Carreira

Private equity: confira o perfil e quanto ganham os profissionais da área

Com boa parte do salário paga com o bônus, a pesquisa do Insper mostra como a remuneração evolui do estágio até se tornar sócio

Região da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo: remuneração média em fundos de private equity no Brasil começa em 42.000 anuais para estagiários (Germano Lüders/Exame)

Região da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo: remuneração média em fundos de private equity no Brasil começa em 42.000 anuais para estagiários (Germano Lüders/Exame)

Luísa Granato

Luísa Granato

Publicado em 19 de maio de 2021 às 18h26.

Última atualização em 19 de maio de 2021 às 19h47.

Quanto ganham os profissionais de private equity no Brasil? Em um ano, a remuneração média começa em 42.000 reais para estagiários e pode chegar a mais de 2 milhões de reais para os sócios, de acordo com dados da pesquisa exclusiva do Insper com a Spectra Investments e a consultoria Heidrick & Struggles.

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Essa remuneração é composta em grande parte pela parcela de bônus, que é diretamente relacionada com os retornos dos fundos investidos. A proporção desse bônus em relação ao salário fixo vai crescendo ao longo da carreira.

Para o estagiário, 38,5% da remuneração é paga em bônus. Já para o sócio, a divisão é quase o inverso: 39,5% é o salário fixo.

Os fundos de private equity fornecem capital para empresas nascentes, maduras ou que precisam de reestruturação, e auxiliam no seu desenvolvimento sustentável. No relatório do Insper, foram analisadas 25 gestoras de fundos com foco em empresas mais maduras. Os dados foram coletados de 2018 a 2020. 

A parceria entre o Insper e a Spectra ocorre há alguns anos para estudar a carreira dos profissionais do ramo de private equity e a evolução das gestoras no Brasil. Segundo Rafael Bassani, sócio da Spectra, a principal descoberta desse estudo pode auxiliar na visão de longa data para a carreira dentro de gestoras.

“O alinhamento de longo prazo, dos investidores e do gestor, é fundamental. Vemos com bons olhos os gestores que distribuem o Carry para suas equipes, que são aqueles que estão de fato à frente dos negócios”, fala ele.

A professora do Insper Andrea Minardi explica que o Carry, o valor que a gestora recebe quando o fundo rende acima de uma taxa estabelecida no regulamento do fundo, é uma estratégia importante para a retenção de talentos na área. “É um realmente se ganha o dinheiro”, fala ela.

Assim, a pesquisadora aponta que poucas empresas do estudo responderam à questão sobre como a distribuição do Carry é feita dentro da equipe. Para ela e para o sócio da Spectra, ter uma política bem estruturada para esse pagamento é importante para valorizar as equipes e mostrar os benefícios de permanecer na empresa.

“Acho que é algo que pode melhorar, pois tira o incentivo da equipe mais jovem e que está produzindo bastante. Estamos falando de investimento no longo prazo, então existe um valor também de que a equipe que criou uma tese de valor permaneça no projeto por muito tempo”, explica a professora.

Na pesquisa, também aparece um dado sobre a oscilação de salários entre grandes e pequenas gestoras. O resultado já era esperado, pois gestoras maiores têm a capacidade de abarcar clientes e projetos também maiores que as pequenas gestoras. Assim, a remuneração tem uma dispersão maior acompanhando a hierarquia.

Outro ponto preocupante que aparece na pesquisa é a baixa representatividade de mulheres no ramo. Apenas 13% dos profissionais da área são do gênero feminino. Entre os sócios, apenas 10% são mulheres.

Remuneração média em Private Equity, Insper

Remuneração média em private equity, Insper (Camila Santiago/Exame)

Carreira de sucesso

Sobre as portas de entrada nas carreiras de private equity, Bassani aponta dois momentos diferentes de contratação. Em ciclos mais frios, a principal entrada de talentos é para o estágio ou cargos juniores para alunos vindo de cursos de MBA.

Em momento mais aquecidos para a área, no entanto, as gestoras não têm tempo de formar do zero os profissionais e começam a olhar para pessoas com mais experiência.

“Temos a contratação de pessoas de outras indústrias. Um caminho são os profissionais de consultoria estratégica e outro, de bancos de investimento. O terceiro caminho é para empreendedores que foram donos de empresas e muitas vezes tem um know-how operacional”, explica ele.

Segundo o executivo, a carreira exige pessoas com habilidade matemática e muito conhecimento financeiro. Junto a isso, levam vantagem os candidatos com experiências em discussão de estratégias, consultoria, proximidade a conselhos de empresa e processos de fusões e aquisições.

“Seguindo essa lógica, o empreendedorismo é uma escola completa para entrar na área em uma posição sênior. Desde contratar um time até viver um ciclo de capacitação e vender ativos, as experiências são valorizadas no setor”, comenta Bassani.

Quanto a diplomas e certificados, dois títulos são muito valorizados na área: MBA em instituições de renome, especialmente internacionais; e o certificado do CFA Institute.

Segundo ele, o momento agora é o mais aquecido, com novos negócios e novas gestoras surgindo. “Não sei até quando teremos essa janela aberta, mas já vejo um jogo das cadeiras acontecendo e agora é um momento bom para entrar na indústria”.

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