A Itália é considerada um país envelhecido e depois da pandemia tudo mudou e se aprofundou. É preciso criar as condições para o retorno: temos 21 milhões de descendentes de italianos na Argentina, 42 milhões no Brasil, podemos praticamente rejuvenescer a Itália quando quisermos”, afirmou Andrea Pacia, presidente da associação dos ítalo-descendentes, em entrevista à agência de notícias Ansa.

Segundo Andrea, a ideia do projeto é repovoar cidades e pequenos municípios com descendentes de italianos que vivam em áreas de crise na América Central e do Sul, e em locais que o desenvolvimento seja considerado "inferior" ao da Itália.

“A Itália é o único país do mundo onde não há limites para o reconhecimento da cidadania. Mas esse reconhecimento aumentou consideravelmente ao longo do tempo com o único propósito de se deslocar para países europeus de língua espanhola ou portuguesa, e até mesmo na América do Norte”, afirmou Andrea.

Segundo a Ansa, entre 1998 e 2006, 600.000 certificados de cidadania italiana foram concedidos por descendência. Deles, 40% foram na Argentina, 20% no Brasil e, na Europa – França (54%) e Suíça (25%).

Segundo Andrea, os candidatos à cidadania na Argentina e no Brasil são de classe média e média alta, com alto nível de escolaridade. Mas muitos acabm indo para a Espanha, que viu sua comunidade italiana aumentar 550%, especialmente em Madri e Barcelona.

As instituições traçaram o objetivo de criar condições para que os descendentes de italianos retornem e permaneçam na Itália. “Empresários se colocaram à disposição; além disso, agora é possível que quem solicita o reconhecimento da cidadania consiga a autorização de trabalho enquanto aguarda. Porque o reconhecimento é um direito de nascimento: até que a lei mude, os filhos de cidadãos italianos são italianos”, reforçou Andrea à Ansa.

O projeto terá início em setembro e serão selecionados cerca de 15 candidatos que escrevem para a UID (pelo email info@unioneitalodiscendenti.it) e que terão acesso a uma estadia de seis meses no município de Maida e poderão fazer cursos de italiano. Além disso, a Universidade da Calábria será responsável pela revalidação dos diplomas dos participantes.

Segundo Andrea, serão oferecidos trabalho no setor de agricultura – como colheita de azeitona, uva, entre outros – ou até mesmo nas diferentes áreas do turismo.

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