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Aos 40 anos, Carol Gattaz mostra importância da maturidade na carreira

Após ser dispensada nos Jogos do Pequim, Carol Gattaz, do vôlei feminino brasileiro, estreia nos Jogos Olímpicos aos 40 anos e indica a importância da resiliência e diversidade geracional no trabalho
 (Reprodução/Instagram/Carol Gattaz)
(Reprodução/Instagram/Carol Gattaz)
Por Marina FilippePublicado em 04/08/2021 14:38 | Última atualização em 06/08/2021 10:46Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Nesta quarta-feira, 4, o time de vôlei feminino brasileiro venceu a Rússia nas Olimpíadas graças aos bloqueios de uma protagonista de carreira incomum: a central Carol Gattaz. Ela contraria as estatísticas de atletas que se aposentam jovens e faz sua estreia nos Jogos Olímpicos aos 40 anos de idade. Sua atuação nesta terça-feira foi tão decisiva que as redes sociais foram inundadas com memes como "Vocês sabiam que a Muralha da China vai ser renomeada para Muralha Carol Gattaz?".

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Ela, que em 2008, havia sido dispensada dos jogos de Pequim, dá a volta por cima mesmo depois do momento que descreveu como o mais doloroso da carreira. “Me perguntava o que tinha faltado e o motivo pelo qual aquilo estava acontecendo comigo”, disse em entrevista para a Globo. Seu exemplo lança luz sobre a importância da resiliência para profissionais mais maduros, fundamentais para times de vôlei e para empresas de qualquer tamanho e setor de atuação.

Gattaz continuou treinando e agora mostra como idade não é problema para alcançar o sucesso profissional. Ela, o velejador brasileiro Robert Scheidt, que está na sua sétima Olimpíadas aos 48 anos, e outros atletas dão exemplos que vão além do esporte.

“Uma pessoa disciplinada e com a obsessão de melhorar, faz com que ela siga planejando em como realizar os seus objetivos em qualquer idade. A lição de produtividade está em acreditar no seu potencial”, diz Sofia Esteves, fundadora da Cia de Talentos.

A longevidade e produtividade pauta o mundo do trabalho e a sociedade em geral. Até 2050, 30% da população brasileira terá mais de 60 anos. O país será o sexto mais velho do mundo, segundo dados do IBGE compilados na pesquisa "Longevidade" organizada pela Fundação Dom Cabral.

Nas contas do Ipea, órgão de pesquisas ligado ao governo federal, 57% da população em idade economicamente ativa no Brasil terá mais de 45 anos daqui três décadas. Assim, Gattaz exemplifica uma tendência que deve ser absorvida pelo mercado.

“Ela transmite a sua resiliência, o esforço e o foco, características valiosas no mundo corporativo. É justamente a integração geracional que vai proporcionar soluções mais inovadoras, lucrativas e inclusivas”, diz Mauro Wainstock, sócio da consultoria HUB 40+.

O executivo comenta ainda a importância da maturidade também para a liderança. “Seu talento foi lembrado, mas depois preterido, em várias oportunidades. Ela não desanimou. Transformou a decepção em incentivo, a simples vontade em forte determinação. Passou a ser capitã de seu time e a utilizar o equilíbrio, a maturidade e a experiência como diferenciais. A liderança e o respeito foram conquistados de forma natural; a dedicação e a capacidade de se superar recompensadas merecidamente”, diz.

Mercado de trabalho

O envelhecimento da população brasileira traz desafios para a diversidade nas empresas. Pela primeira vez há quatro gerações no mesmo ambiente de trabalho. No Brasil, a população com 50 anos ou mais passou de 54 milhões de pes­soas em 2020, o que representa cerca de 25% do total.

Mas grande parte das companhias ainda não olham especificamente para a contratação e inclusão de pessoas mais velhas. Em uma pesquisa realizada pela consultoria Maturi, 64% dos entrevistados citam o preconceito etário no mercado de trabalho entre os maiores desafios do momento, seguido por questões financeiras.

"Gattaz mostra como ter pessoas experientes no time faz toda diferença e incentiva a quebra de preconceitos. Temos visto empresas relatarem a importância dos mais experientes no momento de pandemia, pois a postura corporativa dos mais velhos junto a mais flexível dos mais jovens são complementares. Uma tendência importante no esporte e fora dele", diz Mórris Litvak, fundador da Maturi.

 

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